Saúde

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Cadastro do SUS será unificado ao CPF

A partir de agora, o Cartão Nacional de Saúde (CNS) será emitido com base no CPF, e todo cidadão com o documento terá cadastro automático no sistema.

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O Ministério da Saúde anunciou que o Cartão Nacional de Saúde (CNS) passará a ser emitido utilizando o CPF como número de identificação. A medida, que visa simplificar o acesso dos pacientes aos serviços de saúde e aumentar a segurança das bases de dados, prevê que todo cidadão com CPF seja automaticamente cadastrado no Sistema Único de Saúde (SUS), eliminando a necessidade de uma inscrição prévia. A iniciativa foi detalhada em um anúncio conjunto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

Como parte do processo de unificação, o governo iniciou uma revisão do Cadastro de Usuários do SUS (CADSUS) em julho de 2025. Desde então, 54 milhões de registros que não possuíam CPF foram suspensos. A previsão é que, até abril de 2026, outros 111 milhões de cadastros sem o documento ou com inconsistências sejam inativados. O objetivo é alinhar o sistema ao número de CPFs ativos na Receita Federal, que atualmente é de 228,9 milhões, buscando evitar duplicidades e fraudes.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, a integração dos dados representa um avanço significativo para o SUS, permitindo um combate mais eficaz ao desperdício e garantindo maior efetividade e equidade no atendimento. A medida também facilitará o acesso dos cidadãos a informações como o histórico de vacinação e os medicamentos disponíveis pelo programa Farmácia Popular, que poderão ser consultados por meio do aplicativo Meu SUS Digital. A integração do CADSUS à Infraestrutura Nacional de Dados (IND) permitirá o cruzamento seguro de informações com outras bases governamentais, como as do IBGE e do CadÚnico.

Apesar da mudança, o atendimento no SUS continuará a ser garantido mesmo para os pacientes que não possuem CPF. Nesses casos, será gerado um cadastro temporário com validade de até um ano, especialmente para situações de emergência. Após a alta hospitalar ou a regularização do documento, será necessário realizar a prova de vida e incluir o CPF no registro. Populações específicas, como estrangeiros, indígenas e ribeirinhos, que não possuem o documento, continuarão a ser registradas por meio do CNS, que funcionará como um cadastro complementar.

A implementação da medida será pactuada com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), com um prazo de conclusão estabelecido para dezembro de 2026. Ao todo, 41 sistemas nacionais de saúde serão readequados para utilizar o CPF como identificador principal, incluindo a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Prontuário Eletrônico da Atenção Primária, fortalecendo a transparência e a gestão do sistema de saúde público.

Ciência, Saúde

Esperança na ciência: medicamento brasileiro pode reverter lesões medulares

Desenvolvida a partir da placenta humana, a polilaminina se mostra promissora na regeneração de tecidos nervosos e na devolução de movimentos.

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Uma nova proteína, extraída da placenta humana, surge como uma promessa para a recuperação de pessoas que sofreram lesões na medula espinhal. O medicamento, chamado polilaminina, foi desenvolvido pelo laboratório brasileiro Cristália e apresentado como uma novidade mundial, capaz de regenerar o tecido medular em pacientes que perderam movimentos devido a acidentes, quedas ou outros traumas.

A polilaminina atua estimulando o rejuvenescimento de neurônios maduros, incentivando-os a criar novos axônios, que são as vias de comunicação do sistema nervoso. A aplicação do medicamento é feita diretamente na coluna e, segundo os estudos, apresenta melhores resultados quando realizada em até três meses após a lesão, embora também demonstre efeitos em casos mais antigos.

Durante a fase experimental, voluntários que receberam o tratamento relataram melhoras significativas. A atleta paralímpica Hawanna Cruz Ribeiro, que ficou tetraplégica em 2017, recuperou entre 60% e 70% do controle do tronco. Já Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um acidente de carro em 2018, teve uma recuperação completa em cinco meses após receber a aplicação 24 horas depois do trauma.

Os testes em animais também foram animadores. Cães com lesões medulares não provocadas voltaram a andar, e em ratos de laboratório, os efeitos da aplicação foram observados em apenas 24 horas. A produção da polilaminina já está em andamento, utilizando placentas doadas por mulheres saudáveis, acompanhadas durante toda a gestação.

Apesar dos resultados promissores, o medicamento ainda aguarda a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a realização de um estudo clínico ampliado. O laboratório Cristália espera que a liberação ocorra em breve, mas a agência afirma que aguarda dados complementares dos estudos pré-clínicos para dar prosseguimento à análise.

Saúde

Brasil pode ter aumento de 36% nas mortes por câncer colorretal até 2040

Estudo da Fundação do Câncer revela que maioria dos diagnósticos acontece em estágios avançados da doença.

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O Brasil enfrenta um cenário preocupante no combate ao câncer colorretal. Segundo projeção divulgada pela Fundação do Câncer nesta terça-feira (5), Dia Nacional da Saúde, a mortalidade por esse tipo de tumor deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos. Os dados fazem parte do 9º volume do Boletim Info.oncollect e apontam para um aumento de 35% nos óbitos entre homens e 37,63% entre mulheres até 2040.

A Região Sudeste concentrará o maior número absoluto de mortes, com projeção de crescimento de 34% nos óbitos. O coordenador da pesquisa, Alfredo Scaff, destaca que o principal problema está no diagnóstico tardio: 78% das pessoas que morreram pela doença foram identificadas já nos estágios três ou quatro, quando as chances de cura são drasticamente reduzidas.

Os cânceres de cólon e reto, que atingem o intestino, já ocupam a terceira posição entre os mais frequentes no país, com cerca de 45 mil novos casos registrados anualmente, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer para o período de 2023 a 2025. A doença se desenvolve de forma silenciosa, muitas vezes a partir de pequenos pontos que podem evoluir para câncer ao longo dos anos.

Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, mudanças no hábito intestinal como fezes em fita ou diarreicas, dores abdominais persistentes e perda de peso sem causa aparente. Especialistas recomendam que homens e mulheres a partir dos 50 anos realizem exames preventivos, como teste de sangue oculto nas fezes e, quando necessário, colonoscopia. Pessoas com histórico familiar devem iniciar o acompanhamento mais cedo.

O estudo evidencia a urgência de implementar um programa nacional de rastreamento para o câncer colorretal. Enquanto países com programas estruturados de detecção precoce apresentam sobrevida de cinco anos superior a 65%, no Brasil os índices são de apenas 48,3% para câncer de cólon e 42,4% para câncer de reto. Diferentemente do que ocorre com os cânceres de mama e colo do útero, ainda não existe um sistema que convoque sistematicamente a população para exames preventivos do intestino.

Saúde

Governo federal destina R$ 2,4 bilhões para aquisição de equipamentos médicos

Investimento beneficiará Sistema Único de Saúde com mais de 10 mil equipamentos para atenção básica e cirurgias.

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços anunciou nesta segunda-feira (4) um investimento de R$ 2,4 bilhões na compra de mais de 10 mil equipamentos de saúde destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Saúde e priorizará produtos fabricados no Brasil, aplicando margens de preferência para a indústria nacional.

A estratégia governamental permite que equipamentos brasileiros sejam adquiridos mesmo com preços entre 10% e 20% superiores aos similares importados. Essa medida visa fortalecer o setor produtivo nacional e reduzir a dependência de importações no segmento de tecnologias em saúde, conforme destacou o ministério em comunicado oficial.

A primeira licitação está programada para iniciar ainda esta semana, seguindo lista de equipamentos publicada na quinta-feira (31). As compras serão realizadas pelo Ministério da Saúde por meio de editais específicos, contemplando tanto a atenção primária quanto a especializada do sistema público de saúde.

Entre os 28 tipos de equipamentos selecionados, 17 são destinados ao atendimento básico e 11 para procedimentos cirúrgicos e oftalmológicos. Na atenção primária, destacam-se câmaras frias para conservação de vacinas, retinógrafos digitais, desfibriladores externos automáticos e equipamentos de ultrassom para fisioterapia. Já para a atenção especializada, a lista inclui aparelhos de anestesia, mesas cirúrgicas elétricas, microscópios cirúrgicos oftalmológicos e sistemas de videoendoscopia rígida.

O investimento integra uma meta mais ampla do governo federal de aumentar a produção nacional de insumos de saúde. Atualmente, o Brasil produz cerca de 45% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos. O objetivo é elevar esse percentual para 50% até 2026 e alcançar 70% até 2033, reduzindo significativamente a dependência externa no setor.

Saúde

CFO alerta para riscos do “morango do amor” à saúde bucal

Doce viral nas redes sociais pode causar fraturas dentárias e danos a próteses ortodônticas.

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O fenômeno das redes sociais conhecido como “morango do amor” tem gerado preocupação entre profissionais da odontologia. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) emitiu um alerta na última semana sobre os riscos que o popular bombom de morango envolvido em calda de caramelo pode representar para a saúde bucal. A sobremesa, que viralizou em plataformas digitais, tem sido consumida por milhares de pessoas que compartilham vídeos saboreando a iguaria.

O principal problema identificado pelo CFO está na textura dura e pegajosa do caramelo que reveste a fruta. Segundo o conselho, alimentos com essas características podem quebrar dentes, além de danificar próteses e aparelhos ortodônticos. A situação se tornou ainda mais evidente quando começaram a circular nas redes sociais vídeos de pessoas que sofreram acidentes odontológicos ao consumir o doce, incluindo casos de dentes quebrados e lentes dentais danificadas.

Para quem deseja experimentar o “morango do amor” com segurança, o CFO recomenda alguns cuidados específicos. A orientação principal é evitar morder diretamente o caramelo, optando por usar uma faca para partir a casquinha caramelada em pedaços menores antes de colocar na boca. Durante a mastigação, é aconselhável utilizar os molares, que são os dentes posteriores mais resistentes e adequados para triturar alimentos duros.

Além dos riscos mecânicos, o alto teor de açúcar presente na receita representa outro motivo de preocupação. O CFO alerta que o consumo frequente de açúcares pode levar ao desenvolvimento de cáries, especialmente quando os resíduos pegajosos do caramelo permanecem aderidos aos dentes. Por isso, a recomendação é escovar os dentes imediatamente após o consumo, com atenção especial à limpeza interdental para remover todos os vestígios do doce.

O conselho é ainda mais rigoroso para pacientes que utilizam facetas, próteses fixas ou removíveis e aparelhos ortodônticos. Para esse grupo, a orientação é evitar completamente alimentos duros e pegajosos, buscando alternativas similares que não incluam o caramelo. Em caso de acidentes odontológicos, o CFO recomenda procurar imediatamente um consultório para atendimento de urgência, já que os danos podem ser irreversíveis e causar lesões na cavidade oral.

Saúde

SUS e planos de saúde podem firmam parceria inédita para ampliar atendimentos

Programa “Agora Tem Especialistas” prevê conversão de R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento em consultas, exames e cirurgias a partir de agosto.

Imagem: Tomaz Silva/agência Brasil

A partir de agosto, uma parceria inédita entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os planos de saúde privados permitirá que pacientes da rede pública sejam atendidos também pelas operadoras em todo o Brasil. A iniciativa, batizada de “Agora Tem Especialistas”, foi apresentada nesta segunda-feira (28) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em conjunto com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carta de Figueiredo Soares.

O programa prevê a conversão de R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento ao SUS, acumuladas pelas operadoras de planos de saúde, em atendimentos efetivos para a população. Esses recursos serão direcionados para consultas, exames e cirurgias em áreas consideradas estratégicas, como oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia, conforme a demanda apresentada pelos estados e municípios.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, trata-se da primeira vez na história do SUS que um mecanismo desse tipo é implementado. “As dívidas que antes iam para o Fundo Nacional de Saúde, mas não se convertiam em atendimento, agora virarão ações concretas para reduzir tempo de espera por atendimento e dar dignidade a quem mais precisa”, declarou. O objetivo principal é ampliar a capacidade de atendimento da rede pública e reduzir o tempo de espera na atenção especializada.

A adesão das operadoras ao programa será voluntária, mas exigirá o cumprimento de critérios específicos. As empresas interessadas deverão comprovar capacidade técnica e operacional, além de disponibilizar uma matriz de oferta que atenda às necessidades do SUS. Para participar, os planos de saúde precisam realizar no mínimo 100 mil atendimentos mensais, com exceção das operadoras de menor porte, que podem aderir com um valor mínimo de 50 mil atendimentos por mês.

A presidente da ANS enfatizou que a inovação será acompanhada de rigorosos mecanismos de fiscalização e controle. “Todos os instrumentos da ANS permanecem ativos — com multas e penalidades, se necessário. Não há qualquer espaço para que operadoras deixem de atender sua carteira de clientes para priorizar o SUS”, esclareceu Carta de Figueiredo Soares. O programa funcionará através de Ofertas de Cuidados Integrados, que incluem pacotes completos de serviços desde consultas até tratamentos, com remuneração das operadoras apenas após a conclusão de todo o ciclo de cuidados.

Saúde

Ministério da Saúde abre seleção para mais de 1,7 mil médicos especialistas

Profissionais atuarão no programa Agora Tem Especialistas para reduzir escassez no SUS.

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O Ministério da Saúde publicou nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial da União edital para seleção de médicos especialistas destinados ao programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa busca enfrentar a carência de profissionais na Atenção Especializada do Sistema Único de Saúde, oferecendo mais de 1,7 mil vagas para aprimoramento de conhecimentos em áreas deficitárias.

Do total de vagas disponibilizadas, 635 terão início das atividades em setembro nos estados e municípios que aderiram ao programa. As demais oportunidades serão destinadas ao cadastro de reserva. As inscrições começam no dia 28 de julho pela plataforma da Universidade Aberta do SUS.

Os médicos selecionados receberão bolsa-formação no valor de aproximadamente R$ 10 mil. Para participar do processo seletivo, os profissionais devem possuir certificação da Comissão Nacional de Residência Médica ou titulação da Associação Médica Brasileira nas especialidades em que atuarão.

O programa estabelece carga horária de 16 horas semanais para prática assistencial e quatro horas para atividades educacionais. Os especialistas trabalharão em hospitais e policlínicas da rede pública e participarão de 16 cursos de aprimoramento ministrados em hospitais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS e da Rede Ebserh, com duração de 12 meses.

A estratégia também prevê expansão das residências em áreas profissionais da saúde, com oferta de mil novas bolsas para enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos. O foco está na redução do tempo de espera, ampliação do diagnóstico precoce e fortalecimento das redes de atenção especializada, especialmente em oncologia, ginecologia e atenção a pessoas com deficiência.

Saúde

O que é a doença que vitimou a cantora Preta Gil aos 50 anos

Cantora enfrentou dois anos de luta contra câncer colorretal, alertando para importância do diagnóstico precoce.

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A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, neste domingo (20), trouxe novamente à tona a discussão sobre o câncer colorretal, doença que a acometeu desde janeiro de 2023. A filha de Gilberto Gil enfrentou uma batalha de dois anos contra o adenocarcinoma intestinal, tipo de tumor maligno que representa o segundo câncer mais frequente no aparelho digestivo brasileiro, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O diagnóstico de Preta Gil veio após ela ser internada com desconfortos na região intestinal no início de 2023. O adenocarcinoma é um tipo de câncer que se desenvolve principalmente a partir de pólipos, lesões benignas que crescem na parede interna do intestino grosso e podem evoluir para tumores malignos. Este tipo de câncer é tratável e, na maioria dos casos, curável quando detectado precocemente, mas pode se tornar agressivo em estágios avançados.

Após o diagnóstico, a cantora passou por tratamentos convencionais que incluíram quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia complexa em agosto de 2023 no Hospital Sírio-Libanês. Durante o procedimento, além da remoção do tumor intestinal, também foi retirado o útero. A artista chegou a entrar em remissão, estado em que o corpo ficou livre de células cancerígenas, e precisou usar uma bolsa de ileostomia temporária por três meses.

No entanto, em agosto de 2024, exames de acompanhamento revelaram a recidiva da doença em quatro locais diferentes: dois tumores nos linfonodos, um nódulo no ureter e metástase no peritônio. Esta situação caracterizou um quadro de câncer refratário, que persiste mesmo após tratamentos convencionais. Uma nova cirurgia foi realizada em dezembro de 2024, durando 21 horas e incluindo amputação de reto e colostomia definitiva.

Diante da agressividade do quadro, Preta Gil buscou tratamento experimental nos Estados Unidos, alternativa reservada para pacientes que esgotaram as opções convencionais. A cantora residia em Nova York e viajava periodicamente a Washington para receber a terapia inovadora. Em junho de 2025, o tratamento foi prorrogado por mais 60 dias, mas a artista não resistiu às complicações da doença.

Saúde

Em testes, vacina universal contra o câncer mostra resultados promissores

Estudo americano com RNA mensageiro demonstra eficácia contra diferentes tipos de tumor, incluindo os resistentes a tratamentos convencionais.

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Cientistas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, desenvolveram uma vacina experimental que representa um avanço significativo na luta contra o câncer. O estudo, publicado na quinta-feira na revista Nature Biomedical Engineering, mostrou que a formulação baseada em RNA mensageiro conseguiu eliminar tumores em testes com camundongos, inclusive aqueles resistentes aos tratamentos tradicionais. A descoberta é considerada um passo importante rumo à criação de uma vacina universal contra diferentes tipos de câncer.

O diferencial desta pesquisa está na abordagem inovadora da vacina, que não foi desenvolvida para atingir um tumor específico. Ao contrário das terapias convencionais que miram células cancerígenas particulares, esta formulação atua de forma ampla, estimulando o sistema imunológico como se o organismo estivesse combatendo um vírus. Essa estratégia provocou uma resposta robusta das células de defesa, que passaram a reconhecer e atacar as células cancerígenas de maneira mais eficaz.

Os experimentos foram conduzidos em camundongos com melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. A vacina foi combinada com medicamentos já utilizados na imunoterapia, os chamados inibidores de checkpoint imunológico, como o anti-PD-1, que “liberam o freio” das células T para que possam atacar o tumor. Os resultados surpreenderam os pesquisadores: em alguns modelos, os tumores desapareceram completamente. A equipe também obteve efeitos positivos em casos de câncer ósseo e cerebral.

A chave do sucesso, segundo os cientistas, foi forçar os tumores a expressarem a proteína PD-L1, que torna as células cancerígenas mais visíveis para o sistema imunológico. Essa “isca” molecular aumentou significativamente a eficácia da imunoterapia. A tecnologia empregada segue o mesmo princípio das vacinas contra a covid-19, utilizando RNA mensageiro envolvido em nanopartículas lipídicas para instruir as células a gerar uma resposta imunológica específica.

O oncologista pediátrico Elias Sayour, líder do estudo, destacou que a grande surpresa foi conseguir uma resposta anticâncer significativa mesmo sem ter como alvo um câncer específico. “A grande surpresa é que uma vacina de mRNA, mesmo sem ter como alvo um câncer específico, conseguiu gerar uma resposta imune com efeitos anticâncer bastante significativos”, explicou o pesquisador da UF Health.

Saúde

SUS vai ofertar novos tratamentos para endometriose

Condição afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo

Imagem: Tomaz Silva/agência Brasil

Mulheres com endometriose terão duas novas opções de tratamento de base hormonal para a doença via Sistema Único de Saúde (SUS): o dispositivo intrauterino liberador de levonogestrel (DIU-LNG) e o desogestrel. Ambos foram recentemente incorporados à rede pública depois de receberem recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Em nota, o Ministério da Saúde detalhou que o DIU-LNG suprime o crescimento do tecido endometrial fora do útero e figura como uma opção para mulheres com contraindicação ao uso de contraceptivos orais combinados. “A nova tecnologia pode melhorar a qualidade de vida das pacientes, uma vez que sua troca só é requerida a cada cinco anos, o que contribui para aumentar a adesão ao tratamento.”

Já o desogestrel, segundo a pasta, pode reduzir a dor e dificulta a progressão da doença. Trata-se de um anticoncepcional hormonal que age bloqueando a atividade hormonal, impedindo o crescimento do endométrio fora do útero, e que poderá ser usado como primeira linha de tratamento, ou seja, prescrito já na avaliação clínica até que o diagnóstico se confirme por meio de exames.

“Vale destacar que, para estarem disponíveis na rede pública de saúde, é necessário o cumprimento de etapas necessárias, como a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose”, informou o ministério no comunicado.

Entenda

A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória crônica que ocasiona o crescimento do tecido que reveste o útero fora da cavidade uterina. Nas mulheres com a doença, o tecido semelhante ao endométrio (que reveste o útero) cresce fora do útero em órgãos como ovários, intestino e bexiga, o que causa reações inflamatórias.

Saúde

Mutirão do SUS supera expectativas com mais de 12 mil atendimentos em um dia

Ministros da Saúde e Educação destacam caráter histórico da ação coordenada em 45 hospitais universitários federais.

Imagem: Grax Medina/MS

O programa “Agora Tem Especialistas” registrou um marco histórico no último sábado (5 de julho), quando 45 hospitais universitários federais realizaram simultaneamente 12,4 mil atendimentos para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado superou em 20% a meta inicial de 10,3 mil procedimentos, demonstrando a capacidade de mobilização da rede pública de saúde quando recursos e esforços são concentrados de forma estratégica.

A iniciativa, batizada de “Dia E – Ebserh em Ação”, envolveu mais de dois mil profissionais da saúde, incluindo médicos, professores universitários, residentes e estudantes de graduação. Em 36 municípios distribuídos por todas as regiões do país, foram realizados 10.160 exames, 1.244 consultas especializadas e 1.060 cirurgias eletivas, priorizando áreas críticas como oncologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e saúde da mulher.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou o caráter inédito da mobilização. “Já tivemos mutirão de um procedimento específico ou de um tipo de exame. Este foi o mais diversificado já realizado nacionalmente na história do SUS”, afirmou. Para Padilha, o envolvimento dos hospitais universitários federais é decisivo para garantir a formação de novos especialistas e ampliar a capacidade de atendimento à população.

O ministro da Educação, Camilo Santana, enfatizou a integração estratégica entre as pastas. “Essa ação no programa Agora Tem Especialistas representa uma integração estratégica entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde. Estamos mobilizando toda a rede federal”, declarou. Santana reforçou que o objetivo é garantir atendimentos mais rápidos, reduzindo filas e o tempo de espera em todo o país.

O mutirão ofereceu procedimentos de média e alta complexidade que tradicionalmente enfrentam longas filas de espera no SUS. Entre os atendimentos estavam exames de imagem como ressonância magnética, tomografia e mamografia, além de procedimentos invasivos como endoscopia, colonoscopia e biópsias. O presidente da Ebserh, Arthur Chioro, classificou a iniciativa como “o maior mutirão do SUS já feito no Brasil inteiro e o mais diverso”, destacando que desde março a rede já havia realizado 166 mutirões pelo país, com um novo esforço concentrado nacional previsto para setembro.

Saúde

SUS: o gigante da saúde pública que inspira o mundo

Sistema brasileiro atende 215 milhões de pessoas e serve de modelo para outros países, apesar dos desafios que ainda enfrenta.

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Em um mundo onde o acesso à saúde ainda é privilégio de poucos, o Brasil construiu algo único: o maior sistema público de saúde do planeta. O Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma conquista democrática que poucos países conseguiram alcançar, garantindo atendimento gratuito e universal a todos os brasileiros, independentemente de sua condição social ou econômica.

Criado em 1988 com a promulgação da Constituição Federal, o SUS revolucionou o conceito de saúde no país. Antes de sua implementação, apenas cerca de 30 milhões de trabalhadores vinculados à Previdência Social tinham acesso aos serviços de saúde, enquanto o restante da população dependia da caridade de entidades filantrópicas. A nova Constituição estabeleceu que “saúde é direito de todos e dever do Estado”, transformando radicalmente essa realidade.

A universalidade do SUS impressiona por sua amplitude. O sistema atende atualmente 215 milhões de brasileiros, realizando impressionantes 2,8 bilhões de atendimentos por ano. Cerca de 70% da população brasileira depende exclusivamente dos serviços públicos de saúde, e pesquisas mostram que 82,6% dos usuários avaliam o atendimento recebido como bom ou muito bom. Nenhum outro país no mundo possui um sistema público de saúde com essa dimensão e alcance.

Os números revelam a magnitude do SUS: desde procedimentos ambulatoriais simples, como verificação de pressão arterial, até cirurgias de alta complexidade e transplantes de órgãos. O sistema também promove campanhas de vacinação em massa e desenvolve ações de vigilância sanitária, fiscalizando alimentos e registrando medicamentos. Essa amplitude de serviços demonstra como o SUS vai muito além do simples tratamento de doenças.

A capilaridade do sistema é uma de suas características mais notáveis. O SUS consegue chegar aos lugares mais remotos do território nacional, levando saúde a comunidades que antes permaneciam desassistidas. Essa rede se estende por todos os quadrantes do país, organizando-se em níveis crescentes de complexidade e garantindo que cada brasileiro tenha acesso aos cuidados de que necessita, onde quer que esteja.

Saúde

Cirurgia que altera cor do olho tem uso restrito para pessoas cegas

Pigmentação da córnea é um procedimento de alto risco, alerta CBO

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A cirurgia que permite a mudança da cor dos olhos por meio da pigmentação da córnea é um procedimento de alto risco, com resultados irreversíveis e estritamente indicada para pacientes com cegueira permanente ou com baixa visão extrema, com o objetivo de melhorar a aparência dos olhos.

O alerta foi feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) depois que a influenciadora digital Andressa Urach e a apresentadora Maya Massafera se submeteram à chamada ceratopigmentação e postaram fotos nas redes sociais mostrando a mudança na cor dos olhos.

“A população brasileira tem sido impactada nas redes sociais por pessoas que relatam ter se submetido a esse procedimento, também conhecido como ‘tatuagem da córnea’, com finalidade meramente estética”, informou a entidade em nota.

“No entanto, essa ceratopigmentação não é reconhecida como uma prática segura em olhos saudáveis, podendo causar complicações e até perda visual severa”, completou o comunicado.

No documento, o CBO alerta que a técnica só deve ser empregada dentro de protocolos clínicos bem definidos, para fins reconstrutivos com foco no bem-estar psicossocial de pessoas com deficiência visual permanente.

Economia, Saúde

Hospitais privados poderão abater dívidas por atendimento ao SUS

Programa concede crédito tributário para reduzir filas na saúde

Imagem: Antonio Cruz/agência Brasil

O governo federal anunciou nesta terça-feira (24) mecanismo para que hospitais privados e filantrópicos possam abater dívidas tributárias com a União em troca de atendimento especializado para o Sistema Único de Saúde (SUS). Unidades de saúde privadas que não possuírem débitos também poderão participar, obtendo créditos tributários que poderão descontar em impostos.

A iniciativa foi anunciada pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda) e tem o objetivo de reduzir a fila de espera para consultas, exames e cirurgias. Ela faz parte do programa Agora Tem Especialistas, relançado pelo governo no mês passado.

Os primeiros atendimentos nesse formato devem ocorrer a partir de agosto. As áreas prioritárias definidas pelo governo são: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, abarcando cerca de 1,3 mil tipos diferentes de cirurgias.

As instituições interessadas deverão fazer a adesão no Ministério da Fazenda, para o programa de transação tributária. Caberá ao Ministério da Saúde aprovar a oferta, demanda e distribuição apresentada. A pasta também vai controlar e avaliar a execução dos atendimentos e conceder um certificado para obtenção do crédito tributário. O teto para abatimento de dívidas foi estimado em até R$ 2 bilhões por ano. Já o crédito tributário para obter descontos em impostos ficará limitado a R$ 750 milhões. A nova estratégia será formalizada por meio de uma portaria conjunta entre os ministérios da Fazenda e da Saúde, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU).

“Quando a gente pensou esse mecanismo, que começou hoje, muita gente lembra do Prouni [bolsas em faculdades privadas], por ser um mecanismo de aproveitar a estrutura privada, dívidas que não são pagas, dívidas que a União não consegue recuperar e, nesse caso, transformar em consultas, exames, cirurgias, cuidados da saúde da nossa população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Saúde

Anvisa aprova uso do medicamento Mounjaro para perda de peso

Fármaco já estava autorizado no Brasil, mas apenas para diabetes

Imagem: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a utilização do medicamento Mounjaro para auxiliar na perda de peso. Fabricado pela farmacêutica americana Lilly, o remédio injetável tem como princípio ativo a tirzepatida e é mais uma das chamadas canetas emagrecedoras, assim como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida) e o Saxenda (liraglutida).

O fármaco já estava autorizado para uso no Brasil desde 2023, mas era indicado em bula apenas para o tratamento do diabetes tipo 2.

Agora, também poderá ser prescrito para o emagrecimento de pessoas sem a doença, desde que elas tenham índice de massa corpórea acima de 30 kg/m², o que caracteriza obesidade, ou acima de 27 kg/m², na faixa de sobrepeso, em conjunto com alguma comorbidade.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Alexandre Hohl, a inclusão da nova indicação terapêutica para tirzeptatida “consolida a geração de medicamentos que podem modificar totalmente a vida das pessoas que vivem com excesso de adiposidade”.

“A tirzepatida é inovadora, pois utiliza um duplo mecanismo hormonal (GLP-1 e GIP), enquanto as moléculas anteriores utilizam apenas o GLP-1. Todas são moléculas eficazes e seguras, sendo que agora temos um arsenal terapêutico mais amplo e com isso mais pessoas podem ser beneficiadas”, complementa.

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