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Eleições // Fator Marina muda rumos da campanha

A movimentação da ex-ministra de Meio Ambiente, senadora Marina Silva (PV-AC) para consolidar sua candidatura à Presidência da República força o governador de São Paulo José Serra (PSDB) e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) a priorizar o desenvolvimento sustentável. Ontem, o ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc disse que Dilma chefiará a delegação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro na capital da Dinamarca, Copenhague. Anteontem, Serra deu um passo à frente ao sancionar a lei que trata da “Política Estadual de Mudanças Climáticas”. A lei – que fixa a redução de 20% de gases-estufas até 2020, baseada no nível de 2005 – torna São Paulo o primeiro estado a ter meta ambiental.

Serra aproveitou a solenidade para criticar Dilma, sem citá-la nominalmente. “Tenho visto autoridades dizendo que não dá para conciliar desenvolvimento com proteção ao meio ambiente. Mas o que atrapalha o crescimento são os juros do Banco Central”. A sanção da lei paulista ocorreu no mesmo dia em que Lula esteve na capital paulista para discutir a proposta que o Brasil levará para a cúpula ambiental na Dinamarca.

Ontem, no Rio, Dilma rebateu Serra, afirmando que a redução de CO2 “é meta para países desenvolvidos”. Enfática, disse que “países em desenvolvimento não têm metas. O que nós temos é compromisso voluntário de redução, porque nós não somos iguais aos países desenvolvidos”.

Em outra ação para vincular Dilma à defesa do meio ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu transformar o anúncio do menor índice de desmatamento da Amazônia nos últimos 21 anos, na quinta-feira, num grande acontecimento político. Dilma será a mestre de cerimônias do anúncio da boa notícia, marcado para as 15 horas, no Centro Cultural Banco do Brasil, onde funciona a Presidência da República enquanto o Palácio do Planalto passa por reformas. Historicamente, anúncios sobre desmatamento seguiam um script rotineiro, com os dados divulgados pelo ministro do Meio Ambiente de plantão.

Para a festa ambiental foram convidados governadores e entidades ligadas ao meio ambiente. A senadora Marina Silva (AC), provável candidata a presidente pelo PV, não foi convidada. Ela estará na quinta-feira em São José dos Campos, São Paulo.

Politicamente correto – Sobre a ida de Dilma a Copenhague, Carlos Minc garantiu está “confortável” diante da situação e elogiou o interesse do presidente Lula nas discussões sobre mudanças climática. ” A ministra Dilma, é sem nenhuma dúvida, a ministra mais importante do governo. O fato de ela chefiar a delegação tem várias leituras, cada um fará a sua. Eu faço a de que o meio ambiente e o clima não são uma coisa exclusiva dos ambientalistas e que todo o governo está vestindo a camisa”.

Concluindo, Minc afirmou: “Vamos imaginar que ela (Dilma) não fosse a Copenhague. Alguém crítico poderia dizer que ela só pensa em desenvolvimento e crescimento. Todas as insinuações, nesse período, podem ser especuladas”.

Machado Freire
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