Braga Netto apresenta novos comandantes das Forças Armadas; Paulo Sérgio Nogueira assume o Exército

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, anunciou nesta quarta-feira os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica: general Paulo Sérgio Nogueira; almirante de esquadra Almir Garnier Santos; e tenente-brigadeiro Baptista Júnior. Após uma troca sem precedentes nas Forças Armadas por pressão do presidente Jair Bolsonaro, o governo atuou para diminuir a crise e escolher nomes de agrado dos militares.

Após Braga Netto conversar com os cotados ao comando das Forças Armadas ao longo do dia, ele os levou para uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto em busca do aval do mandatário do país. Logo depois, o ministro convocou a imprensa para apresentar os nomes publicamente e fez um breve pronunciamento. Todos os escolhidos respeitam o critério de antiguidade, em sinal de respeito à hierarquia das instituições.

A troca no comando do Exército, da Marinha e da Aeronáutica vem após uma crise que levou os três comandantes anteriores a deixarem os cargos. De acordo com relatos, eles foram pressionados por Bolsonaro a demonstrarem maior apoio ao governo federal, o que gerou reação negativa.

No anúncio, Braga Netto disse que os militares estão comprometidos com os poderes constitucionais e as liberdades democráticas e afirmou que “os militares não faltaram no passado e não faltarão sempre que o país precisar”.

– A Marinha do Brasil, o Exército brasileiro e a Força Aérea brasileira se mantém fiéis às suas missões constituicionais de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e as liberdades democráticas. Neste dia histórico, reforço que o maior patrimônio de uma nação é a garantia da democracia e a liberdade do seu povo – declarou o ministro, enaltecendo a data que marca o aniversário do golpe militar.

Ele disse, ainda, que o país tem como desafio o combate à Covid-19 e que “todo o governo federal e os poderes da República têm mobilizado os seus esforços e energias para o enfrentamento dos impactos da epidemia”. Segundo ele, as Forças Armadas são “fatores de integração nacional” que contribuem para esta missão.

Chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército, o general Paulo Sérgio disse no último final de semana, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, que o Brasil deve se preparar para uma possível terceira onda da pandemia da Covid-19, considerando a situação da Europa. Ele também defendeu a adoção de medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que já foi criticada diversas vezes por Bolsonaro no passado. As falas desagradaram o Planalto.

Segundo um ministro ouvido pelo GLOBO, a escolha de Paulo Sérgio serve para distensionar e diminuir a temperatura da crise com as Forças Armadas. Fontes que acompanharam as negociações disseram que a ameaça de renúncia coletiva dos comandantes foi interpretada como um gesto extremo, ao qual Bolsonaro tentou reagir com cautela, tanto na saída negociada das autoridades, quanto na escolha de substitutos militares que seriam bem recebidos na Marinha, na Aeronáutica e no Exército.

Fonte: O Globo