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A história de Seu Geraldo

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Conversando com seu Geraldo Valero da Silva (85 anos de idade, natural de Redenção-CE), ouvi de logo a seguinte frase: “nunca mais boto na boca o tal de munguzá”. Conta que quando tinha 11 anos de idade, comeu um munguzá que lhe provocou um “passamento” (expressão usual aqui no nordeste, alusiva a desmaio) só vindo a retomar os sentidos no dia seguinte quando já se encontrava sendo velado no cai

xão. Ao abrir os olhos, disse seu Geraldo, causou grande susto nas pessoas que ali se encontravam.

Os “passamentos” se sucederam até que a família conseguiu um médico vindo de longe, 5 léguas (30 Km) em lombo de animal, que lhe prescreveu um purgante conhecido à época como “jalapa pinhão”, determinando que o paciente ficasse por 30 dias trancado em um quarto, sem qualquer comunicação com pessoas, salvo quem fosse dele tratar, somente se alimentando de um pouco de caldo de arroz sem sal, abstinência total, bem como de uso de perfume, sem banho, fazendo as necessidades fisiológicas em vaso. Conta seu Geraldo que de fato cumpriu fielmente a dieta, sendo acompanhado todo tempo por sua mãe e ao cabo dos 28 dias, quando se encontrava “só o couro e o osso”, voltou a receber outras alimentações aos poucos e até hoje nunca mais sentiu aqueles sintomas.

Mostra seu Geraldo uma cicatriz na cabeça e um pequeno defeito no braço direito, como decorrência do suposto AVC (Acidente Vascular Cerebral), “passamento” na sua concepção, ao que disse sua mulher, Dona Maria Paulina, de 89 anos que “Geraldo só escapou porque foi do lado direito”, acreditando que se fosse do lado esquerdo tinha atingido o coração, o que seria fatal.

Seu Geraldo disse-me que trabalhou 13 anos na Escola Monteiro Lobato, o melhor momento de sua vida. De fato, meus filhos ali estudaram e levaram muitas broncas dele no portão, especialmente o Sérgio Ricardo, quando pretendia sair do recinto e era “barrado” pelo baixinho.

Casados há 59 anos, Seu Geraldo e Dona Paulina tiveram 09 filhos, um número de netos e bisnetos que perdeu a conta e uma tataraneta, Antônia Bárbara com menos de um mês.

Fiquei bastante emocionado com a conversa com os dois “jovens”, completamente lúcidos, quando, ao fim da conversa convidei Seu Geraldo para um almoço cujo prato principal seria munguzá, pelo que quase seria expulso de sua casa… (risos).