Aliados começam a duvidar se Dilma terá força política para disputar 2º mandato
A intensa e inusitada movimentação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aportou em Brasília no auge de uma crise provocada pela completa desarticulação política e pelo agravamento da situação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, deixou aliados que têm projetos próprios para 2014 preocupados. Parlamentares e cientistas políticos avaliam que a presidente Dilma Rousseff deu os primeiros sinais de que não tem apetite ou fôlego para disputar um segundo mandato. A constatação geral é que, ao pedir socorro ao seu antecessor e criador na primeira crise, Dilma encerrou a semana muito fragilizada.
– Independentemente das motivações de Lula, o fato é que, na primeira crise, Dilma precisou de apoio externo. O presidencialismo tem um aspecto decisório muito forte. O sinal que se tem é que o projeto dela não é de longo fôlego, e 2014 não está em seu horizonte. Esta não era uma crise tão forte e nem motivo para pedir ajuda externa. O recado que ela deu foi: “Olha, bola dividida para mim é complicado, e Lula é craque nisso” – avalia o cientista político Luiz Werneck Viana, da PUC-Rio.
Na oposição, a leitura é que essa fragilidade política revelada pela presidente Dilma em nada ajuda uma volta de Lula em 2014, justamente porque ele é seu avalista, foi para a TV e para as ruas propagandear suas qualidades. A comparação concreta é com o caso do ex-prefeito Celso Pitta, cria do ex-prefeito Paulo Maluf, que fracassou na gestão e levou junto seu criador.
Para ACM Neto, sinais ruins
O líder do DEM na Cãmara, deputado ACM Neto (BA), diz que Dilma demonstrou não ter capacidade para conduzir politicamente o governo e precisou de uma bengala.
– Isso a longo prazo para a oposição é ótimo. Quando Lula volta dando ordens e querendo ocupar espaço, mostra que ele ainda é o cara que manda. Isso esbarra no questionamento da autoridade de Dilma. Não vejo como isso pode dar em coisa boa – diz ACM Neto.
O lider do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), exalta a grande experiência de Lula, adquirida com três derrotas e o enfrentamento de graves problemas em seu governo, em contraponto com a presidente Dilma, que está começando agora seu governo. E minimiza:
– Não se pode cobrar dela a experiência que Lula tem. Dilma ainda não adquiriu em tão pouco tempo a perfeição dessa conduta política. Temos que ter paciência e tolerância – diz Henrique Alves, explicando que não enxerga nessa movimentação de Lula uma tentativa de ocupar espaço para ser opção em 2014. – Lula faz isso para ajudar Dilma, não para diminuí-la. E nosso projeto, do PMDB, daqui a quatro anos, é Dilma e Michel de novo na reeleição. Estamos nesse projeto para valer e vamos torcer para dar certo a longo prazo.
Fonte: O Globo

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que vai vetar questões polêmicas que constam no texto do Código Florestal. Aprovado em sessão na Câmara dos Deputados na madrugada de ontem (25), o projeto de lei seguirá para votação no Senado.
A revelação do crescimento vertiginoso do patrimônio do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) pela Folha, há uma semana, encerrou abruptamente a lua de mel do governo Dilma Rousseff com uma opinião pública condescendente e favorável.
A presidente Dilma Rousseff disse hoje que é preciso que o País continue crescendo e mantenha a inflação sob controle. “É preciso que o País faça a consolidação fiscal e controle a inflação. A inflação controlada, no médio e longo prazo permitirá que o País cresça. Mas nós temos de garantir que, para que essa inflação seja efetivamente controlada, no médio e no longo prazo nosso País cresça”, destacou, durante o discurso de instalação da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, no Palácio do Planalto. Segundo ela, os aspectos macroeconômicos precisam privilegiar o crescimento e a expansão da taxa de investimento.
A presidente Dilma Rousseff vai se reunir com governadores e prefeitos das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 para cobrar agilidade nas obras de infraestrutura para o Mundial, especialmente às relacionadas ao transporte urbano, informou hoje o ministro do Esporte, Orlando Silva. A reunião está marcada para o dia 30 de maio.
Na abertura do 8º Congresso da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), nesta quarta-feira (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o primeiro reencontro com o movimento sindical desde que deixou o cargo. Em seu discurso, ele disse que setores da imprensa estão de “namorico” com o governo da presidenta Dilma Rousseff para tentar criar divergências entre ele e sua sucessora.
A presidente Dilma Rousseff foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do ano pela revista americana Time ao lado de outras personalidades como artistas, políticos, pesquisadores e ativistas. O texto de apresentação sobre Dilma foi escrito pela ex-presidente do Chile e diretora-executiva das Nações Unidas da Mulher, Michele Bachelet “Não é fácil ser a primeira mulher a governar o seu país. Além da honra que ela significa, ainda existem preconceitos e estereótipos de enfrentar”, afirma Bachelet.
Após colher apoios explícitos de Estados Unidos e China por um assento no Conselho de Segurança das ONU (Organização das Nações Unidas), a presidente Dilma Rousseff reforçou diante de novos diplomatas brasileiros, a intenção do país em fazer parte do seleto grupo, que decide questões de paz e guerra no mundo.
A presidente Dilma Rousseff disse hoje, em Pequim, que pretende “derrubar” o juro ao longo de seu governo, para torná-lo compatível com a taxa internacional. “Não vou derrubar depois de amanhã. Estou dizendo que é num horizonte de quatro anos. É possível, sim, perfeitamente. Esse é o desafio que o Brasil vai ter de enfrentar, pelo menos desta vez”, afirmou.
O Brasil quer fábricas chinesas, quer investimentos chineses em infraestrutura, quer que a China seja mais do que uma compradora de terras, soja e minérios. Essa é a ambição da “diplomacia de resultados” que vai acompanhar a visita da presidente Dilma Rousseff à China a partir de amanhã.
Em cem dias de governo, a presidente Dilma Rousseff fez 31 discursos. Ao todo, mais de 51 mil palavras foram ditas, em pronunciamentos realizados em Brasília, em vários Estados do país e no exterior.