Declarações de hoje validam críticas anteriores de autoridades brasileiras sobre presidente americano agir como se fosse “imperador do mundo”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tentar interferir indevidamente em processos judiciais de países aliados ao publicar uma defesa pública do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (7). Em post na Truth Social, Trump classificou as ações contra Bolsonaro como “caça às bruxas” e prometeu acompanhar “muito de perto” a situação do Brasil, confirmando um padrão de comportamento que já havia sido duramente criticado por autoridades brasileiras.
A declaração de Trump ocorre em momento delicado para Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente brasileiro está inelegível por oito anos e enfrenta múltiplas investigações, enquanto seu filho Eduardo Bolsonaro articula nos Estados Unidos possíveis sanções contra ministros do STF.
O episódio atual ecoa a interferência de Trump no sistema de justiça israelense, quando defendeu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de acusações de corrupção. Em junho, Trump pediu o cancelamento do julgamento de Netanyahu, chamando-o de “caça às bruxas ridícula”, o que provocou um “terremoto político” em Israel e levou ao adiamento das audiências do premiê por questões diplomáticas.
As declarações de hoje validam críticas anteriores feitas por autoridades brasileiras sobre o comportamento imperial de Trump. Em fevereiro, o presidente Lula já havia afirmado que Trump “está tentando virar um imperador do mundo” e que “foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e não presidente do mundo”. Anteriormente, o ex-presidente do STF Celso de Mello havia classificado Trump como “pretenso imperador do mundo”, criticando sua “arrogância desmedida” e sua “inaceitável pretensão de agir como verdadeiro monarca presidencial”.
A escalada de tensões entre Washington e Brasília se intensificou ao longo dos meses com ameaças de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e cartas do governo americano questionando decisões do STF. As declarações de hoje sobre Bolsonaro reforçam o padrão de tentativa de interferência que autoridades brasileiras consideram desrespeitoso à soberania nacional e confirmam as críticas anteriormente expressas sobre a postura no mínimo inapropriada de Trump.
