Trump envia três embarcações militares para águas próximas ao país sul-americano enquanto Maduro anuncia ativação de 4,5 milhões de milicianos armados.

A escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela ganhou novos contornos nesta semana com o envio de três navios militares americanos para a costa venezuelana e o anúncio de Nicolás Maduro sobre a mobilização de milhões de milicianos. Os navios USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson devem chegar à região até a noite desta quarta-feira, segundo fontes diplomáticas em Washington.
O governo de Donald Trump justifica a operação naval como parte do combate ao tráfico de drogas em águas internacionais. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou a droga como “ameaça à segurança nacional dos EUA” e afirmou que não se pode permitir que grupos criminosos “operem com impunidade em águas internacionais”. A administração Trump tem insistido em classificar organizações do narcotráfico como entidades terroristas, permitindo o uso de militares em operações de “segurança nacional”.
Em resposta às ameaças americanas, Maduro anunciou na segunda-feira a ativação de um “plano especial” envolvendo 4,5 milhões de milicianos para garantir a cobertura de todo o território venezuelano. Durante ato transmitido pela televisão, o líder chavista disse que as milícias estão “preparadas, ativadas e armadas”, embora não tenha fornecido detalhes sobre como será executada essa mobilização.
A tensão se intensificou após o governo Trump dobrar a recompensa pela captura de Maduro, elevando o valor de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões. A secretária de Justiça americana, Pam Bondi, reiterou as acusações de que o presidente venezuelano utiliza organizações criminosas internacionais, incluindo a facção Tren de Aragua e o cartel mexicano de Sinaloa, para introduzir drogas e fomentar violência nos Estados Unidos.
Segundo autoridades americanas, a agência antidrogas DEA já confiscou 30 toneladas de cocaína supostamente relacionadas a Maduro e seus aliados. O Departamento de Justiça também teria apreendido mais de US$ 700 milhões em ativos vinculados ao líder venezuelano, incluindo dois jatos privados, nove veículos e outros bens.
A operação militar americana não se limita aos navios, podendo incluir também o envio de aviões e até mesmo um submarino para o mar do Caribe. Rubio chegou a caracterizar o “Cartel de Soles” como uma organização criminosa que se faz passar por governo, negando legitimidade ao regime de Maduro e classificando-o como ameaça às empresas petrolíferas americanas que operam na Guiana.
O envio dos navios militares gerou alerta entre as diplomacias do Brasil e de diversos países latino-americanos, preocupados com a possibilidade de escalada do conflito na região. A relação entre Washington e Caracas permanece rompida desde o primeiro mandato de Trump, quando o republicano reconheceu Juan Guaidó como presidente interino e impôs severas sanções econômicas, incluindo embargo ao petróleo venezuelano.
