Procedimento visa esclarecer contradições nos depoimentos sobre tentativa de golpe de 2022.

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará nesta terça-feira (24) dois procedimentos de acareação envolvendo réus e testemunha do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. O primeiro confronto, marcado para as 10h, colocará frente a frente o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Souza Braga Netto, ambos réus na ação penal que apura a atuação do chamado “núcleo crucial” da organização criminosa voltada para a ruptura democrática.
Uma hora depois, às 11h, será a vez do ex-ministro Anderson Torres e do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, se confrontarem em nova acareação. Torres integra o grupo de réus do “núcleo crucial” apontado pela Procuradoria-Geral da República, enquanto Freire Gomes atua como testemunha no processo. Ambos os procedimentos ocorrerão na sede do STF, em Brasília, e não serão transmitidos ao público.
As acareações foram solicitadas pelas defesas de Anderson Torres e Braga Netto durante a fase de diligências adicionais, logo após o interrogatório dos réus realizado entre os dias 9 e 10 de junho. Os advogados de Torres alegaram a necessidade de esclarecer contradições nas declarações apresentadas por Freire Gomes, afirmando que os pontos divergem frontalmente em aspectos centrais da ação.
Já a defesa de Braga Netto busca tratar das divergências entre as declarações do general e de Mauro Cid durante o interrogatório. O ministro Alexandre de Moraes autorizou ambos os procedimentos na terça-feira passada (17). Vale destacar que Cid possui um acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal, o que pode influenciar o confronto de versões.
O processo encontra-se atualmente na fase de diligências adicionais e, após sua conclusão, seguirá para as alegações finais, quando acusação e defesas apresentarão seus memoriais. Posteriormente, será marcada a data do julgamento, momento em que os ministros decidirão sobre a condenação ou absolvição dos oito réus acusados de liderar a organização criminosa que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, apesar da derrota nas urnas de 2022.
