Poemas e Poesias: A Crise é Nossa Também
Poetisa: Mariana Teles
Vila Alagoa de Baixo ,
uma aldeia de saudades
Onde eu me encaixo
No Arraial felicidade
Um baú de memórias
Bons tempos que são um hino
Perfumado por histórias
Da minha época de menino
Lenda cão do piutá
A Velha Chica da Loka
Na Mata do Juá
Cigana que se entoca
Banhos nos poços de Seba
Cachoeira do Cerece
Nostalgia que se amanceba
na Praça do jacaré
Bate o retrato, Gamucho!
Tu Qués o óleo, Cadete?
Vai ,Acelera , Dema
Segura o tirinete!
Vila Alagoa de Baixo ,
uma aldeia de saudades
Onde eu me encaixo
No Arraial felicidade
O Beco de Zé Inaldo
O Bar de Pedro na Praça
A Cabana e Mizael
Era um tempo de graça
Armarinho de Zé Lopes
Livraria de Seu Normando
Memórias do cine emoir
King som discos tocando
Orquestra Marajoara
De Demetrio e Francisquinho
Frevos de Jairo e Anacleto
Num carnaval de carinho
Bexigolixo encenando
Sua folia de rei
E Waldemar recitando
Poema prá Siboney
Eu fico aqui recordando
Da voz e do Violão
de Chico Arruda cantando
Na Festa da Exposição
Vila Alagoa de Baixo,
Museu destas emoções
Hoje és só um grande cacho
Das Minhas recordações
Por Josessandro Andrade
Que a cada por do sol
Haja esperança e paz
Saúde, prosperidade
E bastante sorte a mais
Para todos os carentes
E para quem é capaz.
Por Anibal Alves Nunes
Não me canso de olhar pra natureza
Vejo Deus na cena, que beleza!
Me renovam as forças e vontade de viver
Que seja à tarde ou ao amanhecer
Essa imagem dedico com carinho a você.
Por Alvinho Patriota
Hoje amanheci triste
Sem saber o que fazer
Muito serviço à minha frente
Sem ter tempo de lazer
Eu queria ser pequeno
Mesmo com pouco e sereno
Do que “trabalhar pra morrer”!
Por Alvinho Patriota
Começar falando do M
De maio, mãe e mulher
Mês que o ser humano
Rega as flores pra colher
Por ser dedicado a elas
Que fazem por merecer.
A mãe não escolhe a semente
Dos frutos que devem nascer
São carne da mesma carne
E ela não acha justo escolher
A natureza separa a semente
E só a mãe o espera florescer.
Por Deus ela foi escolhida
Pra vida proteger e gerar
Aconchegar bem no ventre
E em nove meses mostrar
A criação que a natureza
Com perfeição desabrochar
Mulheres que acariciam
Às vezes ficam perdidas
Ficam até desorientadas
Logo depois de paridas
Mas amor de mãe é forte
E voltam a proteger a vida.
E o orgulho que sentem
Tirando do peito o leite
E uma vida que alimenta
Só ela que sabe o deleite
Do ser que ela amamenta
E exigir que se respeite.
Mãe não é só aquela
Que põe filho no mundo
Mãe é aquela que cria
Que adota e vai fundo
E fica a noite acordada
Sem cochilar um segundo.
Mulheres maravilhosas
Um dia já foram filhas
E um dia serão as avós
Das filhas de suas filhas
E uma mulher não pode
Viver igual a uma ilha.
A mulher tem a beleza
Que foi dada por Deus
Vive a proteger suas crias
E defendendo os seus
Pior é a tristeza do pranto
Na perda de um filho seu.
Poeta Chico Rubião – Salgueiro, 12/05/2024
* Por Zélio Sobrinho
Quero homenagear
aquela que cumpre a sua sina
Mãe, guerreira, mulher
trabalha, educa e ensina
Mãe leoa, protetora
não se acha em toda esquina
Se o filho adoece
ela reza e logo abraça
Já vem logo dando um chá
quente, saindo fumaça
Na agonia de mãe
pra ver se a febre passa
Eu duvido de uma mãe
ir dormir sem dar um cheiro.
Ver se sua cria está bem,
seu primogênito, herdeiro
Mãe só se alimenta
quando o filho come primeiro
A vida passa ligeira
toda mãe quer preparar
Colocar numa boa escola,
nada pode faltar
Ela sabe que a educação
prepara o filho pra voar
Quando a mulher está grávida
já quer contar para os seus
O barrigão aparecendo
ela diz: “è todo meu!”
Uma mãe realizada
agradece e diz: “É presente de Deus!”
O valor de uma mãe
é um incalculável tesouro
Força que não se mede
maior que a de um touro
Se mexer com suas crias
vai ouvir um desaforo
À todas mamães desse mundo
Deixo aqui minha mensagem
200 anos de vida!
Tamo aqui só de passagem
Nos versos que recitei,
recebam minha homenagem!
* Zélio Sobrinho, 40 anos, é filho de agricultura e natural de Grossos, povoado de Verdejante, no Sertão pernambucano, onde passou sua infância. De tanto observar a natureza, começou a escrever os seus primeiros versos, a partir dos 12 anos. Tem sua formação em técnico em Zootecnia pelo IFSertãoPE, é cozinheiro de comida nordestina raiz e somente aos 40 anos de idade resolveu publicar o seu primeiro poema e os demais que virão no decorrer de sua história poética.
A Sexta Santa chegou
E a igreja nos conduz
A lembrar o sofrimento
Sentir o peso da Cruz
E nós cristãos relembrar
O quanto sofreu Jesus.
O Filho do Carpinteiro
E de sua mãe Maria
Veio pagar os pecados
Dessa gente que sofria
E pra salvar esse mundo
Não demonstrou covardia.
Quando Caifaz acusou
O Filho do Deus da Luz
Pilatos lavou as mãos
O julgamento não fez jus
Ao libertar Barrabás
Pra crucificar Jesus.
Salgueiro, 29/03/2024
Poeta Chico Rubião
No reino da poesia
Me sinto “bem obrigado”
Não sou poeta famoso
E também não sou letrado
Os meus versos são pequenos
E às vezes até “pé quebrado”
Por Poeta Nascimento
Quem tem grana a todo instante
Só tem olhos para o luxo
Esquece de olhar o bucho
Vazio do semelhante
Tem ouro, prata e brilhante
Pra bancar a mordomia
É essa a filosofia
De quem vive na nobreza
“Quem tem fartura na mesa
Não lembra a que está vazia.”
Essa fartura sobrando
Falta na mesa de alguém
Aquele que muito tem
Passou a vida negando
Quem tem não está lembrando
De ajudar ao boia-fria
Sua mesa é de alegria
E a do pobre é de tristeza
“Quem tem fartura na mesa
Não lembra a que está vazia.”
Tem tanta mão estirada
Solicitando um pouquinho
Porém o rico é mesquinho
Tem tanto e não doa nada
Pra quem tem a mão fechada
Caridade é fantasia
Tem tudo pra boemia
Nada tem para pobreza
“Quem tem fartura na mesa
Não lembra a que está vazia.”
Quem saboreia um filé
Esquece quem come um ovo
Quem anda de carro novo
Esquece quem segue a pé
Na sua mesquinhez é
Um sovina em demasia
Que nega até um bom dia
Para acumular riqueza
“Quem tem fartura na mesa
Não lembra a que está vazia.”
Versos – Poeta Jatobá
Mote – Poeta Adalberto de Vital ( Pai Beto)
Salgueiro de muitas vitórias
Tem história até de avião
Para aqueles que não sabem
Já teve até conexão
Da Real Linhas Aéreas
Interligando o sertão.
Salgueiro, 13/03/2024
Trecho do poema Um Pouquinho de Salgueiro do poeta Chico Rubião
Como a flor da rumã
Importante a gente ver
No pomar logo de manhã
Depois do amanhecer
Por Alvinho Patriota
Hoje minha poesia
Tem um tom bem diferente
Costumava ser de alegria
Mas hoje ela não tá presente
Porque vou falar de Segundo*
Que partiu, deixando a gente.
A vontade, eu sei, foi de Deus
Por ele partir sem medo
Não sei se ele esperava a morte
Que pra ele veio tão cedo
Mas sei que o meu Segundinho
Viveu cada minutinho
Como se soubesse o segredo
Para ele nunca faltava
Motivos para sorrir
Fosse de dia ou de noite
Fosse aqui ou ali
Ele era a pura alegria
Eita, meu Deus, que agonia
Ele agora não tá aqui
Queria entender o porquê
Mas a Deus não vou indagar
Ele sabe de tudo
Não sou eu que vou julgar
Mas se puder, oh meu Deus
Tira do peito meu
Essa saudade de matar
Olho para todo lado
Em tudo vejo meu Gundo
Ele era muito gaiato
Brincava com todo mundo
Agora olho e não vejo,
Quisera eu dar um beijo
No meu sobrinho Segundo
Queria que Deus dissesse
“Foi engano, ele voltou
Levei o menino errado
Segundo ressuscitou”!
Eita meu Deus, está difícil
Por que a Segundo levou?
Se puder mande de volta
Ou melhor, não mande não
Mas alivia em nosso peito
A dor da separação
Conceda o descanso eterno
Pro meu filho do coração.
Por Solange Maristella
* Segundo era um cantor de Mirandiba, que faleceu recentemente.
Vislumbrando a natureza
Em tudo a vida aparece
Com amor e pureza
Cuidando tudo cresce
Do contrário não há beleza
A vida desaparece.
Por Alvinho Patriota
O sol nasce para todos
Mostrando a igualdade
Crianças, adultos e idosos
Seja qual for a idade
Por Alvinho Patriota