Personalidade | Saiba quem foi Celina Guimarães
A professora potiguar que abriu caminho para os direitos políticos das mulheres brasileiras.

Há pouco mais de 50 anos, em 11 de julho de 1972, morria uma pioneira que mudou para sempre a história política do Brasil. Celina Guimarães Viana, nascida em 1890 na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi a primeira brasileira registrada a exercer o direito ao voto no país. Mais do que um marco individual, sua conquista representou o resultado de uma articulação política estratégica que abriu precedentes fundamentais para a participação feminina na democracia brasileira.
A trajetória de Celina como educadora já demonstrava seu espírito vanguardista. Como professora no início do século XX, ela praticava uma educação progressista, rompendo com os padrões conservadores da época. Além disso, entre 1917 e 1919, atuou como juíza de futebol, sendo muito possivelmente a primeira mulher brasileira a apitar jogos, embora não haja registro oficial dessa conquista. Essas atividades revelavam uma mulher que não se limitava aos papéis tradicionalmente impostos ao gênero feminino.
O momento histórico que consagrou Celina Guimarães ocorreu em novembro de 1927, quando ela deu entrada em seu pedido de alistamento eleitoral em Mossoró. Dois meses antes, em 25 de outubro, havia entrado em vigor uma nova legislação no Rio Grande do Norte que estabelecia o fim da “distinção de sexo” no serviço eleitoral. O despacho favorável, assinado pelo juiz de direito Israel Ferreira Nunes no dia seguinte ao pedido, afirmou que “tendo a requerente satisfeito as exigências da lei para ser eleitora, mando que inclua-se na lista de eleitores”.
A conquista de Celina não foi um ato isolado, mas resultado de um movimento sufragista organizado que ganhava força no Brasil. A bióloga e feminista Bertha Lutz, fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922, liderava nacionalmente a campanha pelos direitos políticos das mulheres. No Rio Grande do Norte, o movimento contou com o apoio decisivo do político Juvenal Lamartine de Faria, que enviou um telegrama solicitando que a nova lei eleitoral deixasse claro o direito ao voto para ambos os sexos.
A primeira eleição com participação de Celina e outras mulheres potiguares, em 5 de abril de 1928, foi justamente para preencher a vaga de senador deixada por Juvenal Lamartine quando este se tornou governador. No entanto, a reação conservadora não tardou a aparecer. A comissão de verificação do Senado decidiu anular os votos das mulheres do Rio Grande do Norte, considerando-os “inapuráveis”. Essa decisão evidenciava a resistência institucional aos avanços dos direitos femininos.
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