Militar e líder comunista, Prestes marcou a história brasileira com a Coluna Prestes e a Intentona Comunista, enfrentando prisões e exílio.

Luís Carlos Prestes foi uma das figuras políticas mais proeminentes do Brasil no século XX. Nascido em Porto Alegre em 1898, seguiu carreira militar como engenheiro, mas sua trajetória foi marcada por intensa atividade política, desde o movimento tenentista até a liderança do Partido Comunista do Brasil (PCB).
De origem modesta e filho de um militar positivista que faleceu cedo, Prestes viu na carreira militar uma oportunidade de ascensão. Formou-se com destaque, mas sua insatisfação com a política da Primeira República e com a própria corporação militar o levou a se engajar no tenentismo, movimento de jovens oficiais que buscavam reformas políticas pela via armada.
Prestes envolveu-se nos levantes tenentistas desde o início, embora não tenha participado da Revolta do Forte de Copacabana em 1922 por motivo de doença. Em 1924, liderou uma revolta no Rio Grande do Sul e uniu-se aos tenentistas paulistas, formando a Coluna Prestes. Entre 1925 e 1927, a Coluna marchou por mais de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil, denunciando as desigualdades e enfrentando tropas governamentais, o que rendeu a Prestes o epíteto de “Cavaleiro da Esperança”.
Com o fim do governo Bernardes e o desgaste do movimento, a Coluna se dissolveu em 1927, e Prestes exilou-se na Bolívia. Lá, influenciado por Astrojildo Pereira, iniciou seus estudos sobre o marxismo e aderiu ao socialismo, embora tenha recusado convites iniciais para integrar o PCB e a Aliança Liberal de Getúlio Vargas.
Em 1931, a convite do governo soviético, mudou-se para Moscou, onde aprofundou seus estudos e, por fim, aceitou ingressar no PCB sob pressão da Internacional Comunista. Retornou clandestinamente ao Brasil em 1934, acompanhado pela revolucionária alemã Olga Benário, com a missão de liderar uma revolução comunista.
Prestes tornou-se presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente de orientação comunista criada em 1935. Em novembro do mesmo ano, liderou a Intentona Comunista, um levante armado que eclodiu em Natal, Recife e Rio de Janeiro. O movimento fracassou rapidamente e foi reprimido pelo governo Vargas.
Preso em março de 1936 junto com Olga Benário, sua esposa na época, Prestes viu Olga, grávida, ser deportada para a Alemanha nazista, onde morreria em um campo de concentração. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, nasceu na prisão alemã e foi posteriormente entregue à avó paterna. Prestes permaneceu preso por quase dez anos, sendo libertado apenas em 1945 com a anistia decretada por Vargas.
Após a soltura, elegeu-se senador pelo PCB, mas teve o mandato cassado durante o governo Dutra. Com o golpe militar de 1964, foi novamente perseguido e exilou-se na União Soviética entre 1971 e 1979, retornando ao Brasil somente após a promulgação da Lei da Anistia. A partir de 1980, com o retorno do pluripartidarismo ao Brasil, Prestes rompeu abertamente com o PCB.
Luís Carlos Prestes faleceu no Rio de Janeiro, no dia 7 de março de 1990.
