Personalidade | Saiba quem foi Dom Hélder Câmara

Religioso pernambucano foi o brasileiro mais indicado ao Nobel da Paz e ficou conhecido como defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar.

Imagem: Reprodução

Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, no Ceará, em 7 de fevereiro de 1909, filho de uma professora e um jornalista. Aos 14 anos ingressou no Seminário da Prainha, onde recebeu formação conservadora que inicialmente o influenciou a simpatizar com movimentos nacionalistas como a Legião Cearense do Trabalho e a Ação Integralista Brasileira, de tendências fascistas que pregava lemas como “Deus, Pátria, Família”, desvinculando-se quando Getúlio Vargas instaurou a ditadura do Estado Novo, em 1937.

Ordenado padre em 1931, aos 22 anos, Dom Hélder dedicou-se ao trabalho social junto aos Círculos Operários Cristãos e à Juventude Operária Católica. Nesse período, contribuiu com a alfabetização de adolescentes pobres e ajudou na organização sindical de mulheres das camadas populares, incluindo lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas.

Sua carreira eclesiástica ganhou projeção nacional quando se mudou para o Rio de Janeiro em 1936, onde trabalhou no Ministério da Educação. Foi ordenado bispo em 1952, aos 43 anos, e passou a se dedicar intensamente às reformas na Igreja Católica para aproximá-la dos compromissos sociais com os mais pobres.

Dom Hélder foi responsável por importantes iniciativas institucionais na Igreja. Conseguiu autorização do Vaticano para fundar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), em 1955. Durante o Concílio Vaticano II, em 1965, foi propositor do “Pacto das Catacumbas”, documento que influenciou a criação da Teologia da Libertação, que coloca a libertação dos pobres e oprimidos no centro da mensagem de Jesus Cristo.

Em 1964, semanas antes do golpe militar, foi designado arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, cargo que ocupou por 21 anos. Durante a ditadura, posicionou-se publicamente contra o regime autoritário, sendo proibido pelos meios de comunicação brasileiros de conceder entrevistas a partir do AI-5, em 1968.

A repressão ao religioso se intensificou em 1969, quando seu auxiliar, o padre Antônio Henrique Pereira Neto, teria sido sequestrado, torturado e assassinado pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo paramilitar apoiado pelo regime militar. O crime ocorreu na madrugada de 27 de maio, e o corpo foi encontrado no bairro da Várzea, no Recife.

Dom Hélder Câmara morreu em 27 de agosto de 1999, aos 90 anos, no Recife, como o brasileiro que mais vezes foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações entre 1970 e 1973, e desde 2015 o Vaticano o reconhece como “Servo de Deus”, primeira etapa do processo de beatificação. Seu legado permanece vivo, através de diversas organizações educacionais, sociais e religiosas que levam seu nome.

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