Moraes defende continuidade das investigações sobre trama golpista em entrevista ao The Washington Post

Ministro do STF responde a sanções americanas e critica papel de Eduardo Bolsonaro na deterioração das relações bilaterais.

Imagem: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma rara entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post sobre sua atuação como relator das ações relacionadas à suposta trama golpista que teria tentado manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. Na conversa com os correspondentes Marina Dias e Terrence McCoy, o magistrado defendeu a continuidade do processo, afirmando que “não há a menor possibilidade de recuar nem mesmo um milímetro” na tramitação do caso.

As declarações do ministro evidenciam sua convicção sobre a importância das investigações que envolvem Bolsonaro e outros sete ex-aliados, todos réus em ação penal por tentativa de golpe de Estado. Moraes ressaltou que o processo seguirá os trâmites legais estabelecidos, com análise criteriosa das evidências apresentadas.

“Vamos fazer o que é certo: vamos receber a denúncia, analisar as evidências, e quem tiver de ser condenado vai ser condenado, e quem tiver de ser absolvido vai ser absolvido”, declarou o ministro na entrevista publicada nesta segunda-feira (18). A fala reflete o compromisso com a aplicação imparcial da justiça, mesmo em meio às tensões diplomáticas com os Estados Unidos.

O perfil elaborado pelo Washington Post apresenta Moraes como uma figura experiente em enfrentar grandes desafios institucionais. Segundo o jornal, o ministro mantém a posição de que o Supremo Tribunal Federal seguirá cumprindo seu papel constitucional, independentemente das pressões externas que possam surgir.

Questionado sobre as sanções impostas pelo presidente americano Donald Trump, Moraes demonstrou serenidade diante das medidas punitivas. O ministro atribuiu a deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos à propagação de informações falsas nas redes sociais, destacando o papel do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, nesse processo de desgaste bilateral.

As medidas americanas incluem tarifas sobre produtos brasileiros, justificadas por Trump como resposta ao que considera perseguição política contra Bolsonaro. O governo dos Estados Unidos também cancelou vistos do ministro e de seus familiares, além de aplicar a Lei Magnitsky, instrumento utilizado para sancionar supostos violadores de direitos humanos no exterior.

Diante desse cenário de tensão internacional, Moraes mantém o foco no trabalho institucional e observa: “O que precisamos fazer, e o que o Brasil está fazendo, é esclarecer as coisas”. O julgamento da ação penal está programado para iniciar em 2 de setembro na Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

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