Mãe e dois filhos morrem de Covid em 23 dias na Zona da Mata de PE; terceiro filho está intubado na UTI

Da esquerda para a direita: os irmãos Aleff e Ademilson e a mãe deles, Áurea, morreram de Covid, em Macaparana; Adeílton está internado — Foto: Família Ferreira/Arquivo Pessoal

Três pessoas da mesma família morreram de Covid-19, em um intervalo de 23 dias de março de 2021, em Macaparana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Faleceram dois irmãos e a mãe deles. O terceiro filho da mulher está internado e intubado em uma UTI, no Recife.

“A gente virou a família da Covid. As pessoas passam e falam”, afirmou Adriana Creuza Ferreira, mulher de Adeílton Ferreira, que está no hospital.

Distante 121 quilômetros da capital pernambucana, Macaparana tem cerca de 25 mil habitantes. Sem UTIs para Covid, a cidade registrou 773 casos da doença e 17 mortes, desde o ano passado, segundo a prefeitura.

Entre esses óbitos estão os três registrados na família Ferreira de Oliveira. A primeira morte foi de Allef, de 25 anos, que aconteceu em 7 de março. No dia 20 do mesmo mês, faleceu o irmão dele, Ademilson, de 34 anos.

Na terça-feira (30), a família perdeu a mãe dos rapazes, Maria Áurea Oliveira, de 67 anos, que era viúva. O irmão mais velho dos homens que morreram, Adeílton de 39 anos, encontra-se em estado grave, na capital.

“É muito triste ter tantas mores assim, em pouco tempo, numa cidade pequena”, afirmou Adriana Creuza. Depois de perder a sogra e os cunhados, ela acompanha a distância o tratamento do marido.
“O médico me ligou agora e disse que ele está reagindo um pouco, depois de oito dias de internação. Está fazendo hemodiálise”, disse Adriana, que tem dois filhos, um de 15 anos e outro de 4 anos.

As mortes aconteceram e os parentes nem tiveram como receber a informação. A mãe morreu sem saber do óbito do segundo filho. Adeílton, que está internado, não sabe ainda que dona Áurea faleceu.

Segundo Adriana, o marido contraiu o novo coronavírus com a mãe, que dever te pego a doença com os outros dois filhos.

“Eles eram muito ligados. Um dia, a mãe passou mal e meu marido foi prestar o socorro. Foi quando ele se infectou”, disse.

Ela afirmou também que, mesmo com tantas mortes, acredita que a assistência deixa a desejar na cidade. “Essa prefeitura não tem conseguido fazer muita coisa”, declarou.

Fonte: G1