Lula aceita conversar com Trump sobre tarifaço, mas diretamente

Presidente brasileiro só fará ligação se for atendido pessoalmente pelo americano.

Imagem: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra abertura para estabelecer diálogo direto com Donald Trump sobre as tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a conversa telefônica entre os dois líderes só acontecerá se o presidente americano atender pessoalmente a ligação, sem intermediários.

A proposta de contato partiu de senadores brasileiros, mas o ambiente no governo federal é de ceticismo. Auxiliares de Lula avaliam que a Casa Branca pretende iniciar negociações apenas após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como estratégia para fortalecer sua posição nas tratativas.

O governo brasileiro enfrenta dificuldades para estabelecer canais de comunicação com o núcleo político da administração Trump. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas do governo americano, o Planalto relata que as portas permanecem fechadas para um diálogo efetivo.

Um interlocutor próximo ao presidente brasileiro reafirmou que o país mantém disposição para negociar, mas estabeleceu limites claros. “A soberania não é negociável”, declarou a fonte, sinalizando que o Brasil rejeita qualquer interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas nacionais como o Pix.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nos Estados Unidos no domingo para cumprir agenda na ONU, mas pode seguir para Washington caso haja sinais de abertura americana. As tarifas anunciadas por Trump afetarão cerca de 10 mil empresas brasileiras que empregam aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no país.

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