Internacional

Internacional, Meio Ambiente

Onda de calor extrema mata ao menos oito pessoas na Europa e força fechamento de escolas

Temperaturas recordes atingem o continente europeu, provocando interdição da Torre Eiffel e ativação de protocolos de emergência em várias cidades.

Imagem: REUTERS/Lisi Niesner

Uma intensa onda de calor que atinge a Europa já resultou na morte de pelo menos oito pessoas e forçou autoridades a adotarem medidas emergenciais em diversos países. As temperaturas extremas provocaram o fechamento de mais de 2,2 mil escolas na França, a suspensão da visitação ao topo da Torre Eiffel em Paris e o cancelamento de atividades ao ar livre em várias regiões do continente.

A França registrou o mês de junho mais quente desde o início dos registros meteorológicos em 1900, com termômetros chegando a 42°C em Paris. Mesmo com uma leve queda, a capital francesa ainda mantinha 36°C nesta terça-feira, temperatura considerada alta para os padrões locais. O país contabilizou pelo menos 300 pessoas atendidas com insolação, incluindo duas mortes, entre elas uma menina de dez anos.

Na Alemanha, as altas temperaturas fizeram os termômetros de Berlim se aproximarem dos 39°C, mais de 15°C acima da média histórica para a época. O país decretou “hitzefrei” em algumas regiões, medida que libera os estudantes de frequentarem as aulas durante dias de calor extremo. Portugal bateu recordes nacionais para junho, com a cidade de Mora registrando 46,6°C.

A Espanha enfrenta uma situação particularmente grave, com temperaturas de até 46°C em Huelva e incêndios florestais devastadores. Na Catalunha, o fogo forçou o confinamento de 14 mil pessoas e resultou em duas mortes em Lérida. Uma criança de dois anos também morreu após ser deixada por horas dentro de um carro estacionado sob o sol em Tarragona. O incêndio gerou uma coluna de fumaça que alcançou 14 mil metros de altitude e destruiu 6.500 hectares.

A Organização Meteorológica Mundial classificou o fenômeno como um “assassino silencioso” e alertou que o calor intenso está se tornando mais frequente e severo devido às mudanças climáticas causadas por atividades humanas. Autoridades ativaram protocolos de emergência em várias cidades, incluindo distribuição de água para pessoas em situação de rua e envio de alertas por SMS com orientações de proteção. Especialistas recomendam manter-se hidratado, evitar exposição direta ao sol e seguir medidas preventivas, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Internacional

Promotoria dos EUA aponta ligação entre Bukele, presidente de El Salvador, e gangue MS-13

Investigação revela suposto pacto entre presidente salvadorenho e organização criminosa em troca de redução da violência.

Imagem: Saul Loeb/AFP

Uma investigação conduzida pela Promotoria dos Estados Unidos identificou evidências de um suposto acordo entre o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e líderes do MS-13, gangue salvadorenha com atuação internacional. Segundo reportagem do jornal “The New York Times” publicada nesta terça-feira (1º), promotores norte-americanos encontraram indícios de um “pacto corrupto” que envolveria benefícios mútuos entre o governo salvadorenho e a organização criminosa.

De acordo com a investigação, o suposto acordo estabelecia que a gangue MS-13 reduziria os níveis de violência no país e ofereceria apoio político ao presidente Bukele. Em contrapartida, o governo salvadorenho teria repassado verbas públicas e garantido privilégios especiais aos membros da organização criminosa nas prisões de El Salvador.

O pacto teria sido firmado antes de Bukele propor ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que El Salvador recebesse presidiários norte-americanos em seus estabelecimentos prisionais. A proposta, considerada polêmica, foi aceita por Trump e implementada no início deste ano. Entre os deportados para prisões salvadorenhas estão diversos membros do MS-13 que cumpriam pena nos Estados Unidos.

A investigação também apura se recursos financeiros repassados pela Casa Branca ao governo de El Salvador foram desviados para a gangue MS-13. Após a entrada em vigor do acordo de deportação, o governo Trump admitiu ter pagado 6 milhões de dólares ao governo salvadorenho pela implementação do programa.

Segundo o “The New York Times”, o acordo entre Bukele e Trump acabou prejudicando uma investigação de longa data que as autoridades norte-americanas conduziam sobre a gangue MS-13. Até o momento, nem o governo dos Estados Unidos nem o de El Salvador se manifestaram oficialmente sobre as alegações apresentadas na investigação da Promotoria norte-americana.

Internacional

Trump ameaça Musk com cancelamento de subsídios e possível deportação

Presidente americano sugere que empresário sul-africano naturalizado poderia “fechar o negócio e voltar para a África do Sul” sem apoio governamental.

Imagem: Reprodução

Em uma escalada de tensões entre duas das figuras mais poderosas dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump não descartou a possibilidade de deportar o empresário Elon Musk, após ser questionado por um jornalista sobre o assunto. “Não sei. Teremos que dar uma olhada nisso”, afirmou Trump, apesar de Musk ter obtido a cidadania americana em 2002, o que tornaria necessário comprovar fraude no processo de naturalização para viabilizar tal medida.

O conflito ganhou novos contornos depois que Musk criticou duramente o ambicioso projeto de lei de Trump, conhecido como “One Big Beautiful Bill Act”, que busca implementar a maior redução de impostos da história americana. O empresário afirmou que os EUA vivem em um regime de partido único e que “é hora de um novo partido político que se preocupe com as pessoas”, chamando a proposta de “gasto louco” por aumentar o teto da dívida para um recorde de cinco trilhões de dólares.

Em resposta às críticas, Trump sugeriu colocar Musk na mira do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), órgão que o próprio empresário havia chefiado até o final de maio deste ano. “Talvez tenhamos que colocar o DOGE em Elon. Sabe o que é o DOGE? DOGE é o monstro que poderia ter que voltar e devorar Elon”, declarou o presidente americano.

Trump foi além nas críticas e afirmou que Musk “talvez receba mais subsídios que qualquer outro ser humano na história” e que, sem esses apoios governamentais, “provavelmente teria que fechar o negócio e voltar para a África do Sul”. O presidente destacou que o fim dos subsídios significaria “acabar com os lançamentos de foguetes, satélites e a produção de veículos elétricos”, o que, segundo ele, faria o país “economizar uma fortuna”.

O projeto de lei defendido por Trump pretende acabar com todos os subsídios “verdes” e reverter os requisitos para veículos elétricos que, nas palavras do presidente, “permitem a ativistas climáticos radicais estabelecer padrões energéticos americanos”. Trump também afirmou que Musk sabia, “muito antes” de apoiá-lo para a presidência, que ele era contra o mandato de veículos elétricos.

Internacional

Soldados israelenses recebem ordens para atirar deliberadamente em civis de Gaza, diz jornal

Jornal Haaretz expõe relatos de militares sobre uso de fogo real contra palestinos desarmados em busca de ajuda humanitária.

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Uma investigação do jornal israelense Haaretz trouxe à tona denúncias graves sobre as operações militares em Gaza, revelando que soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) receberam ordens explícitas para atirar em civis palestinos desarmados que se aproximam de pontos de distribuição de ajuda humanitária. Os depoimentos de oficiais e soldados apontam para uma política sistemática de uso de fogo real para dispersar multidões, mesmo na ausência de ameaças diretas à segurança das tropas.

Os relatos coletados pelo Haaretz descrevem uma realidade perturbadora nos centros de distribuição de auxílio. Um soldado, em depoimento ao jornal, comparou a situação a um “campo de extermínio”, afirmando que entre uma e cinco pessoas eram mortas diariamente em sua área de atuação. Segundo o militar, os civis são tratados como “força hostil”, e as tropas utilizam exclusivamente armamento pesado, sem recorrer a métodos menos letais de controle de multidões, como gás lacrimogêneo ou balas de borracha.

A comunicação entre as forças militares e a população civil se dá através do que os soldados chamam de “fogo cruzado”. Os disparos cessam apenas quando os centros de distribuição abrem suas portas, sinalizando que os moradores podem se aproximar para buscar alimentos e suprimentos básicos. Essa dinâmica levanta questionamentos sérios sobre as regras de engajamento adotadas pelas IDF e o tratamento dispensado à população civil em meio ao conflito.

Desde 27 de maio, o Ministério da Saúde de Gaza contabilizou números alarmantes: 549 pessoas foram mortas e mais de 4 mil ficaram feridas nas proximidades de centros de ajuda humanitária. Esses incidentes ocorrem em um contexto de extrema necessidade, onde milhares de palestinos se dirigem diariamente aos quatro postos de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (FGH) – três no sul e um no centro da região – em busca desesperada por alimentos e suprimentos essenciais para sobrevivência.

O jornal Haaretz documentou 19 tiroteios próximos aos centros de distribuição desde o início das operações da FGH. A fundação, criada por Israel em coordenação com evangélicos americanos e empresas de segurança privada, opera sob proteção das IDF posicionadas a centenas de metros de distância. A gravidade desses relatos, vindos de uma fonte jornalística israelense, sublinha a urgência de uma investigação internacional aprofundada sobre as táticas militares empregadas e seu impacto devastador sobre a população civil de Gaza.

Economia, Geral, Internacional

Cessar-fogo entre Israel e Irã encerra conflito de 12 dias, mas deixa dúvidas sobre paz duradoura

Acordo mediado por Trump, com apoio do Catar, põe fim temporário a confrontos que mataram mais de 600 pessoas e geraram tensões econômicas globais, enquanto revelações sobre doutrinação de autoridades brasileiras expõem estratégias de propaganda israelense.

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O conflito entre Israel e Irã, que durou 12 dias e deixou mais de 600 mortos, chegou ao fim na madrugada desta terça-feira (24) com um cessar-fogo mediado pelo presidente americano Donald Trump. O acordo, anunciado após intensa negociação com apoio do Catar, encerrou os confrontos mais intensos entre os dois países em décadas, mas a fragilidade da trégua já se manifestou nas primeiras horas com acusações mútuas de violação.

O conflito teve início em 13 de junho, quando Israel lançou ataques contra instalações iranianas sob a alegação de que Teerã desenvolvia armas nucleares. A escalada ganhou nova dimensão quando os Estados Unidos entraram diretamente no confronto, atacando três instalações nucleares iranianas, incluindo o complexo subterrâneo de Fordo, considerado impenetrável pelas forças israelenses.

As baixas reportadas revelam a intensidade dos combates: autoridades iranianas informaram 610 mortos e 4.746 feridos em território iraniano, enquanto Israel registrou 28 mortes, marcando a primeira vez que suas defesas aéreas foram sobrecarregadas por mísseis iranianos. Os números evidenciam o caráter sem precedentes do confronto entre as duas potências regionais.

A entrada dos EUA no conflito representou a primeira ação militar direta americana contra alvos iranianos em quase quatro décadas. Trump ordenou o uso de sete bombardeiros B-2 e dezenas de mísseis de submarinos, incluindo 14 bombas “destruidoras de bunkers” de 13 toneladas cada contra o complexo de Fordo. A operação atendeu a pressões do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que há anos solicitava apoio militar direto americano.

O cessar-fogo foi anunciado por Trump após conversas com Netanyahu e mediação do Catar, com participação do vice-presidente J.D. Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff. Ambos os países reivindicaram vitória: Netanyahu declarou que Israel alcançou uma “vitória histórica”, enquanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian classificou o desfecho como “grande vitória” para Teerã.

Internacional

Rússia oferece apoio ao Irã após escalada do conflito com Israel

Moscou se posiciona ao lado de Teerã dois dias depois da entrada dos Estados Unidos na guerra no Oriente Médio.

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A Rússia declarou nesta segunda-feira estar “pronta para ajudar” o Irã no confronto com Israel, marcando um novo capítulo na escalada do conflito no Oriente Médio. O posicionamento do Kremlin surge dois dias após os Estados Unidos entrarem diretamente na guerra, bombardeando três instalações nucleares iranianas em uma operação que durou cerca de meia hora.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a posição de apoio ao Irã é clara e que a Rússia já ofereceu ajuda para mediar o conflito. Segundo Peskov, a assistência ao país persa pode ser dada de “formas diversas” e “tudo depende do que o Irã precisa”. O oficial russo revelou ainda que o presidente Vladimir Putin discutiu a situação iraniana com Donald Trump em suas últimas conversas.

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, chegou a Moscou nesta segunda-feira para conversas com Putin e outros oficiais sobre a “situação regional e internacional após a agressão militar dos Estados Unidos”, conforme informou uma fonte à agência AFP. A Rússia condenou os ataques americanos ao Irã, classificando os bombardeios como “irresponsáveis”, reforçando a aliança estratégica entre Moscou e Teerã.

A entrada dos Estados Unidos no conflito ocorreu no sábado, quando Trump anunciou em pronunciamento televisionado o bombardeio de instalações nucleares iranianas. A operação utilizou aviões bombardeiros que partiram da base de Whiteman, nos EUA, à meia-noite de sábado e chegaram ao território iraniano às 18h, sem registrar confrontos na entrada ou saída, segundo o general Dan Caine.

O Irã respondeu no domingo com uma salva de mísseis contra Israel, incluindo a região da capital Tel Aviv, deixando 23 pessoas feridas de acordo com o serviço de resgate israelense. O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou que a “diplomacia não é mais uma opção”, afirmando que os Estados Unidos escolheram “lançar a diplomacia pelos ares” após a ofensiva. Trump havia ameaçado ataques ainda mais severos caso o Irã não “busque a paz”, declarando que “haverá paz ou haverá tragédia para o Irã”.

Economia, Internacional

Tensão sobre Ormuz: mundo prende a respiração

Ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz, pelo Irã, eleva preocupações globais e impacta mercados.

Imagem: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo

O Parlamento iraniano aprovou o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, uma medida que surge como resposta a uma ofensiva dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas. Embora a decisão ainda dependa da ratificação de órgãos superiores, como o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o aiatolá Ali Khamenei, a mera possibilidade de um bloqueio já acende um alerta global, gerando apreensão nos mercados internacionais e entre as principais potências econômicas.

Este estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das rotas marítimas mais cruciais do planeta. Por suas águas estreitas, transita aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente, além de uma parcela significativa do gás natural. Sua importância estratégica o torna um gargalo vital para o suprimento energético global, essencial para a manutenção das cadeias de produção e consumo em diversas nações.

As consequências de um eventual fechamento seriam drásticas para a economia mundial. A interrupção do fluxo de petróleo e gás resultaria em uma disparada imediata nos preços do barril, que poderiam facilmente ultrapassar a marca de US$ 100. Esse aumento nos custos da energia se traduziria em uma elevação generalizada da inflação, impactando diretamente setores como a indústria, o transporte e a agricultura em escala global.

Além da escalada inflacionária, um bloqueio em Ormuz provocaria severas disrupções nas cadeias de suprimentos internacionais. Atrasos na importação de matérias-primas e bens manufaturados seriam inevitáveis, afetando a produção e o comércio em diversos países. Na Europa, que depende fortemente do petróleo e gás do Golfo, a situação poderia evoluir para uma crise energética, com risco de desabastecimento.

Para o Brasil, as repercussões seriam sentidas diretamente no bolso do consumidor. A alta do petróleo no mercado internacional pressionaria a Petrobras a reajustar os preços dos combustíveis, elevando o custo da gasolina e do diesel. Tal cenário agravaria a inflação interna, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já operando acima da meta. Analistas, contudo, ponderam que, apesar da retórica, o Irã pode adotar uma resposta mais contida para evitar uma escalada ainda maior do conflito.

Internacional

ONU enfrenta crise de credibilidade em mundo com recorde de conflitos

Organização admite que proteção de civis está “desmoronando”; 2024 registrou o maior número de guerras desde a Segunda Guerra Mundial.

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O ano de 2024 entrou para a história como o mais violento desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com 61 conflitos armados registrados em 36 países, segundo relatório do Instituto de Pesquisas de Paz de Oslo. Os dados, baseados em levantamento da Universidade de Uppsala, revelam um cenário que expõe as limitações crescentes da Organização das Nações Unidas em cumprir sua missão fundamental de manter a paz e a segurança internacionais. As guerras resultaram em aproximadamente 129 mil mortes, consolidando uma tendência ascendente que faz dos últimos quatro anos os mais letais desde o fim da Guerra Fria.

O cenário de 2025 mostra-se ainda mais desafiador, com uma escalada dramática de conflitos que coloca em xeque qualquer esperança de estabilização global. O International Crisis Group alerta que “o regresso de Trump adiciona imprevisibilidade a um mundo já volátil”, enquanto a contagem mundial de mortos, deslocados e famintos devido a combates atingiu o nível mais alto em décadas. A situação se agravou drasticamente em junho, quando Israel e Irã iniciaram ataques diretos mútuos, culminando na entrada dos Estados Unidos no conflito através de bombardeios a três instalações nucleares iranianas. Esta escalada, que já deixou mais de 240 mortos nos dois países, representa um ponto de inflexão que especialistas temem possa desencadear uma conflagração regional com repercussões globais.

A própria ONU reconhece publicamente suas falhas. Em maio de 2025, o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, admitiu que a proteção de civis em conflitos armados está “desmoronando”, apesar das lições históricas e dos compromissos legais assumidos pelos países. A organização registrou mais de 36 mil mortes de civis em apenas 14 conflitos durante 2024, número que Fletcher considera subestimado. O ano também se tornou o mais letal para trabalhadores humanitários, com 360 mortes registradas, evidenciando o colapso dos mecanismos de proteção internacional.

Especialistas em relações internacionais não poupam críticas à paralisia institucional da ONU. Fawaz Gerges, professor da London School of Economics, afirma categoricamente que “a ONU está em coma” e considera o momento atual “pior que a Guerra Fria”. Para o acadêmico, o Conselho de Segurança encontra-se “paralizado e disfuncional”, enquanto a Assembleia Geral funciona mais como “uma instituição simbólica que uma agência executiva”.

A multiplicação de focos de tensão em 2025 evidencia a incapacidade da ONU de conter a fragmentação global. Além do conflito Israel-Irã, persistem as guerras na Ucrânia e em Gaza, enquanto novos pontos de instabilidade emergem no Mar do Sul da China, na península coreana e em torno de Taiwan. Analistas alertam que os conflitos interconectados aumentam exponencialmente a probabilidade de consequências imprevistas, com o risco de que um erro de cálculo em qualquer teatro de operações desencadeie uma reação em cadeia global.

Economia, Internacional

Irã aprova fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ataques americanos

Decisão parlamentar iraniana visa retaliar bombardeios dos EUA contra instalações nucleares do país.

Imagem: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo

O Parlamento do Irã aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz como resposta aos bombardeios ordenados pelo presidente americano Donald Trump contra três instalações nucleares iranianas. A medida, anunciada pela mídia local, ainda depende da aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do aiatolá Khamenei para entrar em vigor.

O Estreito de Ormuz representa uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. Localizado entre Omã e o Irã, o estreito possui apenas 33 quilômetros de largura em sua parte mais estreita, com canais de navegação de apenas três quilômetros em cada direção.

A região é protegida pelos Estados Unidos através da 5ª Frota da Marinha americana, com base no Bahrein. Países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, exportam a maior parte de sua produção petrolífera através desta via marítima, principalmente para mercados asiáticos.

O anúncio do possível bloqueio já provocou forte impacto nos preços internacionais do petróleo. O barril tipo Brent, referência global, registrou alta de 13,5%, saltando de US$ 69,36 para US$ 78,74. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, apresentou valorização de 10,9%, passando de US$ 66,64 para US$ 73,88.

Analistas do banco JPMorgan alertam que, no pior cenário, o fechamento efetivo do estreito poderia elevar os preços do petróleo para a faixa de US$ 120 a US$ 130 por barril. Embora o Irã já tenha ameaçado bloquear a passagem em outras ocasiões, como em 2019 durante a retirada americana do acordo nuclear, esta é a primeira vez que o Parlamento iraniano formaliza tal decisão.

Internacional

EUA entram diretamente no conflito e bombardeiam instalações nucleares iranianas

Operação americana atingiu três complexos nucleares do Irã e provocou reações internacionais divergentes.

Trump acompanhou ataque americano ao Irã em sala de situação na Casa Branca – Imagem: The White House/Reuters

Os Estados Unidos entraram diretamente no conflito entre Israel e Irã ao bombardear três principais instalações nucleares iranianas nas primeiras horas deste domingo na região (22). O presidente Donald Trump anunciou que a operação militar atingiu os complexos de Fordow, Natanz e Isfahan, utilizando bombardeiros furtivos B-2 e bombas antibunker de alta precisão.

A decisão americana marca uma escalada significativa na região, nove dias após o início da campanha militar israelense. Trump justificou a ação como necessária para impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, classificando os ataques como uma “ação defensiva” para proteger os Estados Unidos e seus aliados.

O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que a operação foi planejada para “degradar” e “destruir” as capacidades nucleares iranianas. Segundo ele, foram utilizadas pela primeira vez bombas MOP (Massive Ordnance Penetrator), com seis bombas antibunker lançadas especificamente contra Fordow e cerca de 30 mísseis Tomahawk contra as outras instalações.

O Irã confirmou os ataques, mas tentou minimizar os danos através de sua mídia estatal. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou para “consequências duradouras” e acusou os Estados Unidos de cometerem uma “grave violação da Carta da ONU”. Em resposta, mísseis iranianos atingiram áreas no norte e centro de Israel, deixando pelo menos 16 feridos.

As reações internacionais foram divergentes. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu parabenizou Trump, afirmando que a decisão “mudará a história”. Por outro lado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco “crescente” de o conflito sair “rapidamente do controle”, defendendo que “não há solução militar” e que “o único caminho é a diplomacia”.

Internacional

EUA: Em ataque orquestrado, deputada democrata é morta e senador ferido em Minnesota

Suspeito se passou por policial para abordar legisladores democratas e permanece foragido.

Imagem: Reprodução

A deputada estadual democrata Melissa Hortman e seu marido Mark foram mortos a tiros em sua residência na cidade de Brooklyn Park, Minnesota, na madrugada deste sábado (14). O crime faz parte de uma série de ataques direcionados contra legisladores do estado americano.

Em um ataque separado, o senador estadual John Hoffman e sua esposa foram baleados na cidade vizinha de Champlin. Segundo o governador Tim Walz, o mesmo atirador teria ido até a casa dos Hortman após atacar o casal Hoffman. Os dois passaram por cirurgia e os médicos demonstram “cauteloso otimismo” quanto à recuperação.

O Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota informou que a polícia de Brooklyn Park trocou tiros com o suspeito, que conseguiu fugir a pé. No veículo abandonado pelo criminoso, as autoridades encontraram um manifesto contendo nomes de outros legisladores e autoridades públicas.

O governador Tim Walz classificou oficialmente os crimes como “violência política direcionada”. Segundo as investigações, o suspeito teria se passado por policial para se aproximar das vítimas, utilizando essa estratégia para ganhar acesso às residências dos legisladores.

Como medida de segurança, foi emitida uma ordem de confinamento domiciliar em Brooklyn Park, válida num raio de três milhas a partir do campo de golfe Edinburgh, onde se concentram as buscas. O presidente Donald Trump anunciou que o FBI se juntará à investigação para apoiar as autoridades locais na captura do suspeito.

Internacional

Israel e Irã trocam ataques sem precedentes em escalada do conflito no Oriente Médio

Bombardeios israelenses matam líderes militares iranianos e atingem instalações nucleares, enquanto retaliação de Teerã fura sistema de defesa e atinge Tel Aviv.

Irã, sob ataque | Imagem: Reprodução

Na noite de quinta-feira (12), Israel lançou o que analistas classificam como o ataque mais abrangente e intenso já realizado contra o Irã, atingindo dezenas de alvos militares e nucleares em território iraniano. A operação, descrita como “sem precedentes” desde a guerra Irã-Iraque dos anos 1980, resultou na morte de importantes líderes militares iranianos e causou danos significativos às instalações nucleares do país. As explosões foram registradas em Teerã e outras cidades iranianas, marcando uma nova escalada no conflito entre os dois países.

O ataque israelense teve como principais alvos a usina de Natanz, considerada o centro do programa de enriquecimento de urânio do Irã, além de instalações em Isfahan e um aeroporto militar em Tabriz. Entre as vítimas confirmadas estão Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Bagheri, chefe das Forças Armadas, e os cientistas nucleares Mohammad Mehdi Tehranchi e Fereydoon Abbasi. Segundo o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, o balanço da primeira onda de ataques foi de 78 mortos e 320 feridos. A estratégia adotada por Israel seguiu padrão similar ao utilizado contra o Hezbollah no Líbano, visando eliminar figuras-chave da liderança iraniana.

Israel justificou a operação como uma ação preventiva para neutralizar uma “ameaça iminente” representada pelo programa nuclear iraniano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o Irã havia acumulado urânio enriquecido suficiente para produzir entre nove e quinze bombas nucleares, com um terço desse material enriquecido nos últimos três meses. A Embaixada de Israel no Brasil classificou o Irã como “principal patrocinador do terrorismo global” e uma “ameaça existencial” ao Estado israelense, alegando que o regime iraniano busca a “aniquilação de Israel” por meio de um programa nuclear clandestino.

A retaliação iraniana não tardou a chegar. Na sexta-feira (13), o Irã lançou centenas de mísseis balísticos contra Israel, conseguindo furar o sistema de defesa “Domo de Ferro” e atingir pontos estratégicos em Tel Aviv e Jerusalém. Os projéteis atingiram sete regiões da capital israelense, causando incêndios em edifícios e deixando pelo menos três mortos e dezenas de feridos. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, classificou o ataque israelense como uma “declaração de guerra” e prometeu que Israel teria um “destino amargo e doloroso”. Uma segunda onda de mísseis foi disparada na madrugada de sábado (14), intensificando ainda mais o conflito.

Os ataques israelenses causaram danos significativos às instalações nucleares iranianas, incluindo a destruição da infraestrutura para reconversão de urânio enriquecido em Isfahan e danos ao sistema elétrico da usina de Natanz. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que a infraestrutura acima do solo de Natanz foi destruída, podendo ter danificado as centrífugas do local. A agência alertou para o risco de “liberações radioativas com graves consequências” e está monitorando a situação. Instalações em Fordow também foram atingidas, embora autoridades iranianas tenham minimizado os danos, afirmando que não há motivo para preocupação em termos de contaminação.

Internacional

Avião da Air India com 244 pessoas a bordo cai em área residencial na Índia

Aeronave que seguia para Londres emitiu sinal de emergência logo após decolagem de Ahmedabad.

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Um avião da companhia Air India caiu nesta quinta-feira (12) em uma área residencial da cidade indiana de Ahmedabad, no oeste do país, logo após decolar do aeroporto local. A aeronave transportava 244 pessoas, sendo 232 passageiros e 12 tripulantes, com destino ao aeroporto de Gatwick, em Londres.

O voo AI171 emitiu o sinal de “mayday” – aviso internacional de emergência – para a torre de controle, mas não houve resposta posterior da aeronave antes da queda. Segundo o regulador indiano de aviação civil (DGCA), o piloto responsável pela operação possuía 8.200 horas de experiência de voo, enquanto o copiloto tinha 1.100 horas registradas.

Entre os ocupantes da aeronave, 217 eram adultos e 11 crianças. A composição por nacionalidades incluía 169 cidadãos indianos, 43 britânicos, sete portugueses e um canadense, conforme confirmado pela companhia aérea à agência Reuters.

O acidente ocorreu no bairro residencial de Meghani Nagar, levando o primeiro-ministro de Gujarat, Bhupendra Patel, a determinar “operações imediatas de resgate e socorro” e a criação de um corredor verde para o transporte de feridos aos hospitais. As autoridades locais receberam instruções para garantir prioridade no atendimento médico às vítimas.

Em declaração oficial na rede social X, o presidente da Air India, Natarajan Chandrasekaran, confirmou “com profundo pesar” o envolvimento do voo 171 no “trágico acidente”. As causas da queda ainda não foram divulgadas pelas autoridades competentes, que iniciaram as investigações sobre o ocorrido.

Internacional

Repórter é atingida por bala de borracha durante entrada ao vivo nos protestos em Los Angeles

Jornalista australiana do canal ‘9news’ foi atingida na perna e não ficou ferida, segundo a emissora. Protestos contra política anti-imigração do governo Trump eclodiram no final de semana na Califórnia.

Imagem: Reprodução

Uma repórter australiana foi atingida por uma bala de borracha enquanto cobria os protestos de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Lauren Tomasi fazia uma entrada ao vivo no canal australiano “9news” no domingo (8) para reportar a situação dos protestos, quando foi atingida na perna. Seu cinegrafista registrou o momento: ela estava de costas para um cordão de policiais, quando um dos agentes olhou para ela, apontou sua arma e disparou.

“Lauren e seu cinegrafista estão bem e continuarão seu trabalho essencial cobrindo esses eventos. Esse incidente é um lembrete claro dos perigos inerentes que os jornalistas podem enfrentar ao cobrir protestos na linha de frente, reforçando a importância do papel que desempenham ao fornecer informações vitais”, disse a emissora australiana em comunicado.

Protestos contra batidas de agentes de imigração do governo Trump eclodiram em Los Angeles durante o final de semana. O protesto foi crescendo e a tensão aumentou após a chegada de homens da Guarda Nacional enviados pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Los Angeles tem forte presença de comunidades latinas.

Publicado originariamente pelo portal g1.

Internacional

Para reprimir protestos, Trump envia Guarda Nacional a Los Angeles contra vontade do governador

Medida para conter protestos pró-imigração é vista por especialistas como potencialmente inflamatória e capaz de aumentar tensões sociais.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (7) o envio de 2.000 soldados da Guarda Nacional da Califórnia para Los Angeles, em resposta aos protestos contra as operações de deportação de imigrantes. A decisão foi tomada contra a vontade do governador da Califórnia, Gavin Newsom, que classificou a medida como “propositalmente inflamatória” e alertou que ela “só aumentará as tensões” no estado.

Para contornar a autoridade do governador democrata, Trump recorreu a um poder raramente utilizado que permite ao presidente federalizar a Guarda Nacional estadual em situações específicas. “O governo federal está tomando o controle da Guarda Nacional da Califórnia e enviará 2 mil soldados”, confirmou Newsom, expressando sua oposição à intervenção federal.

Os protestos em Los Angeles começaram na sexta-feira (6), após agentes federais de imigração prenderem 44 pessoas na cidade como parte da intensificação das operações de deportação promovidas pela administração Trump. As manifestações escalaram para confrontos violentos quando a polícia utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes que se reuniam no centro da cidade.

Em comunicado oficial, Trump justificou a mobilização militar afirmando ser necessário “lidar com a ilegalidade que foi permitida prosperar” e criticou as autoridades locais por “fracassarem em proteger os cidadãos americanos”. O presidente também colocou fuzileiros navais em estado de prontidão, sinalizando uma possível escalada na resposta federal caso os protestos continuem.

A decisão de Trump intensifica o conflito entre o governo federal e a Califórnia, estado que historicamente tem resistido às políticas migratórias restritivas da atual administração. Analistas políticos apontam que esta intervenção representa uma das mais sérias tensões entre autoridades federais e estaduais nos últimos anos, com alguns veículos de comunicação chegando a questionar se o país caminha para um cenário de guerra civil.

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