Internacional

Internacional

Trump mobiliza FBI para perseguir deputados democratas

Presidente aciona polícia federal contra parlamentares que bloqueiam manobra eleitoral autoritária no Texas.

Deputados democratas protestando no Texas | Imagem: Reprodução

O presidente Donald Trump escalou a crise política no Texas ao conseguir que o Federal Bureau of Investigation (FBI) se juntasse à caçada contra deputados democratas que fugiram do estado para impedir uma votação sobre redesenho eleitoral. A medida representa uma guinada autoritária sem precedentes na política americana, onde o poder federal é usado para perseguir parlamentares eleitos que exercem direitos democráticos legítimos.

A operação foi articulada pelo senador republicano John Cornyn, aliado de Trump, que protocolou formalmente o pedido junto à agência federal. O episódio expõe a contradição fundamental de um país que se apresenta como bastião da democracia mundial, mas que agora utiliza aparatos de segurança nacional para coagir representantes eleitos que se opõem a manobras eleitorais questionáveis.

Os deputados democratas abandonaram o Texas na segunda-feira, refugiando-se em Illinois para impedir que a Assembleia Legislativa alcance quórum suficiente para votar o projeto de Trump. A estratégia visa bloquear um redesenho distrital que fragmentaria redutos democratas e os incorporaria a regiões republicanas, potencialmente entregando cinco cadeiras adicionais ao partido de Trump na Câmara federal.

O governador republicano Greg Abbott respondeu com ordens de prisão civil contra os parlamentares ausentes, uma medida que, embora não tenha validade fora do Texas, simboliza a escalada autoritária promovida pelo governo Trump. A administração federal agora tenta transformar uma disputa política estadual em questão de segurança nacional, mobilizando recursos federais contra opositores políticos.

O projeto defendido por Trump utiliza descaradamente a prática do “gerrymandering” – manipulação de fronteiras distritais para ganho partidário. Diferentemente de redesenhos técnicos baseados em censos demográficos, esta iniciativa tem motivação puramente política e ocorre fora do ciclo decenal tradicional. O Texas possui atualmente 38 cadeiras federais, com republicanos controlando 25 e democratas 12.

Internacional

MSF denuncia “massacre orquestrado” em pontos de distribuição de alimentos em Gaza

Organização acusa forças israelenses e grupos privados norte-americanos de violência sistemática contra palestinos famintos.

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A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou um relatório devastador denunciando o que classifica como “massacre orquestrado” nos pontos de distribuição de alimentos em Gaza. O documento, baseado em sete semanas de dados clínicos coletados em duas clínicas da organização, revela um padrão sistemático de violência contra palestinos que buscam ajuda humanitária.

Entre 7 de junho e 24 de julho, as equipes médicas da MSF atenderam 1.380 vítimas, incluindo 28 mortos, nas clínicas de Al-Mawasi e Al-Attar, localizadas no sul da Faixa de Gaza. Os números mais alarmantes envolvem crianças: 71 menores foram tratados com ferimentos causados por disparos de arma de fogo, sendo 25 deles com menos de 15 anos de idade.

A diretora-geral da MSF, Raquel Ayora, descreveu cenas de horror nos locais administrados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF). “Crianças baleadas no peito enquanto tentavam coletar comida. Pessoas esmagadas ou sufocadas em tumultos. Multidões inteiras mortas a tiros em pontos de distribuição”, relatou a dirigente da organização humanitária.

A análise médica dos ferimentos revela padrões que sugerem ataques deliberados. Na clínica de Al-Mawasi, 11% das lesões atingiram cabeça e pescoço, enquanto 19% afetaram tórax, abdômen e costas. Já no Centro de Distribuição de Khan Younis, as vítimas apresentaram maior incidência de ferimentos à bala nos membros inferiores. Para a MSF, a precisão anatômica dessas lesões indica ataques intencionais, não tiros acidentais.

O relatório responsabiliza diretamente as forças israelenses e grupos de segurança privados norte-americanos armados pela violência sistemática. A MSF destaca que os quatro locais de distribuição da GHF operam em áreas sob controle militar total de Israel, sendo “protegidos” por seguranças privados contratados pelos Estados Unidos.

Brasil, Internacional

Lula descarta negociações diretas com Trump sobre tarifas, ao menos por ora

Presidente brasileiro afirma que não se “humilhará” e vê relações bilaterais no pior momento em 200 anos.

Imagem: Adriano Machado/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em entrevista à Reuters que não vê espaço no momento para conversas diretas com Donald Trump sobre as tarifas impostas a alguns produtos brasileiros, que saltaram para 50% nesta quarta-feira. O petista afirmou que tais negociações representariam uma “humilhação” e que não tem pressa para estabelecer contato com a Casa Branca.

“O dia que minha intuição disser que Trump está pronto para conversar, não hesitarei em ligar para ele”, disse Lula durante a entrevista concedida em sua residência oficial em Brasília. “Mas hoje minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”, completou o presidente brasileiro.

Lula justificou sua postura citando o tratamento que Trump dispensou a outros líderes mundiais durante encontros oficiais. “O que Trump fez com Zelensky foi humilhação. Isso não é normal. O que Trump fez com Ramaphosa foi humilhação”, declarou o presidente brasileiro em referência aos presidentes da Ucrânia e África do Sul, respectivamente. Para Lula, o comportamento do líder americano representa uma quebra dos protocolos diplomáticos tradicionais.

“Um presidente não pode estar humilhando outro. Eu respeito todo mundo e exijo respeito”, enfatizou o petista, deixando claro que não aceitará ser tratado da mesma forma que outros chefes de Estado foram durante visitas à Casa Branca. A declaração reflete a determinação brasileira de manter sua dignidade nas relações internacionais, mesmo diante das pressões econômicas.

Apesar das altas tarifas americanas, o Brasil não planeja anunciar medidas recíprocas imediatas, o que poderia impactar significativamente na inflação. O governo mantém abertas as negociações em nível ministerial, embora Lula tenha reconhecido que seus ministros enfrentam dificuldades para estabelecer diálogo com seus pares americanos. A estratégia brasileira foca em medidas domésticas para amenizar o impacto econômico das barreiras comerciais.

Internacional

Estados Unidos implementam programa piloto com caução de até US$ 15 mil para vistos de turismo e negócios

Medida visa coibir permanência ilegal de visitantes e será aplicada a países com altas taxas de overstay.

Imagem: Reprodução

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (4) a implementação de um programa piloto que exigirá caução de até US$ 15 mil (cerca de R$ 82 mil) para determinados vistos de turismo e negócios. A medida, que entrará em vigor em duas semanas, representa uma nova estratégia do governo americano para combater a permanência ilegal de visitantes estrangeiros no país.

O programa terá duração de 12 meses e atingirá especificamente os portadores de vistos B-1, destinados a atividades comerciais temporárias como reuniões e conferências, e B-2, voltados para turismo, lazer ou tratamento médico. Segundo documento divulgado pelo Departamento de Estado no Federal Register, a iniciativa busca reprimir visitantes que ultrapassam o prazo de validade de seus vistos.

A exigência de caução será aplicada a cidadãos de países identificados pelo governo americano por apresentarem “altas taxas de permanência ilegal e onde as informações de triagem e verificação são consideradas deficientes”. O Departamento de Estado informará quais países serão incluídos no programa através do site Travel.State.Gov com pelo menos 15 dias de antecedência, podendo alterar essa lista durante o período piloto.

A partir de 20 de agosto, os agentes consulares poderão exigir três valores diferentes de caução: US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil. Conforme o comunicado oficial, espera-se que seja solicitado pelo menos US$ 10 mil na maioria dos casos. O programa é desenvolvido em parceria com o Departamento de Segurança Interna e responde à ordem executiva 14159, assinada pelo presidente Donald Trump.

Esta não é a primeira tentativa de implementar tal medida. Em novembro de 2020, o Departamento de Segurança dos EUA já havia proposto programa similar, que incluiria 24 países, entre eles Afeganistão, Angola, Irã, Líbia e Síria. No entanto, a iniciativa não prosperou devido à redução mundial de viagens causada pela pandemia de Covid-19. Agora, com a retomada dos fluxos migratórios, o governo americano retoma a estratégia como parte de suas políticas de controle imigratório.

Internacional

Trump ordena posicionamento de submarinos nucleares após ameaças russas

Presidente americano reagiu às declarações de Dmitry Medvedev sobre sistema soviético de retaliação nuclear “Mão Morta”.

Imagem: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (1º) ter ordenado o posicionamento de dois submarinos nucleares em “regiões apropriadas” como resposta às ameaças feitas pelo ex-presidente russo Dmitry Medvedev. A decisão foi comunicada através da rede social Truth Social, onde Trump classificou as declarações do político russo como “tolas e inflamatórias”.

A escalada de tensões teve início na quinta-feira (31), quando Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa e aliado próximo de Vladimir Putin, mencionou o sistema soviético “Mão Morta”. Trata-se de um mecanismo automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido durante a era soviética, projetado para reagir automaticamente caso a liderança russa seja eliminada em um ataque. O próprio governo russo já se referiu a essa ferramenta como uma “arma apocalíptica”.

Em sua declaração, Trump enfatizou que “palavras são muito importantes e muitas vezes podem levar a consequências indesejadas”, sem especificar quais seriam as regiões onde os submarinos foram posicionados. O presidente americano demonstrou irritação com as ameaças russas, alertando que espera que as declarações de Medvedev não passem de meras palavras.

A troca de provocações entre os dois países intensificou-se após Trump criticar as declarações de Medvedev sobre as propostas americanas de tarifas contra compradores de petróleo russo. O presidente americano havia chamado o ex-presidente russo de “fracassado” e o alertou para “tomar cuidado com suas palavras”, afirmando que ele estava “entrando em território muito perigoso”.

Paralelamente à crise diplomática, Trump voltou a abordar a guerra entre Rússia e Ucrânia, lamentando as perdas humanas do conflito. Segundo dados apresentados pelo presidente americano, quase 20 mil soldados russos morreram apenas no último mês, enquanto a Rússia teria perdido 112.500 soldados desde o início do ano. Trump mantém sua proposta de trégua de 60 dias e ameaça impor sanções com tarifas de até 100% caso a Rússia não aceite as negociações dentro do prazo de 10 dias estabelecido anteriormente.

Brasil, Internacional

Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa até decisão sobre extradição

Tribunal de Roma nega pedido de liberdade da deputada licenciada, que aguardará em cárcere o desfecho do processo.

Imagem: Lula Marques/agência Brasil

A Quarta Seção do Tribunal de Roma decidiu nesta sexta-feira (1º) manter a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) na penitenciária de Rebibbia, na capital italiana, enquanto tramita seu processo de extradição para o Brasil. A decisão judicial confirma o entendimento anterior do Tribunal de Apelação de Roma, que já havia determinado a custódia provisória da parlamentar.

O advogado de defesa de Zambelli havia apresentado um pedido formal de libertação, argumentando que sua cliente deveria aguardar o desfecho do processo em liberdade. No entanto, o Tribunal determinou que a solicitação será analisada somente em meados de agosto, sem estabelecer uma data específica para a avaliação do recurso.

A deputada foi condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal e acabou presa na Itália esta semana após ser incluída na lista de foragidos da Interpol. A prisão ocorreu com base em mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira, dando início ao processo de extradição que tramita conforme os acordos internacionais firmados entre Brasil e Itália.

Zambelli está detida na penitenciária de Rebibbia, conhecida por abrigar presas de alto perfil e considerada uma das principais unidades prisionais da capital italiana. A escolha do local atende a uma solicitação específica da Procuradoria de Roma, que classificou o caso como sensível devido ao seu potencial de repercussão internacional.

O processo de extradição depende agora de parecer favorável do sistema judiciário italiano para que a deputada seja enviada de volta ao Brasil. Enquanto isso, Zambelli permanecerá sob custódia das autoridades italianas, aguardando as próximas etapas do procedimento legal que pode se estender por meses.

Internacional

Aliado de Putin ameaça EUA com sistema nuclear após ultimato de Trump

Ex-presidente russo Dmitry Medvedev menciona “arma apocalíptica” em resposta a críticas do presidente americano.

Imagem: Reprodução

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev elevou o tom das tensões entre Moscou e Washington nesta quinta-feira (31) ao mencionar o sistema nuclear soviético “Mão Morta” em resposta a críticas feitas por Donald Trump. A escalada verbal ocorre em meio ao ultimato de 10 dias dado pelo presidente americano para que a Rússia aceite um cessar-fogo na guerra da Ucrânia.

A troca de ameaças começou quando Trump publicou uma mensagem na rede Truth Social direcionada a Medvedev. O presidente americano criticou o aliado de Putin por ter classificado as propostas de tarifas contra compradores de petróleo russo como “um jogo de ultimatos” que aproximava os dois países de uma guerra. “Digam a Medvedev, o ex-presidente fracassado da Rússia que acha que ainda é presidente, para tomar cuidado com suas palavras. Ele está entrando em um território muito perigoso!”, escreveu Trump.

Horas depois, Medvedev respondeu através de seu canal no Telegram, demonstrando que as palavras de Trump não o intimidaram. O russo afirmou que o presidente americano estava nervoso e que isso sinalizava que a Rússia estava “no caminho certo”. Em seguida, fez uma ameaça velada ao mencionar o sistema de retaliação nuclear.

“Trump deveria se lembrar de como a lendária ‘Mão Morta’ pode ser perigosa”, escreveu Medvedev. O sistema mencionado é um mecanismo automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido durante a era soviética, projetado para reagir caso a liderança russa seja eliminada em um ataque. O próprio governo russo já se referiu a essa ferramenta como uma “arma apocalíptica”.

Desde o início do conflito na Ucrânia, Medvedev tem se tornado uma das vozes mais agressivas do Kremlin contra o Ocidente, sendo considerado irresponsável por críticos. No entanto, diplomatas avaliam que seus discursos refletem parte do pensamento estratégico de Moscou. Enquanto isso, a Rússia não demonstrou sinais de que atenderá ao ultimato americano, tendo apresentado seus próprios termos para a paz, considerados inaceitáveis por Kiev.

Internacional

Idealizador da Lei Magnitsky contesta aplicação da norma contra ministro Alexandre de Moraes

William Browder afirma que magistrado brasileiro não se enquadra nas categorias previstas pela legislação criada para punir violadores de direitos humanos e cleptocratas.

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O investidor britânico William Browder, responsável pela criação da Lei Magnitsky, manifestou publicamente sua discordância com a decisão do governo americano de aplicar a legislação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em publicação na plataforma X na quarta-feira (30), Browder declarou que “passou anos lutando para que a Lei Magnitsky fosse aprovada, para acabar com a impunidade contra abusadores graves de direitos humanos e cleptocratas”, mas que, segundo seu conhecimento, “o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias”.

A manifestação de Browder ocorreu horas após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra Moraes, acusando-o de abuso de autoridade e perseguição ilegal a cidadãos e empresas brasileiras e americanas. As medidas incluem o bloqueio de bens do ministro em território americano e possíveis restrições à sua entrada no país, além de limitações ao uso de redes sociais com sede nos Estados Unidos, como Facebook e Instagram.

A Lei Magnitsky foi criada em memória do advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu em 2009 após ser preso, torturado e ter tratamento médico negado em uma prisão russa. Magnitsky trabalhava para Browder e havia descoberto um esquema de fraude envolvendo o desvio de 230 milhões de dólares em impostos estatais por funcionários do governo russo. A primeira versão da lei, aprovada em 2012, focava exclusivamente em cidadãos russos.

Em 2016, os Estados Unidos expandiram o alcance da legislação com a Lei Global Magnitsky, que permite ao governo americano impor sanções administrativas contra estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção em qualquer lugar do mundo, sem necessidade de processo judicial. Desde então, outros países como Canadá, Reino Unido, países bálticos, União Europeia e Austrália aprovaram versões similares da norma.

A crítica de Browder à aplicação da lei contra Moraes representa um questionamento inédito do próprio idealizador sobre o uso da legislação que ajudou a criar. O investidor, que atualmente lidera uma campanha global por justiça Magnitsky, tem trabalhado para que legislações semelhantes sejam aprovadas em outros países, incluindo Nova Zelândia e Japão. Sua posição contrária à sanção contra o ministro brasileiro sugere uma preocupação com possível desvirtuamento dos propósitos originais da lei.

Brasil, Economia, Internacional

Montanha teria parido um rato?

O tarifaço de Trump contra o Brasil revela extensa lista de exceções que deve reduzir significativamente o impacto da medida.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que oficializa a imposição de uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% de sobretaxa. A medida, que entra em vigor no dia 6 de agosto, foi apresentada como um “tarifaço” capaz de impactar significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano.

No entanto, a análise detalhada do decreto revela uma realidade bem diferente do que o anúncio inicial sugeria. O governo americano decidiu deixar uma extensa série de itens sem cobrança, criando uma lista de exceções que pode representar um alívio considerável para importantes setores da economia brasileira.

Entre os produtos que permanecerão livres da sobretaxa estão itens fundamentais para o comércio bilateral, como suco de laranja, combustíveis, veículos, peças de aeronaves e diversos tipos de metais e madeira. As exceções abrangem desde artigos de aeronaves civis – incluindo motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo – até veículos de passageiros como sedans, SUVs, minivans e caminhões leves.

O setor energético também foi amplamente contemplado nas exceções. Diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e seus derivados, como querosene, óleos lubrificantes, parafina e até energia elétrica, não serão afetados pela nova alíquota. Da mesma forma, fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira permanecem isentos da tarifa adicional.

A lista de exceções se estende ainda a produtos agrícolas estratégicos, como castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, além de madeira tropical serrada e polpa de madeira. Metais e minerais específicos, incluindo silício, ferro-gusa, alumina, estanho e metais preciosos como ouro e prata, também ficaram de fora da sobretaxa.

Brasil, Internacional

EUA aplicam Lei Magnitsky contra ministro Alexandre de Moraes em novo ataque à soberania brasileira

Sanções ocorrem após articulação de Eduardo Bolsonaro e visam defender impunidade de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado, além de interesses das big techs contrárias à regulação no país.

Imagem: Reprodução

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em mais um episódio que configura ataque direto à soberania brasileira, para além do tarifaço já anunciado. A medida, que prevê bloqueio de bens e proibição de transações financeiras, foi celebrada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde março articulando pressões contra autoridades brasileiras.

As sanções foram justificadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro norte-americano com alegações de que Moraes teria utilizado seu cargo para “autorizar detenções arbitrárias preventivas e suprimir a liberdade de expressão”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou o ministro de conduzir uma “caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”, incluindo processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A articulação para as sanções foi confirmada pelo comentarista de extrema-direita Paulo Figueiredo, que revelou ter solicitado junto com Eduardo Bolsonaro que as medidas começassem exclusivamente por Moraes. A estratégia busca pressionar outros ministros do STF, como Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, que também estariam na mira do Departamento de Estado americano. Segundo Figueiredo, houve sinalização da Casa Branca de que Moraes seria o primeiro nome incluído na lista de sancionados.

Os efeitos práticos das sanções podem ser devastadores para qualquer pessoa física ou jurídica atingida pela medida. Além do bloqueio de ativos nos Estados Unidos, a inclusão na lista provoca bloqueio automático em bancos que operam com dólar, perda de contas em instituições financeiras, além do cancelamento de cartões de crédito. O precedente do banco francês BNP Paribas, multado em US$ 8,9 bilhões por descumprir a Lei Magnitsky, demonstra a severidade das consequências.

O timing das sanções não é coincidência. Elas ocorrem às vésperas da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que começam a valer na sexta-feira (1º). Fontes do governo brasileiro avaliam que os interesses das big techs, como Alphabet (Google), Meta (Facebook) e X (antigo Twitter), são elemento central na decisão de Trump de pressionar o Brasil, dado o grau de influência das empresas do Vale do Silício junto à Casa Branca.

Internacional

Aprovação de Trump registra pior desempenho do segundo mandato, diz pesquisa

Pesquisa Reuters/Ipsos aponta 40% de aprovação presidencial em meio a controvérsias sobre caso Jeffrey Epstein.

Imagem: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente americano Donald Trump enfrenta o menor índice de aprovação desde o início de seu segundo mandato, com 40% dos entrevistados avaliando positivamente sua gestão, segundo levantamento da Reuters/Ipsos divulgado nesta segunda-feira. A pesquisa, realizada entre os dias 25 e 27 de julho com 1.023 adultos americanos, apresenta margem de erro de três pontos percentuais e revela uma queda de um ponto em relação ao levantamento anterior.

A desaprovação do governo Trump subiu de 54% para 56% no período analisado, refletindo um cenário de crescente polarização política no país. O declínio nos números presidenciais ocorre em um momento delicado, marcado pela pressão pública para que a administração divulgue arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, investigação que envolve um esquema de abuso sexual e tem gerado desgaste político significativo.

O cenário de declínio na aprovação presidencial reflete as tensões políticas que marcam o atual momento da administração Trump. A controvérsia em torno do caso Jeffrey Epstein tem se mostrado um fator determinante para o desgaste da imagem presidencial, criando um ambiente de pressão constante sobre o governo federal.

A divisão partidária permanece como característica marcante da avaliação presidencial americana. Entre os republicanos, Trump mantém sólidos 83% de aprovação, contrastando drasticamente com os apenas 3% registrados entre democratas. Os eleitores independentes, grupo frequentemente decisivo nas eleições americanas, aprovam o presidente em cerca de um terço dos casos, indicando um eleitorado ainda indeciso sobre a gestão atual.

Os resultados da pesquisa Reuters/Ipsos evidenciam um país profundamente dividido em suas percepções políticas, cenário que pode influenciar significativamente as dinâmicas eleitorais futuras. A manutenção de altos índices de desaprovação, combinada com a polarização partidária extrema, sugere desafios consideráveis para a administração Trump na construção de consensos políticos e na ampliação de sua base de apoio popular.

Internacional

Depois da França, Reino Unido sinaliza que pode reconhecer o Estado da Palestina

Entretanto, o Primeiro-ministro Keir Starmer estabelece quatro exigências ao governo israelense para evitar reconhecimento do Estado palestino em setembro.

Imagem: Reprodução

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou nesta terça-feira (29) que o Reino Unido reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, a menos que Israel cumpra uma série de condições consideradas improváveis pelo governo israelense. O anúncio foi feito após uma reunião de emergência do gabinete britânico e representa uma mudança significativa na postura do país sobre o conflito no Oriente Médio.

As quatro exigências impostas por Starmer ao governo israelense incluem o fim da “situação terrível” em Gaza, o estabelecimento de um cessar-fogo com o Hamas, a garantia de que não haverá anexações na Cisjordânia e o compromisso com um processo de paz de longo prazo que resulte na solução de dois Estados. O primeiro-ministro britânico justificou a decisão citando o agravamento da crise humanitária em Gaza e o enfraquecimento das perspectivas de paz na região.

A medida surge uma semana após o presidente francês Emmanuel Macron ter anunciado que a França reconhecerá o Estado palestino em setembro, tornando-se a primeira grande potência ocidental a tomar essa decisão. Atualmente, 146 países reconhecem o Estado da Palestina, incluindo o Brasil desde 2010. O movimento britânico intensifica a pressão internacional sobre Israel em meio ao agravamento da situação humanitária em Gaza, onde a ONU alerta que “o pior cenário de fome está atualmente em curso”.

O governo israelense reagiu imediatamente ao anúncio britânico, classificando a medida como uma “recompensa para o Hamas” que prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo e a libertação dos reféns. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia rejeitado anteriormente a solução de dois Estados, afirmando em julho que qualquer estado palestino independente seria uma “plataforma para destruir Israel”. Na semana passada, o Parlamento israelense aprovou uma moção favorável à aplicação da soberania israelense sobre a Cisjordânia.

Starmer enfatizou que as exigências ao Hamas permanecem inalteradas: libertação de todos os reféns israelenses, aceitação de um cessar-fogo, renúncia ao controle de Gaza e desarmamento completo. O primeiro-ministro britânico destacou que a decisão faz parte de um plano de paz em oito etapas desenvolvido pelo governo e que nenhuma das partes terá poder de veto sobre a posição final do Reino Unido. A reação doméstica foi mista, com parlamentares trabalhistas apoiando a medida enquanto conservadores criticaram o que consideram uma concessão ao terrorismo.

Brasil, Internacional

Deputada Carla Zambelli é presa na Itália

Parlamentar de extrema-direita foi localizada em apartamento em Roma após meses foragida da Justiça brasileira.

Imagem: Lula Marques/agência Brasil

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) na Itália, conforme informações divulgadas pelo deputado italiano Angelo Bonelli e confirmadas pelo Ministério da Justiça brasileiro. A parlamentar estava foragida desde junho, quando fugiu para o país europeu após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal.

Zambelli foi localizada em um apartamento na capital italiana, Roma. O deputado Angelo Bonelli anunciou a operação em suas redes sociais, declarando que havia informado o endereço às autoridades policiais. “Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Informei o endereço à polícia e, neste momento, os policiais estão identificando Zambelli”, escreveu o parlamentar italiano em sua conta no X.

A condenação que motivou a fuga da deputada foi proferida pelo STF, que a sentenciou a dez anos de prisão e à perda do mandato parlamentar. O crime pelo qual foi condenada envolve a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação realizada em parceria com o hacker Walter Delgatti.

A fuga de Zambelli para a Itália ocorreu no início de junho, logo após a confirmação da sentença condenatória. A escolha do país não foi casual: a deputada possui cidadania italiana, o que inicialmente dificultou os procedimentos de extradição solicitados pelo governo brasileiro.

Desde a fuga da parlamentar, as autoridades brasileiras vinham tentando sua extradição, processo que até então não havia obtido sucesso. A prisão desta terça-feira representa um avanço significativo nas negociações diplomáticas entre Brasil e Itália para o cumprimento da decisão judicial brasileira.

Brasil, Economia, Internacional

Lula aceita conversar com Trump sobre tarifaço, mas diretamente

Presidente brasileiro só fará ligação se for atendido pessoalmente pelo americano.

Imagem: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra abertura para estabelecer diálogo direto com Donald Trump sobre as tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a conversa telefônica entre os dois líderes só acontecerá se o presidente americano atender pessoalmente a ligação, sem intermediários.

A proposta de contato partiu de senadores brasileiros, mas o ambiente no governo federal é de ceticismo. Auxiliares de Lula avaliam que a Casa Branca pretende iniciar negociações apenas após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como estratégia para fortalecer sua posição nas tratativas.

O governo brasileiro enfrenta dificuldades para estabelecer canais de comunicação com o núcleo político da administração Trump. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas do governo americano, o Planalto relata que as portas permanecem fechadas para um diálogo efetivo.

Um interlocutor próximo ao presidente brasileiro reafirmou que o país mantém disposição para negociar, mas estabeleceu limites claros. “A soberania não é negociável”, declarou a fonte, sinalizando que o Brasil rejeita qualquer interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas nacionais como o Pix.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nos Estados Unidos no domingo para cumprir agenda na ONU, mas pode seguir para Washington caso haja sinais de abertura americana. As tarifas anunciadas por Trump afetarão cerca de 10 mil empresas brasileiras que empregam aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no país.

Brasil, Internacional

The Economist classifica medidas de Trump contra o Brasil como interferência histórica na América Latina

Revista britânica considera ações americanas uma das maiores ingerências na região desde a Guerra Fria.

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A revista britânica The Economist classificou as recentes medidas dos Estados Unidos contra o Brasil como uma “chocante agressão”, considerando-as uma das maiores interferências americanas na América Latina desde o período da Guerra Fria. As ações incluem a implementação de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras e a suspensão dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a publicação, o gatilho para as ações do presidente Donald Trump parece ter sido a cúpula dos Brics realizada no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho. A revista destaca que Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são “inimigos ideológicos”, e que apoiadores do líder americano criticam há muito tempo a investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes sobre desinformação nas redes sociais.

O STF respondeu às pressões americanas com medidas restritivas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora usa tornozeleira eletrônica e está impedido de utilizar redes sociais. A The Economist classificou essa resposta como “agressiva também”, reconhecendo a escalada de tensões entre os dois países.

Contrariando as expectativas, as medidas de Trump estão gerando um efeito oposto ao pretendido, fortalecendo o apoio a Lula no Brasil. O índice de aprovação do presidente brasileiro, que vinha em declínio, apresentou melhora, e ele agora lidera as pesquisas para as eleições do próximo ano.

O Congresso brasileiro, tradicionalmente controlado por partidos de direita, se uniu em torno de Lula e está considerando tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos. Essa união política inesperada demonstra como as ações americanas estão produzindo resultados contrários aos objetivos de Trump.

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