Famílias Benvindo e Araquan celebram 10 anos de paz

urbana4_1Os resquícios do sangue derramado naquelas terras do Sertão pernambucano ainda sobrevivem. Se a paz selada entre os clãs Benvindo e Araquan já se prolonga por dez anos nas ruas, ainda restam contas a serem acertadas na Justiça. Muitos dos processos contra membros das famílias envolvidas em uma guerra que aconteceu por 14 anos e matou cerca de 150 pessoas ainda precisam ser julgados nas comarcas de Belém de São Francisco e de Cabrobó. Os dois municípios foram palco para os assassinatos supostamente em nome da honra, assaltos e plantio de maconha na época.

Na última quinta-feira, representantes das famílias se encontraram com o juiz José Roberto Alves, de Belém de São Francisco, para pedir agilidade no andamento dos processos, a maioria de homicídios. Eles solicitaram, também, que os julgamentos aconteçam nas próprias comarcas de origem e não sejam desaforados para outros municípios, como está prestes a acontecer. Hoje, às 15h, será celebrada uma missa em Belém de São Francisco para lembrar os dez anos do pacto de paz selado entre as famílias. Acordo foi fechado no dia 20 de novembro de 2000, no fórum de Salgueiro. Na época, o fato foi visto com descrédito pela população da região.

Fonte: Diário de Pernambuco

2 comentários em “Famílias Benvindo e Araquan celebram 10 anos de paz”

  1. Realmente não tivemos vencedores
    nem perdedores fomos apenas vítmas das artimanhas de satanáz.
    mais DEUS com sua rica misericórdia nos concedeu a paz,
    pedimos agora a compreensão das autoridades nos julgamentos
    dos processos para que posssamos criar nossos filhos em paz.

  2. Esse conflito aconteceu há quase trinta anos atrás, era outra época, outro contexto social… As sociedades Belemita e Cabroboense encontravam-se ainda muito influenciadas pelo sistema coronelista, pelo descrédito do poder judiciário que sofria interferências dos poderes administrativos e, pela própria cultura do sertão, que como sabemos ficou esquecido durante longos anos pela política do café com leite; obrigando o homem sertanejo muitas vezes a criar suas próprias leis e resolver pessoalmente os conflitos sociais, a exemplo do caso Lampião…

    Sou belemita e morei em Cabrobó durante esse período. Portanto conheço não só a história, como também todos os líderes da Paz, Vavá Araquãn, Barná Russo, Pêo de Cláudio e José Neto; GRANDES HOMENS, que apesar das origens simples do campo nos dão show de civilização, ética, respeito, honestidade. Com certeza, exemplos para os jovens.

    Seria interessante agora que o Estado atendesse, através do poder judiciário às reivindicações de celeridade nos processos, que aliás, é um princípio processual. Contribuindo assim, para que todos possam ultrapassar essa etapa e dar continuidade às suas vidas. Afinal nessa história não houve vencidos e vencedores, foram todos vítimas da má organização do Estado Brasileiro.

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