Em que resultou as acareações de réus acusados de trama golpista realizadas pelo STF?

Mauro Cid e Braga Netto mantiveram versões conflitantes sobre entrega de dinheiro, enquanto Torres e Freire Gomes divergiram sobre minuta golpista; nada de novo surgiu, aparentemente.

Foto: Cristiano Mariz

O Supremo Tribunal Federal realizou nesta terça-feira (24) duas acareações no âmbito da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022. Os procedimentos, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, colocaram frente a frente personagens centrais da trama golpista para esclarecer contradições em seus depoimentos.

A primeira acareação, que durou mais de uma hora e meia, confrontou o tenente-coronel Mauro Cid, delator da operação, com o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil. O ponto central da divergência foi a alegada entrega de dinheiro em espécie no Palácio da Alvorada. Cid reafirmou ter recebido de Braga Netto uma sacola com dinheiro em embalagem de vinho, estimando o valor pelo peso do pacote lacrado.

Braga Netto negou categoricamente a entrega de qualquer quantia e manteve sua versão de que apenas encaminhou ao Partido Liberal um pedido de recursos feito por Cid. Segundo o general, o pedido foi recusado pelo tesoureiro do partido, coronel Azevedo, e ele não providenciou alternativa. A contradição entre os dois permaneceu inalterada após o confronto direto.

Na segunda acareação, que durou cerca de uma hora, foram confrontados Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. O foco foi a minuta golpista encontrada na residência de Torres, que previa a decretação de estado de sítio e ações de Garantia da Lei e da Ordem.

Freire Gomes confirmou que o documento era “semelhante” ao apresentado por Bolsonaro em reunião de 7 de dezembro de 2022, quando o ex-presidente teria exposto o plano golpista aos comandantes das Forças Armadas. O general esclareceu que não se tratava de documentos idênticos, mas com conteúdo similar sobre os mesmos temas.

Torres manteve sua defesa de que o documento foi entregue em seu gabinete no Ministério da Justiça e que eventualmente levava pastas para casa, negando ter tratado do teor com qualquer pessoa. Freire Gomes reiterou que Torres jamais incentivou atos fora da legalidade em sua presença, distinguindo as discussões sobre GLO por questões de segurança das conversas golpistas posteriores.

As acareações foram realizadas a pedido das defesas dos réus, em audiências fechadas por determinação de Moraes para evitar pressões indevidas, mas as atas completas dos procedimentos serão tornadas públicas. Os réus da ação penal, incluindo Bolsonaro, aguardam o prosseguimento da instrução processual que pode resultar em condenações por tentativa de golpe de Estado.

Em suma, apesar dos relatos aparentemente bravateiros principalmente das defesas dos implicados, tanto de Braga Netto e Anderson Torres quanto de Mauro Cid, nenhum fato novo teria surgido, continuando tudo como antes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima