Trump agora ataca até o Pix; o que está por trás?
Sistema de pagamentos brasileiro entra na mira de investigação comercial dos EUA que questiona supostas práticas desleais do governo Lula.

O governo americano abriu uma investigação comercial contra o Brasil que inclui críticas ao Pix, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. O documento oficial do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) alega que o país “parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, a promoção de seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.
A investigação, conduzida por Jamieson Greer sob direção de Donald Trump, vai além do Pix e abrange áreas como comércio eletrônico, tecnologia, tarifas de importação e desmatamento. O representante americano afirmou que está “lançando uma investigação da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas de mídia social americanas, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”.
O Pix se tornou um fenômeno no Brasil, respondendo por mais de 40% de todos os pagamentos no país e sendo usado por mais de 90% da população adulta. O sistema movimenta 20% de todo o volume transacional brasileiro e registrou crescimento de 52% em 2024. Esse sucesso, no entanto, representa uma ameaça direta às empresas americanas como Visa, Mastercard e American Express, que veem suas participações no mercado brasileiro sendo corroídas pelo sistema gratuito e instantâneo.
A reação das gigantes americanas de pagamento já é visível. A Visa criou uma nova empresa, a “Visa Conecta”, especificamente para competir com o Pix, enquanto tanto a Visa quanto a Mastercard investem pesadamente em soluções como Visa Direct e Mastercard Move para tentar recuperar terreno perdido. As transações com Pix já representam mais de 35% das plataformas de e-commerce, e os cartões de débito devem registrar crescimento de apenas 0,4% a 0,7% em 2024.
A investigação americana também critica outros aspectos da economia brasileira, incluindo a famosa rua 25 de Março em São Paulo, apontada como centro de produtos falsificados, e questões relacionadas à pirataria, desmatamento e práticas anticorrupção. A medida tem potencial de gerar danos adicionais à economia brasileira e traz riscos de novas sanções, consideradas de difícil reversão. Uma audiência pública sobre o caso está marcada para 3 de setembro de 2025.










