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Desemprego no Brasil atinge o menor nível da história e renda do trabalhador registra alta

No trimestre encerrado em julho, a taxa de desocupação recuou para 5,6%, o menor índice já registrado, enquanto o rendimento médio do brasileiro alcançou o maior valor da série histórica.

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O mercado de trabalho brasileiro apresentou em julho um cenário de notável aquecimento. A taxa de desemprego atingiu 5,6%, o patamar mais baixo desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O índice representa uma melhora significativa em relação aos 6,8% registrados no mesmo período do ano anterior.

A população ocupada alcançou a marca recorde de 102,4 milhões de pessoas, consolidando o bom momento do setor. O emprego com carteira assinada chegou a 39,1 milhões de trabalhadores, o maior volume já registrado pela pesquisa. Apenas 6,12 milhões de pessoas buscam uma vaga no mercado, o menor contingente desde o final de 2013.

A informalidade apresentou um leve recuo para 37,8%, embora ainda represente um desafio estrutural. O contingente de trabalhadores por conta própria atingiu um número recorde, com 25,9 milhões de pessoas. Segundo analistas do IBGE, o crescimento da parcela informal foi marginal, enquanto o emprego formal continuou a se expandir.

A população subutilizada, que engloba trabalhadores com carga horária insuficiente e desalentados, diminuiu para 16,1 milhões de pessoas. Essa redução de 12,4% em um ano sinaliza maior otimismo na busca por colocação profissional. O número de pessoas que desistiram de procurar emprego caiu para 2,7 milhões, representando 475 mil pessoas a menos nessa condição.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores alcançou R$ 3.484, o maior valor de toda a série histórica da Pnad. Esse crescimento de 3,8% em um ano representa um aumento no poder de compra da população. Combinado com a expansão da ocupação, o resultado contribui para o fortalecimento da economia e a melhoria das condições de vida das famílias brasileiras.

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IPCA registra primeira deflação em um ano

Com o resultado, embora o acumulado em 12 meses supere a meta, cenário indica arrefecimento dos preços, influenciado por fatores sazonais e políticas de incentivo.

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A economia brasileira registrou um momento de alívio para o bolso dos consumidores em agosto, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, apresentando uma queda de 0,11%. Essa é a primeira deflação registrada no período de um ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, embora positivo, ficou um pouco aquém das expectativas do mercado, que projetava uma retração de 0,15%.

Apesar da queda pontual, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ainda se mantém em 5,13%, patamar superior ao centro da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No acumulado de 2025, a alta é de 3,15%. O cenário, no entanto, sinaliza uma tendência de desaceleração, que pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a sazonalidade de alguns produtos e o impacto de medidas de incentivo fiscal.

O principal responsável pela deflação em agosto foi o grupo Habitação, que teve uma retração de 0,90%, o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. A queda foi impulsionada pela redução de 4,21% na conta de energia elétrica residencial, beneficiada pela aplicação do Bônus de Itaipu. O setor de Transportes também contribuiu para o resultado, com uma queda de 0,27%, puxada pela diminuição nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis.

O grupo de Alimentação e Bebidas, que possui o maior peso no cálculo do IPCA, registrou o terceiro recuo consecutivo, com uma queda de 0,46%. A alimentação no domicílio ficou 0,83% mais barata, com destaque para a redução nos preços de itens como tomate, batata-inglesa, cebola, arroz e café. Por outro lado, a alimentação fora de casa, embora ainda em alta, mostrou uma desaceleração no ritmo de crescimento.

Na contramão da tendência de queda, alguns grupos apresentaram alta nos preços, com destaque para Educação, que subiu 0,75%, impulsionado por reajustes em cursos regulares, especialmente no ensino superior. Os grupos Vestuário, Saúde e cuidados pessoais e Despesas pessoais também registraram aumento, pressionados por fatores como o reajuste de jogos de azar e a alta nos preços de planos de saúde e de alguns itens de vestuário.

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Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 6,1 bilhões em agosto

Mesmo com sobretaxa dos EUA, exportações impulsionam resultado positivo, enquanto importações recuam no período.

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A balança comercial do Brasil alcançou um superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, um crescimento de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), reflete a resiliência do comércio exterior brasileiro mesmo diante de um cenário desafiador, marcado pela imposição de sobretaxas pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

As exportações brasileiras totalizaram US$ 29,861 bilhões no período, impulsionadas principalmente pelo desempenho da agropecuária e da indústria extrativista. Em contrapartida, as importações registraram uma queda de 2%, atingindo US$ 23,728 bilhões. A redução foi influenciada pela diminuição na compra de bens de capital e de consumo.

No acumulado do ano, o saldo positivo da balança comercial chega a US$ 42,812 bilhões, com as exportações somando US$ 227,583 bilhões e as importações, US$ 184,771 bilhões. O saldo corrente de comércio nos primeiros oito meses do ano atingiu a marca de US$ 412,354 bilhões.

O comércio com os Estados Unidos, no entanto, sentiu os efeitos das novas tarifas. As exportações para o país norte-americano caíram 18,5% em agosto, totalizando US$ 4,027 bilhões. Em contrapartida, as importações de produtos americanos subiram 4,6%, chegando a US$ 3,99 bilhões.

A sobretaxa de 50% imposta pelos EUA desde o início de agosto atinge uma variedade de produtos brasileiros, como café, carnes e frutas. A medida, justificada por razões políticas pelo governo americano, adiciona uma camada de complexidade às relações comerciais entre os dois países.

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Soja brasileira consolida domínio no mercado chinês em meio à guerra comercial

Exportações do Brasil crescem 13,9% em julho enquanto produtores americanos pedem socorro a Trump diante do colapso nas vendas.

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A soja brasileira está consolidando sua posição dominante no mercado chinês, aproveitando-se das tensões comerciais entre Estados Unidos e China que resultaram em tarifas punitivas sobre o grão americano. Dados divulgados pela Administração Geral de Alfândega da China mostram que as exportações brasileiras para o país asiático cresceram 13,9% em julho, atingindo 10,39 milhões de toneladas e representando 89% de todas as importações chinesas do produto no período.

O cenário contrasta drasticamente com a situação dos produtores americanos, que viram suas vendas para a China despencarem 11,5% no mesmo período, totalizando apenas 420,87 mil toneladas. A diferença é tão gritante que a principal entidade de sojicultores dos Estados Unidos, a American Soybean Association (ASA), enviou uma carta de socorro ao presidente Donald Trump, alertando que os produtores estão “à beira de um precipício comercial e financeiro”.

A mudança na dinâmica comercial representa uma ruptura histórica no mercado global de soja. Tradicionalmente, o Brasil abastecia a China no primeiro semestre do ano, enquanto os Estados Unidos dominavam as vendas no segundo semestre. Essa lógica foi completamente alterada pela guerra comercial iniciada durante o primeiro mandato de Trump, que resultou em tarifas de retaliação de 20% impostas pela China sobre a soja americana.

Os números revelam a extensão da transformação: enquanto no acumulado de janeiro a julho o Brasil exportou 42,26 milhões de toneladas para a China, os Estados Unidos conseguiram vender apenas 16,57 milhões de toneladas. Mais preocupante para os americanos é o fato de que a China não realizou nenhuma pré-compra da próxima safra dos EUA, um atraso incomum que pode custar bilhões de dólares aos exportadores norte-americanos.

A carta da ASA a Trump é um documento revelador da desesperança do setor. A entidade destaca que a China, responsável por 61% de todas as importações globais de soja nos últimos cinco anos, está sistematicamente evitando compras americanas e contratando volumes necessários com o Brasil. “Nossos clientes de longa data na China têm recorrido aos nossos concorrentes na América do Sul”, admite o documento.

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Como 0,1% dos super-ricos do Brasil acumulou mais renda que 80 milhões de pessoas

Estudo com base no Imposto de Renda revela salto na desigualdade entre 2017 e 2023; 0,1% mais rico já ganha mais que os 50% mais pobres

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O Brasil viveu, entre 2017 e 2023, uma intensificação inédita da concentração de renda, especialmente entre os brasileiros super-ricos. Segundo estudo publicado no site FiscalData, com base nas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), o grupo dos 0,1% mais ricos — cerca de 160 mil pessoas — capturou 85% do crescimento da renda no período.

A análise técnica elaborada pelos pesquisadores e economistas Sérgio Wulff Gobetti, Priscila Kaiser Monteiro e Frederico Nascimento Dutra mostra que a renda média da população adulta brasileira cresceu 1,4% ao ano acima da inflação. Já os super-ricos tiveram ganhos muito acima disso:

  • Top 1% (1,6 milhão de pessoas): crescimento anual de 4,4%;
  • Top 0,1%: alta de 6,9% por ano; e
  • Top 0,01%: avanço de 7,9% ao ano — mais que o crescimento médio da economia chinesa no mesmo período.

Essa aceleração nos ganhos do topo da pirâmide elevou a parcela da renda apropriada pelo 1% mais rico de 20,4% para 24,3%, um recorde na série histórica da Receita Federal (iniciada em 2006). O 0,1% mais rico, por sua vez, passou a deter 12,5% da renda, mais do que os 50% mais pobres, que dividiram apenas 10% do total.

Super-ricos faturam com lucros e dividendos isentos, não com trabalho

A principal explicação para essa concentração está fora do contracheque: lucros e dividendos distribuídos por empresas, que são isentos de Imposto de Renda. Segundo o estudo, 66% do aumento da renda do 0,1% mais rico veio desses lucros, não do trabalho. Os super-ricos ganham, segundo os pesquisadores, R$ 516 mil por mês em média.

Ao mesmo tempo, a renda oriunda de salários e benefícios caiu entre os super-ricos, sinalizando um processo de pejotização — quando profissionais altamente qualificados abrem empresas para receber sua remuneração como pessoa jurídica, pagando menos imposto.

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Desemprego recua em 18 estados brasileiros no segundo trimestre

Taxa nacional atinge menor patamar da série histórica iniciada em 2012, segundo dados do IBGE.

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O desemprego diminuiu em 18 estados brasileiros no segundo trimestre de 2025, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas outras nove unidades da federação, o índice permaneceu estável, apresentando oscilações menos significativas na comparação com o primeiro trimestre do ano.

A taxa média nacional de desemprego ficou em 5,8% no segundo trimestre, representando uma queda em relação aos 7% registrados no primeiro trimestre de 2025. Este resultado marca o menor índice para o período desde o início da série histórica em 2012, sinalizando uma recuperação consistente do mercado de trabalho brasileiro.

Entre os estados com as menores taxas de desemprego destacam-se Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%). No extremo oposto, Pernambuco apresentou a maior taxa (10,4%), seguido por Bahia (9,1%) e Distrito Federal (8,7%). Os estados que mantiveram estabilidade incluem Pernambuco, Distrito Federal, Sergipe, Acre, Roraima, Tocantins, Paraná, Mato Grosso e Rondônia.

A pesquisa também revelou disparidades significativas entre diferentes grupos demográficos. O desemprego foi maior entre as mulheres (6,9%) do que entre os homens (4,8%). Por cor ou raça, os índices ficaram abaixo da média nacional entre brancos (4,8%) e acima entre pretos (7,0%) e pardos (6,4%).

O nível de escolaridade mostrou-se um fator determinante nas taxas de desocupação. Pessoas com ensino superior completo registraram apenas 3,2% de desemprego, enquanto aquelas com superior incompleto apresentaram 5,9%. A diferença se torna ainda mais acentuada quando considerada a série histórica, que mostra que trabalhadores sem ensino médio completo chegaram a enfrentar 22,7% de desemprego no segundo trimestre de 2021.

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Inflação de julho fica em 0,26% com alta da energia elétrica; preços de alimentos recuam

Alimentos registram segunda queda consecutiva e ajudam a conter pressão inflacionária.

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A inflação oficial brasileira registrou alta de 0,26% em julho, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima dos 0,24% registrados em maio, mas abaixo dos 0,38% de julho do ano passado. O principal responsável pela pressão inflacionária foi o aumento de 3,04% na energia elétrica residencial, que sozinha contribuiu com 0,12 ponto percentual para o índice do mês.

O acumulado da inflação em 12 meses chegou a 5,23%, mantendo-se fora do centro da meta estabelecida pelo governo, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A taxa permanece acima do teto de 4,5% desde setembro de 2024, embora tenha apresentado recuo em relação aos 5,35% registrados no período terminado em junho. O pico mais recente foi alcançado em abril, quando o índice chegou a 5,53%.

A alta na conta de luz decorreu principalmente da implementação da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que adiciona R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Essa cobrança extra, mantida desde junho, visa custear o acionamento de usinas termelétricas em períodos de baixa nos reservatórios das hidrelétricas. Reajustes regionais nas contas de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também contribuíram para a pressão no grupo habitação, que subiu 0,91% no mês.

Em contrapartida, o grupo alimentos e bebidas apresentou deflação de 0,27%, representando alívio de 0,06 ponto percentual no IPCA de julho. Esta foi a segunda queda consecutiva do setor, após recuo de 0,18% em junho, interrompendo uma sequência de nove meses de alta. Os destaques ficaram por conta da alimentação no domicílio, com quedas significativas na batata-inglesa (-20,27%), cebola (-13,26%) e arroz (-2,89%). Segundo cálculos do IBGE, sem o efeito da energia elétrica, a inflação de julho teria ficado em apenas 0,15%.

O setor de transportes registrou alta de 0,35%, impulsionada principalmente pelo aumento de 19,92% nas passagens aéreas devido à maior demanda no período de férias escolares. Por outro lado, os combustíveis apresentaram queda de 0,64%, com a gasolina recuando 0,51% pelo quarto mês consecutivo. O gerente da pesquisa do IBGE destacou que o resultado não reflete ainda os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que começaram a vigorar apenas em agosto.

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Trump “late mais do que morde” com tarifas ao Brasil, avalia The Economist

Revista britânica analisa que medidas têm motivação política e impacto econômico limitado.

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As tarifas de 50% impostas pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil representam mais uma demonstração de força política do que uma ameaça econômica real, segundo análise publicada pela revista britânica The Economist. A publicação classificou as medidas como “mais latido do que mordida”, destacando as contradições na política comercial americana e o impacto limitado sobre a economia brasileira.

A imposição das tarifas em 6 de agosto, foi justificada por Trump como retaliação ao que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta investigações por suposta tentativa de golpe. A medida expõe uma clara contradição na política externa americana, já que Trump havia criticado déficits comerciais bilaterais para justificar outras tarifas, mas os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil há mais de uma década.

O contexto político que motivou as tarifas ganhou contornos dramáticos com a prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes em 4 de agosto. A decisão judicial, que incluiu o uso de tornozeleira eletrônica, foi tomada após o ex-presidente supostamente descumprir medidas cautelares impostas por atuar para tentar embaraçar investigações sobre uma tentativa de golpe de estado.

Trump, que vê Bolsonaro como um aliado ideológico, reagiu às medidas judiciais brasileiras atacando o que chamou de “regime censurador ridículo” e defendendo seu “tratamento terrível” pelo sistema judicial brasileiro. A resposta americana incluiu não apenas as tarifas comerciais, mas também sanções do secretário de Estado Marco Rubio contra o juiz responsável pelo caso, utilizando a Lei Magnitsky Global.

Apesar do tom agressivo, o impacto econômico das medidas deve ser moderado. Cerca de 700 produtos brasileiros ficaram isentos das tarifas, incluindo aviões, petróleo, celulose e suco de laranja. Setores como café, carne bovina e frutas permanecem sob a alíquota integral, mas representam apenas 13% das exportações brasileiras totais, que hoje dependem menos do mercado americano do que no passado.

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China autoriza 183 empresas brasileiras a exportar café

Decisão coincide com imposição de tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro.

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A China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para seu mercado, em uma decisão que pode reconfigurar as rotas comerciais do grão brasileiro. O anúncio foi feito pela embaixada chinesa no Brasil na última quarta-feira (30), no mesmo dia em que os Estados Unidos oficializaram uma sobretaxa de 50% sobre o café brasileiro, válida a partir de 6 de agosto.

A autorização chinesa, com validade de cinco anos, surge em um momento estratégico para o setor cafeeiro brasileiro. Os Estados Unidos são atualmente o principal destino do café nacional, representando 23% das compras em 2024, enquanto a China ocupa apenas a décima posição no ranking de importadores. A coincidência temporal entre as duas medidas sugere uma possível oportunidade para diversificar os mercados de exportação.

O mercado chinês apresenta características distintas do americano, com um consumo per capita ainda baixo de apenas 16 xícaras por ano. No entanto, o café vem ganhando espaço no cotidiano dos consumidores chineses, refletindo-se no crescimento das importações. Entre 2020 e 2024, as importações líquidas de café da China aumentaram em 13 mil toneladas, sinalizando um potencial de expansão.

Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) alertam que a mudança nas rotas de exportação exigirá “agilidade logística e estratégia comercial” para evitar prejuízos ao setor. A adaptação às demandas do mercado chinês representa tanto uma oportunidade quanto um desafio para os exportadores brasileiros.

Enquanto o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) ainda busca reverter a taxação americana através de negociações, o setor já se prepara para diversificar seus destinos. A autorização chinesa pode servir como uma válvula de escape para parte da produção que seria direcionada aos Estados Unidos, amenizando os impactos da nova tarifa americana sobre a cadeia produtiva nacional.

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Montanha teria parido um rato?

O tarifaço de Trump contra o Brasil revela extensa lista de exceções que deve reduzir significativamente o impacto da medida.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que oficializa a imposição de uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% de sobretaxa. A medida, que entra em vigor no dia 6 de agosto, foi apresentada como um “tarifaço” capaz de impactar significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano.

No entanto, a análise detalhada do decreto revela uma realidade bem diferente do que o anúncio inicial sugeria. O governo americano decidiu deixar uma extensa série de itens sem cobrança, criando uma lista de exceções que pode representar um alívio considerável para importantes setores da economia brasileira.

Entre os produtos que permanecerão livres da sobretaxa estão itens fundamentais para o comércio bilateral, como suco de laranja, combustíveis, veículos, peças de aeronaves e diversos tipos de metais e madeira. As exceções abrangem desde artigos de aeronaves civis – incluindo motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo – até veículos de passageiros como sedans, SUVs, minivans e caminhões leves.

O setor energético também foi amplamente contemplado nas exceções. Diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e seus derivados, como querosene, óleos lubrificantes, parafina e até energia elétrica, não serão afetados pela nova alíquota. Da mesma forma, fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira permanecem isentos da tarifa adicional.

A lista de exceções se estende ainda a produtos agrícolas estratégicos, como castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, além de madeira tropical serrada e polpa de madeira. Metais e minerais específicos, incluindo silício, ferro-gusa, alumina, estanho e metais preciosos como ouro e prata, também ficaram de fora da sobretaxa.

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Lula aceita conversar com Trump sobre tarifaço, mas diretamente

Presidente brasileiro só fará ligação se for atendido pessoalmente pelo americano.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra abertura para estabelecer diálogo direto com Donald Trump sobre as tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros. Segundo fontes do Palácio do Planalto, a conversa telefônica entre os dois líderes só acontecerá se o presidente americano atender pessoalmente a ligação, sem intermediários.

A proposta de contato partiu de senadores brasileiros, mas o ambiente no governo federal é de ceticismo. Auxiliares de Lula avaliam que a Casa Branca pretende iniciar negociações apenas após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como estratégia para fortalecer sua posição nas tratativas.

O governo brasileiro enfrenta dificuldades para estabelecer canais de comunicação com o núcleo político da administração Trump. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas do governo americano, o Planalto relata que as portas permanecem fechadas para um diálogo efetivo.

Um interlocutor próximo ao presidente brasileiro reafirmou que o país mantém disposição para negociar, mas estabeleceu limites claros. “A soberania não é negociável”, declarou a fonte, sinalizando que o Brasil rejeita qualquer interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas nacionais como o Pix.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nos Estados Unidos no domingo para cumprir agenda na ONU, mas pode seguir para Washington caso haja sinais de abertura americana. As tarifas anunciadas por Trump afetarão cerca de 10 mil empresas brasileiras que empregam aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no país.

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Bullying de Trump contra Brasil sai pela culatra, diz Washington Post

Segundo o artigo publicado, a iniciativa acabou beneficiando politicamente o presidente Lula.

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Um artigo publicado neste domingo (20) pelo jornal americano The Washington Post afirma que a recente ofensiva do presidente Donald Trump contra o governo brasileiro tem provocado resultados opostos aos esperados por seus articuladores. A medida central da disputa – a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos – teria como objetivo pressionar o Judiciário brasileiro a interromper o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, segundo o texto, a iniciativa acabou beneficiando politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assinado pelo colunista Ishaan Tharoor, o artigo analisa a escalada diplomática entre os dois países e ressalta que o governo norte-americano não escondeu o real propósito da tarifa: retaliar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo processo contra Bolsonaro, e obter a suspensão das investigações. A pressão teria sido intensificada após uma campanha de lobby liderada por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que se encontra nos Estados Unidos.

Além da tarifa, a administração Trump revogou os vistos do ministro Moraes e de seus familiares. Em nota, o secretário de Estado Marco Rubio acusou o magistrado de promover perseguição política e censura. O Washington Post indica que a medida está inserida em um contexto de aproximação ideológica entre setores da direita norte-americana e o bolsonarismo.

A publicação relata que, ao contrário de outros países da região que cederam à pressão de Washington, o Brasil adotou postura firme. A economia brasileira, mais diversificada e robusta, teria permitido ao governo Lula explorar o episódio como demonstração de soberania. A reação do presidente incluiu manifestações públicas com críticas diretas a Trump e o uso de símbolos nacionalistas, como bonés com os dizeres “O Brasil pertence aos brasileiros”.

O artigo destaca também a resposta do STF. Moraes emitiu uma nova ordem judicial contra Bolsonaro, proibindo contatos com governos estrangeiros e determinando o uso de tornozeleira eletrônica, sob a acusação de incitar atos de desestabilização ao lado do filho Eduardo.

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Ipea: mais ricos deveriam pagar 14% para igualar à classe média

Percentual é maior que o proposto pelo governo, de 10%

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentou, nesta quinta-feira (17), a proposta de um Imposto Global Mínimo de 14% para aqueles que recebem mais de R$ 50 mil por mês. Com a cobrança, seria possível garantir a isenção do pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física para as pessoas com renda até R$ 5 mil por mês.

A alíquota apresentada na Carta de Conjuntura do Ipea é superior à proposta pelo governo no Projeto de Lei (PL) 1087/2025, que altera a legislação do imposto sobre a renda e está em tramitação no Congresso Nacional.

Para garantir a isenção da parcela da população que recebe menos, a proposta enviada pelo governo ao parlamento define a cobrança de uma alíquota progressiva, de até 10%, para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês. Apenas 2% dos contribuintes estão nessa situação. A alíquota máxima, de 10%, passará a ser cobrada das pessoas que ganham a partir de R$ 1,2 milhão por ano, os considerados super ricos, 0,7% dos contribuintes.

Além disso, Carvalho defende que essa alíquota deve incidir sobre a renda total, o que inclui dividendos, auxílios, reembolsos, restituições, bônus, prêmios de seguro, entre outras fontes atualmente isentas daqueles com renda superior a R$ 50 mil por mês.

“A proposta que eu faço difere do PL, porque considera a renda total do contribuinte e não teria essas exclusões de auxílios, reembolsos, benefícios salariais indiretos, que seriam considerados na base de cálculo”, diz Carvalho.

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STF autoriza aumento do IOF, mas exclui operações de risco sacado

Ministro Alexandre de Moraes mantém decreto do governo após fracasso na conciliação entre Executivo e Congresso.

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (16) que volte a valer o decreto do governo federal que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A decisão foi tomada após uma audiência de conciliação entre governo e Congresso não chegar a um acordo, com nenhuma das partes cedendo durante a reunião realizada na véspera no STF.

O magistrado suspendeu apenas o trecho do decreto que tributava as chamadas operações de “risco sacado”, modalidade em que os bancos antecipam valores à vista para varejistas que venderam a prazo. Essa operação passou a pagar uma alíquota de 3,95% com o decreto governamental editado em maio, mas agora permanece isenta da cobrança do imposto.

A exclusão das operações de risco sacado representa um impacto significativo na arrecadação prevista pelo governo. A expectativa inicial era de que essa modalidade gerasse R$ 8 bilhões em receitas, valor que não será mais arrecadado. O próprio Ministério da Fazenda já havia identificado esse trecho como o mais controverso e que havia dificultado as negociações entre os poderes.

Em sua decisão, Moraes justificou que não houve desvio de finalidade no decreto do governo, uma vez que é atribuição constitucional do Poder Executivo editar regras sobre o IOF e a política monetária. O ministro argumentou que a inclusão da tributação sobre risco sacado, no entanto, extrapolaria as atribuições do governo federal, pois não há previsão legal para equiparar essa modalidade às operações de crédito tradicionais.

O ministro citou precedentes históricos para fundamentar sua decisão, lembrando que o STF já chancelou medidas semelhantes de governos anteriores, incluindo os de Jair Bolsonaro, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, que também ampliaram as alíquotas do IOF. A decisão liminar ainda será submetida ao plenário do STF, mas não há data definida para isso acontecer, uma vez que a Corte está em recesso até agosto. O Ministério da Fazenda manifestou satisfação com o resultado, considerando que a medida contribui para a retomada da harmonização entre os poderes.

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Câmara aprova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

Medida beneficiará 10 milhões de brasileiros e será compensada com taxação progressiva dos mais ricos.

Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) a proposta que isenta do Imposto de Renda pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil. O relatório apresentado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa, mantém os principais pontos do projeto enviado pelo governo federal, mas amplia alguns benefícios. A medida agora segue para votação no plenário, com previsão de análise em agosto, após o recesso parlamentar.

O texto aprovado vai além da proposta original do Executivo, que previa isenção parcial para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7 mil mensais. Lira elevou o teto da faixa de isenção parcial para R$ 7.350, beneficiando adicionalmente cerca de 500 mil contribuintes. Com a mudança, aproximadamente 10 milhões de brasileiros ficarão isentos do pagamento do imposto, representando uma economia individual estimada em R$ 4.356,89 por ano.

Para compensar a perda de arrecadação, calculada em R$ 25,5 bilhões anuais, o relatório estabelece uma tributação progressiva sobre os contribuintes de alta renda. A nova regra prevê uma taxa mínima para quem recebe a partir de R$ 600 mil por ano, com alíquotas que podem chegar a 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão anuais. Como exemplo prático, uma pessoa com renda anual de R$ 900 mil pagará 5% de imposto, equivalente a R$ 45 mil.

A medida atinge diretamente a população mais rica do país, que representa apenas 0,13% dos brasileiros – cerca de 141,4 mil pessoas. Atualmente, esse grupo paga uma alíquota média de 2,54%, percentual considerado baixo quando comparado aos 27,5% pagos por trabalhadores assalariados de renda média. A nova tributação deve gerar uma arrecadação adicional de R$ 76,21 bilhões em três anos, segundo cálculos apresentados pelo relator.

As regras da isenção consideram a soma de todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte, incluindo salários, aluguéis e dividendos. Ficam de fora do cálculo os lucros com venda de bens, heranças, rendimentos da poupança, indenizações e aposentadorias por doença grave. O relatório também prevê que dividendos acumulados até 31 de dezembro deste ano permaneçam livres de tributação, evitando possíveis contestações judiciais. Para remessas de dividendos ao exterior, independentemente do valor, será aplicada uma taxa fixa de 10%.

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