Governo Trump intensifica ofensiva contra políticas públicas brasileiras com revogação de vistos de secretários ligados ao programa de saúde.

A escalada de ataques do governo americano contra iniciativas brasileiras ganhou um novo capítulo com as sanções impostas a funcionários do Ministério da Saúde ligados ao programa Mais Médicos. Após incluir o sistema de pagamentos Pix em uma investigação comercial contra o Brasil, alegando práticas desleais que prejudicam empresas americanas, a administração Trump agora volta suas críticas para a área da saúde pública.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e atual coordenador-geral para a COP30. O governo americano justifica as medidas alegando que ambos são cúmplices de “trabalho forçado do governo cubano” por meio do programa Mais Médicos, utilizando um falso pretexto para justificar as sanções.
A estratégia americana de atacar políticas públicas brasileiras bem-sucedidas segue o mesmo padrão observado com o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central brasileiro, foi incluído em uma investigação comercial dos Estados Unidos por supostamente favorecer o país em detrimento de empresas norte-americanas como Mastercard, Visa e Meta, dona do WhatsApp.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu com firmeza às sanções, declarando que “saúde e soberania não se negociam”. Em suas redes sociais, Padilha estabeleceu uma conexão direta entre os ataques ao Pix e as críticas ao Mais Médicos, afirmando que o programa “sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja”, assim como o sistema de pagamentos brasileiro.
O caso do Pix ilustra como os Estados Unidos utilizam alegações infundadas para pressionar o Brasil. Em 2020, o WhatsApp Pay foi suspenso pelo Banco Central e pelo Cade uma semana após seu lançamento, enquanto o Pix se desenvolvia. Quando o sistema brasileiro foi oficialmente lançado em novembro de 2020, tornou-se um sucesso entre os brasileiros, relegando o WhatsApp Pay ao fracasso mesmo após sua reativação em 2021.
Padilha destacou que o número de profissionais no Mais Médicos dobrou nos últimos dois anos, demonstrando a eficácia do programa que atende regiões remotas e vulneráveis do país. Criado em 2013 e retomado em 2023 como “Mais Médicos para o Brasil”, o programa expandiu para outras áreas da saúde, incluindo dentistas, enfermeiros e assistentes sociais, sempre priorizando profissionais brasileiros.
A postura firme do governo brasileiro diante das pressões americanas reflete a determinação em manter a autonomia nas políticas públicas, rejeitando interferências externas baseadas em alegações sem fundamento. “Seguiremos firmes em nossas posições: saúde e soberania não se negociam. Sempre estaremos do lado do povo brasileiro”, concluiu Padilha, reafirmando o compromisso com programas que beneficiam a população mais necessitada do país.
