Com Avon, Natura ganha o mundo sem partir do zero

A estratégia de expansão da Natura a partir da compra de rivais multinacionais permitiu à companhia acelerar um avanço internacional iniciado há mais de 35 anos.

A aquisição da Avon, anunciada na quarta-feira (22), cria um grupo com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões, 40 mil funcionários e presença em cem países.

A operação dá acesso à Natura a novos mercados com muito mais facilidade do que se a companhia fosse iniciar uma operação do zero, diz Renato Cotta, professor do Coppead, escola de negócios da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e que estuda internacionalização de empresas.

A simplificação ocorre pela possibilidade de aproveitar a estrutura da rival a ser incorporada, de um lado, e por ter uma competidora a menos no futuro, de outro, diz.

Também há ganhos ao incorporar a equipe e a experiência das competidoras.

Uma aquisição anterior da Natura, a da britânica The Body Shop, em 2017, ajudou a empresa a assimilar conhecimento sobre como vender a partir de lojas físicas, avalia Cotta.

Segundo relatório anual da Natura de 2018, a The Body Shop tem 2.900 lojas em 69 países. No mesmo período, a Natura tinha 45 lojas próprias em cinco países. No Brasil, a primeira foi aberta apenas em 2016, em São Paulo.

A rede de consultores que vendem os produtos da marca de porta em porta também deve crescer. Após a compra da Avon, serão 6,3 milhões deles. Segundo o relatório, eram 1,7 milhão em 2018.

Com a operação da semana passada, a Natura entra definitivamente para o ranking das companhias brasileiras mais internacionalizadas.

Fonte: Folha de S.Paulo