Tarifas comerciais e mudanças climáticas pressionam orçamento das famílias americanas com aumentos históricos nos alimentos básicos.

Os americanos estão enfrentando uma realidade amarga no supermercado: dois dos produtos mais consumidos no país nunca estiveram tão caros. A carne bovina atingiu preços recordes, com a carne para churrasco chegando a US$ 11,87 por libra (quase R$ 150 por quilo), enquanto a carne moída custa US$ 6,33 por libra (cerca de R$ 75 por quilo). Ao mesmo tempo, o café brasileiro pode saltar dos atuais US$ 15,99 por libra (R$ 194 por quilo) para mais de US$ 24 por libra (R$ 290 por quilo), transformando a xícara matinal em um luxo para muitas famílias.
Essa explosão de preços tem três culpados principais. O primeiro são as mudanças climáticas, que têm castigado a pecuária americana com secas prolongadas. O resultado é devastador: menos animais nos pastos e menor produtividade por cabeça de gado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos já reduziu em 4% suas expectativas de produção de carne para este ano.
O segundo fator são as políticas comerciais do governo Trump. As tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros criaram uma barreira artificial que encarece drasticamente as importações. No caso da carne, isso significa 180 mil toneladas a menos chegando aos Estados Unidos. Para o café, a situação é ainda mais crítica, já que o Brasil fornece quase 17% de todo o café consumido pelos americanos.
O terceiro elemento da crise vem do México. O governo americano mantém restrições às importações de gado mexicano devido a uma doença conhecida como “bicheira do Novo Mundo”. Essa medida, anunciada em maio, cortou mais uma fonte importante de abastecimento de carne para o mercado interno.
O impacto social dessa crise é profundo. Dois terços dos adultos americanos bebem café todos os dias, consumindo em média três xícaras cada um. O consumo da bebida cresceu 7% desde 2020, mostrando como ela se tornou essencial no dia a dia dos trabalhadores. Importadores americanos relatam estar “perdendo o sono” com os novos custos, temendo que o café se torne inacessível para milhões de pessoas.
A indústria da carne, que emprega mais de um milhão de pessoas, também sofre com essa tempestade perfeita. Enquanto a demanda interna permanece alta, a capacidade de produção foi reduzida artificialmente pelas políticas protecionistas. Isso beneficia apenas os grandes produtores, que conseguem manter margens elevadas às custas do consumidor final.
As perspectivas para os próximos meses não são animadoras. O setor cafeeiro brasileiro tenta negociar exceções às tarifas, mas o tempo está se esgotando. O Departamento de Agricultura americano projeta que os preços da carne permanecerão elevados até 2026. Essa situação expõe como políticas comerciais protecionistas podem gerar consequências sociais graves, penalizando justamente as famílias trabalhadoras que deveriam ser protegidas.
