Biden pede que Cuba ‘escute população’; México e Rússia alertam contra intervenção

O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu nesta segunda-feira que o governo de Cuba “ouça” os manifestantes que saíram às ruas no domingo em protesto contra o governo e a crise econômica, enquanto México e Rússia alertaram contra qualquer intervenção externa na ilha, apelaram por uma solução pacífica e pediram o fim do embargo econômico americano.

— Os EUA estão firmemente com o povo cubano na defesa de seus direitos universais, e pedimos ao governo que se abstenha de violência em suas tentativas de silenciar a voz do povo cubano — disse Biden em entrevista coletiva na Casa Branca, referindo-se aos protestos como “notáveis” e dizendo que o povo cubano estava “exigindo sua liberdade de um regime autoritário”.

O presidente americano, porém, se recusou a responder a perguntas sobre se os EUA alterariam sua política de embargo econômica a Cuba, e a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, não deu nenhuma indicação de uma mudança imediata.

Antes da pandemia, que interrompeu o turismo em Cuba e levou a uma queda de 11% do PIB em 2020, a economia da ilha já vinha se deteriorando em função das políticas do governo Trump, que suspendeu a aproximação iniciada por Barack Obama e reforçou o embargo econômico com mais de 240 novas sanções. Estas não foram suspensas por Biden.

Mais cedo, o presidente americano já havia emitido uma nota de apoio aos manifestantes: “Estamos ao lado do povo cubano e seu claro apelo por liberdade e alívio das trágicas consequências da pandemia e das décadas de repressão e sofrimento econômico a que tem sido submetido pelo regime autoritário de Cuba. Os Estados Unidos pedem ao regime cubano que ouça seu povo e atenda suas necessidades neste momento vital”.

No comunicado, Biden disse ainda que “o povo cubano defende com bravura os direitos fundamentais e universais” e que “esses direitos, incluindo o direito de protesto pacífico” e de livre determinação de “seu próprio futuro, devem ser respeitados”.

Horas após a nota, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, acusou “mercenários” pagos pelos EUA de fomentarem a crise e de fazerem uma campanha antigoverno disfarçada de pedido por ajuda humanitaria. Segundo ele, o Twitter teria ainda violado suas próprias regras para favorecer postagens contra o regime cubano.

Tanto Biden quanto o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disseram em seguida que seria “um grave erro” do governo cubano atribuir os protestos aos EUA.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse que os cubanos têm o direito de protestar e pediu ao governo da ilha que ouvisse as denúncias da população.

Fonte: O Globo