31 de julho de 2025

Direito e Justiça

TJ/SP determina indenização de R$ 50 mil a professora ferida em desabamento de creche

Município deve pagar pensão vitalícia e danos morais por omissão na manutenção de estrutura escolar; decisão foi tomada no processo 1000860-09.2020.8.26.0058.

A 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que um município paulista indenize em R$ 50 mil por danos morais uma professora que ficou ferida no desabamento do telhado de uma creche municipal. A decisão, relatada pelo desembargador José Luiz Gavião de Almeida, reconheceu a responsabilidade da administração pública pela falha na conservação da estrutura escolar.

O acidente ocorreu meses após a reabertura da unidade de ensino, que havia sido interditada para obras de reforma. Mesmo depois dos reparos, a escola continuou apresentando problemas estruturais, como infiltrações e goteiras, indicando que o processo de deterioração do telhado já estava em curso durante as obras de manutenção.

O desabamento da cobertura atingiu 16 crianças e quatro funcionárias da creche. A professora autora da ação sofreu ferimentos que exigiram diversos tratamentos médicos e resultaram em sequelas físicas e psicológicas permanentes. Em razão da perda parcial de sua capacidade laboral, ela foi readaptada para exercer funções administrativas.

O relator destacou em seu voto que “não há dúvida de que a manutenção e preservação adequada do prédio público é responsabilidade do Município, sendo que a sua omissão no cumprimento de tal obrigação gera o dever de indenizar os danos causados”. O magistrado enfatizou ainda que ficou demonstrado o nexo causal entre a omissão do ente público e os danos sofridos pela educadora.

Além da indenização por danos morais, o colegiado determinou que o município pague à professora uma pensão mensal vitalícia correspondente a 12,5% do salário-base que ela recebia na data do acidente. A decisão também prevê reparação pelos danos materiais futuros relacionados ao tratamento médico necessário para as sequelas decorrentes do sinistro.

Esportes

Lucas Paquetá é inocentado pela federação inglesa em caso de manipulação

Meio-campista do West Ham estava sendo investigado por supostamente forçar cartões amarelos para beneficiar apostadores.

Imagem: Reprodução

Uma comissão reguladora independente da federação inglesa de futebol (FA) concluiu nesta quinta-feira (31) que as acusações de má conduta contra o meio-campista Lucas Paquetá não foram comprovadas. O jogador do West Ham United estava sendo investigado desde o ano passado por supostamente ter recebido cartões amarelos de forma intencional em quatro partidas, com o objetivo de influenciar o mercado de apostas esportivas.

A investigação se concentrou em jogos específicos realizados entre novembro de 2022 e agosto de 2023. As partidas sob suspeita foram contra Leicester (12 de novembro de 2022), Aston Villa (12 de março de 2023), Leeds (21 de maio de 2023) e Bournemouth (12 de agosto de 2023). Segundo a denúncia original, Paquetá teria “buscado diretamente influenciar o andamento, a conduta ou qualquer outro aspecto dessas partidas, intencionalmente procurando receber um cartão do árbitro com o propósito impróprio de afetar o mercado de apostas”.

O caso foi baseado na regra E5.1 do regulamento de competições da FA, que estabelece que nenhum jogador deve “direta ou indiretamente, tentar influenciar, para fins impróprios, o resultado, o progresso, a conduta ou qualquer outro aspecto em conexão com um jogo ou competição”. A acusação sustentava que o brasileiro havia agido deliberadamente para que “uma ou mais pessoas lucrassem com apostas” relacionadas aos cartões que receberia durante as partidas.

Apesar da inocentação das acusações principais, Paquetá ainda pode enfrentar uma punição menor. A comissão reguladora considerou que o jogador não colaborou adequadamente com as investigações, o que constitui infração ao regulamento da entidade. A decisão sobre qual sanção será aplicada deve ser anunciada “o mais breve possível”, segundo comunicado oficial. As punições previstas no regulamento variam desde uma simples advertência até suspensão por algumas partidas, embora a expectativa seja de que ele receba apenas uma multa.

A decisão pode impactar diretamente o futuro do jogador no futebol europeu. Antes mesmo da decisão final, o West Ham já cogitava negociar Paquetá, com o Flamengo figurando entre os clubes interessados. De acordo com o jornal inglês Daily Mail, uma oferta na casa das 30 milhões de libras (cerca de R$ 222 milhões) seria suficiente para convencer o clube londrino. Agora, com a confirmação de sua inocência nas acusações mais graves, o valor de transferência do meio-campista brasileiro pode aumentar significativamente.

Brasil

Brasil proíbe testes com animais em cosméticos e perfumes

Nova legislação estabelece regras rígidas para o setor de beleza e permite exceções apenas em casos específicos.

Imagem: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (31) a lei 15.183/2025, que proíbe definitivamente o uso de animais vertebrados vivos em testes de produtos cosméticos, perfumes e itens de higiene pessoal no Brasil. A norma, publicada no Diário Oficial da União, representa um marco na proteção animal e alinha o país às tendências internacionais do setor de beleza.

A nova legislação altera dispositivos de duas leis anteriores – a 11.794/2008, que trata do uso de animais para fins científicos, e a 6.360/1976, sobre vigilância sanitária de produtos regulados pela Anvisa. Uma das principais inovações é que a proibição se estende também a testes realizados fora do território nacional, impedindo que empresas utilizem dados de experimentos com animais feitos em outros países para obter autorização de comercialização no Brasil.

A lei estabelece exceções rigorosamente controladas pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). Para que testes com animais sejam autorizados em circunstâncias excepcionais, três condições devem ser atendidas simultaneamente: o ingrediente deve ser amplamente utilizado e insubstituível, deve haver evidência comprovada de risco à saúde humana e não pode existir método alternativo eficaz disponível.

Empresas que utilizarem as exceções previstas na lei enfrentarão restrições na rotulagem de seus produtos. Itens cuja segurança tenha sido comprovada com base em novos testes com animais não poderão exibir no rótulo ou embalagem qualquer referência a “não testado em animais”, “livre de crueldade” ou menções similares, garantindo transparência ao consumidor.

A legislação também estabelece um período de transição, permitindo a comercialização de produtos e ingredientes testados em animais antes da vigência da norma. As autoridades sanitárias terão dois anos para implementar o reconhecimento de métodos alternativos, fiscalizar o cumprimento das novas regras e publicar relatórios bienais sobre a aplicação da lei, incluindo a verificação de dados alegadamente não cosméticos.

Segurança Pública

Dinheiro na cueca de empresário levou PF a investigar presidente da CBF

Operação Caixa Preta apura compra de votos em eleições municipais de 2024 em Roraima e mira dirigente do futebol brasileiro.

Imagem: Reprodução

A Polícia Federal iniciou investigação contra Samir Xaud, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após a apreensão de R$ 500 mil com o empresário Renildo Lima durante o período eleitoral de 2024. O episódio, que chamou atenção pela forma inusitada como parte do dinheiro foi encontrada – escondida na cueca do empresário -, desencadeou a operação Caixa Preta, deflagrada nesta quarta-feira (30).

A operação investiga a compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Roraima. Renildo Lima, flagrado com o dinheiro em setembro do ano passado, é casado com a deputada federal Helena da Asatur (MDB). O empresário foi preso junto com outras cinco pessoas, incluindo uma advogada e dois policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), após denúncia anônima sobre esquema de compra de votos.

A ligação entre Samir Xaud e o caso não foi esclarecida pela Polícia Federal, mas ambos pertencem ao mesmo grupo político em Roraima e são filiados ao MDB. O atual presidente da CBF, de 41 anos, foi candidato a deputado federal pelo partido em 2022, sendo eleito como suplente. Xaud, que é médico de formação e natural de Boa Vista, tornou-se o mais jovem presidente da história da CBF ao ser eleito em maio deste ano.

Renildo Lima é proprietário da Asatur, tradicional empresa de transporte intermunicipal especializada na rota entre Boa Vista e Manaus, avaliada em R$ 11,1 milhões. O empresário também controla a Voare, única empresa de táxi aéreo privado de Roraima, que mantém contrato com o Ministério da Saúde para realizar voos à Terra Indígena Yanomami. A deputada Helena da Asatur declarou R$ 10 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2022.

A operação também teve como alvo Igo Brasil, superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Roraima. Em nota, a CBF informou que recebeu agentes da PF em sua sede e ressaltou que a operação “não tem qualquer relação com a CBF ou futebol brasileiro”. A deputada Helena da Asatur disse ter sido “surpreendida pela notícia” e que “jamais foi notificada a prestar esclarecimentos às autoridades competentes”.

Brasil

Câmara oficializa saída de sete deputados após decisão do STF

Mudança atinge bancadas do Amapá, Tocantins, Distrito Federal e Rondônia com base na revisão das regras eleitorais.

Imagem: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados confirmou nesta quarta-feira (30) a perda de mandato de sete parlamentares federais, em cumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal sobre a redistribuição das sobras eleitorais. A decisão, assinada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi baseada em parecer da Corregedoria Parlamentar e nos dados enviados pelos Tribunais Regionais Eleitorais de quatro estados.

Os deputados afetados são Silvia Waiãpi (PL-AP), Sonize Barbosa (PL-AP), Professora Goreth (PDT-AP), Augusto Puppio (MDB-AP), Lázaro Botelho (PP-TO), Gilvan Máximo (Republicanos-DF) e Lebrão (União Brasil-RO). O estado do Amapá concentra a maior parte das mudanças, perdendo quatro representantes. Em seus lugares, assumem Paulo Lemos (Psol-AP), André Abdon (PP-AP), Aline Gurgel (Republicanos-AP), Professora Marcivania (PCdoB-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Tiago Dimas (Podemos-TO) e Rafael Fera (Podemos-RO).

A substituição decorre de uma decisão do STF de fevereiro de 2024, quando os ministros julgaram inconstitucionais as regras que limitavam a participação de partidos nas sobras eleitorais. Por maioria de seis votos a cinco, a Corte derrubou as restrições aprovadas pelo Congresso em 2021, que exigiam que os partidos atingissem 80% do quociente eleitoral e que os candidatos somassem ao menos 20% desse índice para participar da redistribuição das vagas não preenchidas diretamente pelo sistema proporcional.

O entendimento dos ministros foi de que essas limitações violavam princípios democráticos de representatividade, prejudicando especialmente partidos menores. A decisão teve aplicação retroativa às eleições de 2022, provocando a retotalização dos votos em diversos estados. A mudança fortalece, por exemplo, o campo político do senador Davi Alcolumbre (União-AP), já que aliados do parlamentar ganham espaço na bancada amapaense.

A medida gerou forte reação dos parlamentares que perderam os mandatos. O ex-deputado Gilvan Máximo classificou a decisão como “uma aberração” e anunciou, junto com outros colegas afetados, uma greve de fome no Congresso. Segundo ele, os deputados foram eleitos conforme as regras então vigentes e não tiveram direito à ampla defesa perante o Tribunal Superior Eleitoral. A própria Câmara tentou impedir o cumprimento imediato da decisão através de um recurso ao STF, mas a Corte já havia formado maioria para determinar a substituição dos sete deputados.

Brasil

Desemprego no Brasil atinge menor patamar da série histórica

Taxa recua para 5,8% no trimestre até junho, primeira vez abaixo de 6% desde 2012.

Imagem: Divulgação/agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (31) que a taxa de desemprego no país caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho. O resultado representa uma queda significativa em relação aos 7% registrados no período de janeiro a março, marcando o menor índice desde o início da série histórica em 2012.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foram divulgados após uma atualização metodológica que incorporou as projeções populacionais mais recentes do órgão. Esta revisão, baseada no Censo Demográfico de 2022, ajustou as estatísticas para refletir com maior precisão a realidade demográfica brasileira.

O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma taxa de 6% para o período. As estimativas dos analistas consultados pela agência Bloomberg variavam entre 5,8% e 6,2%, com a mediana apontando para o patamar de 6%.

A melhora no mercado de trabalho reflete a recuperação da atividade econômica após a pandemia, impulsionada por medidas de estímulo do governo federal. Esse cenário favorável tem gerado um ciclo positivo de criação de empregos e aumento da renda, que por sua vez estimula o consumo das famílias.

No entanto, o aquecimento da demanda interna tem pressionado a inflação, levando o Banco Central a promover um ciclo de alta da taxa básica de juros. A Selic foi elevada para 15% ao ano, com o ciclo de aumentos sendo interrompido na quarta-feira (30). O encarecimento do crédito representa um desafio para a continuidade da expansão econômica e do mercado de trabalho nos próximos meses.

Brasil

Alexandre de Moraes vai a estádio horas após sanção dos EUA

Alvo da Lei Magnitsky, ministro do Supremo fez sua primeira aparição pública em jogo da Copa do Brasil. “Vai, Corinthians”, gritou.

Imagem: Reprodução

Horas depois de ter seu nome incluído na lista de sanções do governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reapareceu em público na noite desta quarta-feira (30). E não foi em um evento oficial: o magistrado foi assistir ao clássico Corinthians x Palmeiras, na Neo Química Arena, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Acompanhado da esposa, Viviane Barci de Moraes, Moraes chegou ao estádio sorridente, vestindo roupa casual e acenando para torcedores. De mãos dadas com a mulher, se dirigiu a um dos camarotes, de onde acompanhou a vitória corintiana por 1 a 0. Ao ser abordado, respondeu com o bordão da torcida: “Vai, Corinthians!”

Em determinado momento no camarote, Moraes fez um gesto obsceno com o dedo médio, imagem que rapidamente se espalhou nas redes sociais e provocou forte reação de opositores, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que escreveu: “Isso é postura de ministro sancionado?”. O ex-advogado de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, também criticou: “Se fosse o ex-presidente a fazer isso, haveria uma crise institucional.”

Alvo da Lei Magnitsky

Mais cedo, o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Global Magnitsky, dispositivo legal que permite ao Executivo americano punir indivíduos estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos, sem necessidade de decisão judicial.

Na prática, as sanções congelam eventuais bens de Moraes em território norte-americano, bloqueiam o acesso ao sistema financeiro dos EUA e proíbem sua entrada no país. Segundo o Departamento do Tesouro, os dados pessoais do ministro, como número de passaporte e identidade, foram incluídos no informe oficial.

Internacional

Idealizador da Lei Magnitsky contesta aplicação da norma contra ministro Alexandre de Moraes

William Browder afirma que magistrado brasileiro não se enquadra nas categorias previstas pela legislação criada para punir violadores de direitos humanos e cleptocratas.

Imagem: Reprodução

O investidor britânico William Browder, responsável pela criação da Lei Magnitsky, manifestou publicamente sua discordância com a decisão do governo americano de aplicar a legislação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em publicação na plataforma X na quarta-feira (30), Browder declarou que “passou anos lutando para que a Lei Magnitsky fosse aprovada, para acabar com a impunidade contra abusadores graves de direitos humanos e cleptocratas”, mas que, segundo seu conhecimento, “o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias”.

A manifestação de Browder ocorreu horas após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra Moraes, acusando-o de abuso de autoridade e perseguição ilegal a cidadãos e empresas brasileiras e americanas. As medidas incluem o bloqueio de bens do ministro em território americano e possíveis restrições à sua entrada no país, além de limitações ao uso de redes sociais com sede nos Estados Unidos, como Facebook e Instagram.

A Lei Magnitsky foi criada em memória do advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu em 2009 após ser preso, torturado e ter tratamento médico negado em uma prisão russa. Magnitsky trabalhava para Browder e havia descoberto um esquema de fraude envolvendo o desvio de 230 milhões de dólares em impostos estatais por funcionários do governo russo. A primeira versão da lei, aprovada em 2012, focava exclusivamente em cidadãos russos.

Em 2016, os Estados Unidos expandiram o alcance da legislação com a Lei Global Magnitsky, que permite ao governo americano impor sanções administrativas contra estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção em qualquer lugar do mundo, sem necessidade de processo judicial. Desde então, outros países como Canadá, Reino Unido, países bálticos, União Europeia e Austrália aprovaram versões similares da norma.

A crítica de Browder à aplicação da lei contra Moraes representa um questionamento inédito do próprio idealizador sobre o uso da legislação que ajudou a criar. O investidor, que atualmente lidera uma campanha global por justiça Magnitsky, tem trabalhado para que legislações semelhantes sejam aprovadas em outros países, incluindo Nova Zelândia e Japão. Sua posição contrária à sanção contra o ministro brasileiro sugere uma preocupação com possível desvirtuamento dos propósitos originais da lei.

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