30 de julho de 2025

Brasil

STF reafirma independência após sanções americanas contra Alexandre de Moraes

Supremo manifesta solidariedade ao ministro e declara que não se desviará do cumprimento da Constituição.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu nota oficial nesta quarta-feira (30) em resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes. O documento, divulgado no site da Corte, reafirma que o tribunal “não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país” e manifesta solidariedade ao magistrado sancionado pelo governo americano.

As sanções foram aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky, instrumento normalmente utilizado para punir indivíduos considerados responsáveis por graves violações de direitos humanos. Segundo o comunicado oficial americano, Moraes teria usado sua posição para “autorizar detenções arbitrárias pré-julgamento e suprimir a liberdade de expressão”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou o ministro brasileiro de conduzir uma “campanha opressiva de censura” e “perseguições politizadas”.

A nota do STF contextualiza as decisões de Moraes dentro do sistema judicial brasileiro, destacando que está em curso uma ação penal na qual o Procurador-Geral da República imputou crimes a diversas pessoas, “inclusive a um ex-Presidente da República”. O documento menciona que foram encontrados “indícios graves da prática dos referidos crimes, inclusive de um plano que previa o assassinato de autoridades públicas”, sem especificar nomes ou detalhes adicionais sobre as investigações.

O tribunal enfatiza que “todas as decisões tomadas pelo relator do processo foram confirmadas pelo Colegiado competente”, buscando demonstrar que as ações de Moraes não foram unilaterais, mas respaldadas pela maioria dos ministros. A Corte também reforça que o “julgamento de crimes que implicam atentado grave à democracia brasileira é de exclusiva competência da Justiça do país, no exercício independente do seu papel constitucional”.

A aplicação da Lei Magnitsky contra um ministro do STF representa um episódio inédito nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Essa legislação, criada em 2012 durante o governo Barack Obama, raramente é utilizada contra magistrados, sendo mais comum sua aplicação em casos envolvendo autoridades de governos considerados autoritários onde o Judiciário não possui independência. As sanções incluem o bloqueio de eventuais bens de Moraes em território americano e a proibição de transações financeiras com instituições dos EUA, medidas que se somam à revogação de seu visto americano, ocorrida em 18 de julho.

Brasil, Economia, Internacional

Montanha teria parido um rato?

O tarifaço de Trump contra o Brasil revela extensa lista de exceções que deve reduzir significativamente o impacto da medida.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que oficializa a imposição de uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% de sobretaxa. A medida, que entra em vigor no dia 6 de agosto, foi apresentada como um “tarifaço” capaz de impactar significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano.

No entanto, a análise detalhada do decreto revela uma realidade bem diferente do que o anúncio inicial sugeria. O governo americano decidiu deixar uma extensa série de itens sem cobrança, criando uma lista de exceções que pode representar um alívio considerável para importantes setores da economia brasileira.

Entre os produtos que permanecerão livres da sobretaxa estão itens fundamentais para o comércio bilateral, como suco de laranja, combustíveis, veículos, peças de aeronaves e diversos tipos de metais e madeira. As exceções abrangem desde artigos de aeronaves civis – incluindo motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo – até veículos de passageiros como sedans, SUVs, minivans e caminhões leves.

O setor energético também foi amplamente contemplado nas exceções. Diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e seus derivados, como querosene, óleos lubrificantes, parafina e até energia elétrica, não serão afetados pela nova alíquota. Da mesma forma, fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira permanecem isentos da tarifa adicional.

A lista de exceções se estende ainda a produtos agrícolas estratégicos, como castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, além de madeira tropical serrada e polpa de madeira. Metais e minerais específicos, incluindo silício, ferro-gusa, alumina, estanho e metais preciosos como ouro e prata, também ficaram de fora da sobretaxa.

Brasil

Colisão entre aviões da Esquadrilha da Fumaça resulta em queda durante treinamento

Acidente ocorreu na manhã desta quarta-feira entre Descalvado e Porto Ferreira, no interior paulista.

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Dois aviões modelo A-29 Super Tucano da Esquadrilha da Fumaça colidiram no ar durante um voo de treinamento na manhã desta quarta-feira (30), por volta das 10h30, em área desabitada entre os municípios de Descalvado e Porto Ferreira, no interior de São Paulo. Uma das aeronaves caiu após o impacto, enquanto a outra conseguiu pousar em segurança.

Segundo informações da Academia da Força Aérea (AFA), o piloto da aeronave que caiu conseguiu se ejetar com sucesso e não sofreu ferimentos. Ele passa bem e está sendo submetido às avaliações médicas de rotina previstas para este tipo de situação. O treinamento estava sendo realizado em área específica destinada a essas atividades.

O Comando da Aeronáutica confirmou que as duas aeronaves pertenciam ao Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido popularmente como Esquadrilha da Fumaça. A plataforma FlightRadar registrou o trajeto da aeronave até o momento da queda, documentando os últimos momentos do voo.

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Equipes do Corpo de Bombeiros de Porto Ferreira foram acionadas para atender a ocorrência. Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) se deslocaram imediatamente ao local para iniciar os procedimentos de investigação da causa do acidente.

O A-29 Super Tucano é utilizado pela Força Aérea Brasileira tanto para formação de pilotos de caça quanto para patrulhamento das fronteiras nacionais. A aeronave substituiu o modelo T-27 Tucano em 2013, após 30 anos de uso pela Esquadrilha da Fumaça. O Super Tucano possui praticamente o dobro do peso e da potência do modelo anterior, com velocidade máxima de 690 quilômetros por hora.

Direito e Justiça

Justiça do Trabalho nega indenização a candidata que mentiu sobre formação

Magistrada considerou legítimo cancelamento de contratação após descoberta de informação falsa no currículo; decisão foi tomada no processo 0101051-38.2024.5.01.0009.

Uma decisão da 9ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro reafirmou o direito das empresas de cancelar processos seletivos quando candidatos fornecem informações falsas sobre sua qualificação. A juíza Taciela Cordeiro Cylleno de Mesquita negou pedido de indenização por danos morais apresentado por uma candidata que declarou incorretamente ter ensino superior completo em seu currículo.

O caso teve início quando a candidata participou de processo seletivo para uma vaga que exigia formação superior. Ela chegou a entregar documentos, pedir demissão do emprego anterior e realizar exame admissional, criando expectativa de contratação. No entanto, a empresa descobriu que a informação sobre sua formação acadêmica era falsa e cancelou a admissão.

A autora da ação alegou ter sofrido prejuízos psicológicos e financeiros, fundamentando seu pedido na teoria da perda de uma chance e na teoria do desvio produtivo do consumidor. Ela sustentou que o processo avançado de seleção teria gerado legítima expectativa de contratação, justificando o pedido de indenização.

A empresa defendeu-se argumentando que a candidata agiu de má-fé ao declarar possuir qualificação que não tinha. Durante a audiência, a própria candidata reconheceu que não verificou adequadamente os requisitos da vaga e que seu currículo continha informação equivocada sobre a conclusão do ensino superior, corrigindo os dados apenas após o cancelamento.

A magistrada concluiu que não houve ilicitude por parte da empresa, destacando que a expectativa de contratação foi frustrada por culpa exclusiva da candidata. A decisão ressaltou que a empresa agiu corretamente ao verificar a ausência do diploma exigido e cancelar o processo seletivo, não configurando violação ao princípio da boa-fé objetiva.

Brasil, Internacional

EUA aplicam Lei Magnitsky contra ministro Alexandre de Moraes em novo ataque à soberania brasileira

Sanções ocorrem após articulação de Eduardo Bolsonaro e visam defender impunidade de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado, além de interesses das big techs contrárias à regulação no país.

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em mais um episódio que configura ataque direto à soberania brasileira, para além do tarifaço já anunciado. A medida, que prevê bloqueio de bens e proibição de transações financeiras, foi celebrada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde março articulando pressões contra autoridades brasileiras.

As sanções foram justificadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro norte-americano com alegações de que Moraes teria utilizado seu cargo para “autorizar detenções arbitrárias preventivas e suprimir a liberdade de expressão”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou o ministro de conduzir uma “caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”, incluindo processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A articulação para as sanções foi confirmada pelo comentarista de extrema-direita Paulo Figueiredo, que revelou ter solicitado junto com Eduardo Bolsonaro que as medidas começassem exclusivamente por Moraes. A estratégia busca pressionar outros ministros do STF, como Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, que também estariam na mira do Departamento de Estado americano. Segundo Figueiredo, houve sinalização da Casa Branca de que Moraes seria o primeiro nome incluído na lista de sancionados.

Os efeitos práticos das sanções podem ser devastadores para qualquer pessoa física ou jurídica atingida pela medida. Além do bloqueio de ativos nos Estados Unidos, a inclusão na lista provoca bloqueio automático em bancos que operam com dólar, perda de contas em instituições financeiras, além do cancelamento de cartões de crédito. O precedente do banco francês BNP Paribas, multado em US$ 8,9 bilhões por descumprir a Lei Magnitsky, demonstra a severidade das consequências.

O timing das sanções não é coincidência. Elas ocorrem às vésperas da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que começam a valer na sexta-feira (1º). Fontes do governo brasileiro avaliam que os interesses das big techs, como Alphabet (Google), Meta (Facebook) e X (antigo Twitter), são elemento central na decisão de Trump de pressionar o Brasil, dado o grau de influência das empresas do Vale do Silício junto à Casa Branca.

Direito e Justiça

Advogada concorda com multa por mau uso de IA, mas culpa estagiário

Causídica reconheceu falha na supervisão e afirmou que documento foi gerado por estagiário que quis “mostrar serviço”.

Uma advogada foi multada em dez salários mínimos pela vara do Júri de Juazeiro/BA por apresentar petição com jurisprudências inventadas e dispositivos legais inexistentes – todos gerados por ferramenta de IA.

O caso chamou atenção após a própria causídica reconhecer a falha na supervisão e atribuir a autoria da peça a um estagiário do escritório, que agiu sem autorização.

Segundo decisão do juiz de Direito Claudio Santos Pantoja Sobrinho, a peça protocolada nos autos da ação penal por homicídio qualificado continha trechos “manifestamente inexistentes”, com citação a acórdãos falsos de tribunais superiores e menções deturpadas ao art. 414 do CPP.

O magistrado entendeu que houve uso indevido de IA, má-fé processual e atentado à dignidade da Justiça.

O episódio ocorreu após o TJ/BA reformar decisão de impronúncia das rés e determinar que fossem levadas a Júri popular.

Na sequência, a defesa apresentou pedido de “despronúncia”, com argumentos de ausência de justa causa e suposta possibilidade de revisão da pronúncia, mesmo após o trânsito em julgado. A tese foi rechaçada pelo juízo, que apontou a total improcedência jurídica do pedido e puniu a advogada com multa e expedição de ofício à OAB/BA.

Internacional

Aprovação de Trump registra pior desempenho do segundo mandato, diz pesquisa

Pesquisa Reuters/Ipsos aponta 40% de aprovação presidencial em meio a controvérsias sobre caso Jeffrey Epstein.

Imagem: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente americano Donald Trump enfrenta o menor índice de aprovação desde o início de seu segundo mandato, com 40% dos entrevistados avaliando positivamente sua gestão, segundo levantamento da Reuters/Ipsos divulgado nesta segunda-feira. A pesquisa, realizada entre os dias 25 e 27 de julho com 1.023 adultos americanos, apresenta margem de erro de três pontos percentuais e revela uma queda de um ponto em relação ao levantamento anterior.

A desaprovação do governo Trump subiu de 54% para 56% no período analisado, refletindo um cenário de crescente polarização política no país. O declínio nos números presidenciais ocorre em um momento delicado, marcado pela pressão pública para que a administração divulgue arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, investigação que envolve um esquema de abuso sexual e tem gerado desgaste político significativo.

O cenário de declínio na aprovação presidencial reflete as tensões políticas que marcam o atual momento da administração Trump. A controvérsia em torno do caso Jeffrey Epstein tem se mostrado um fator determinante para o desgaste da imagem presidencial, criando um ambiente de pressão constante sobre o governo federal.

A divisão partidária permanece como característica marcante da avaliação presidencial americana. Entre os republicanos, Trump mantém sólidos 83% de aprovação, contrastando drasticamente com os apenas 3% registrados entre democratas. Os eleitores independentes, grupo frequentemente decisivo nas eleições americanas, aprovam o presidente em cerca de um terço dos casos, indicando um eleitorado ainda indeciso sobre a gestão atual.

Os resultados da pesquisa Reuters/Ipsos evidenciam um país profundamente dividido em suas percepções políticas, cenário que pode influenciar significativamente as dinâmicas eleitorais futuras. A manutenção de altos índices de desaprovação, combinada com a polarização partidária extrema, sugere desafios consideráveis para a administração Trump na construção de consensos políticos e na ampliação de sua base de apoio popular.

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