Depois da França, Reino Unido sinaliza que pode reconhecer o Estado da Palestina
Entretanto, o Primeiro-ministro Keir Starmer estabelece quatro exigências ao governo israelense para evitar reconhecimento do Estado palestino em setembro.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou nesta terça-feira (29) que o Reino Unido reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, a menos que Israel cumpra uma série de condições consideradas improváveis pelo governo israelense. O anúncio foi feito após uma reunião de emergência do gabinete britânico e representa uma mudança significativa na postura do país sobre o conflito no Oriente Médio.
As quatro exigências impostas por Starmer ao governo israelense incluem o fim da “situação terrível” em Gaza, o estabelecimento de um cessar-fogo com o Hamas, a garantia de que não haverá anexações na Cisjordânia e o compromisso com um processo de paz de longo prazo que resulte na solução de dois Estados. O primeiro-ministro britânico justificou a decisão citando o agravamento da crise humanitária em Gaza e o enfraquecimento das perspectivas de paz na região.
A medida surge uma semana após o presidente francês Emmanuel Macron ter anunciado que a França reconhecerá o Estado palestino em setembro, tornando-se a primeira grande potência ocidental a tomar essa decisão. Atualmente, 146 países reconhecem o Estado da Palestina, incluindo o Brasil desde 2010. O movimento britânico intensifica a pressão internacional sobre Israel em meio ao agravamento da situação humanitária em Gaza, onde a ONU alerta que “o pior cenário de fome está atualmente em curso”.
O governo israelense reagiu imediatamente ao anúncio britânico, classificando a medida como uma “recompensa para o Hamas” que prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo e a libertação dos reféns. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia rejeitado anteriormente a solução de dois Estados, afirmando em julho que qualquer estado palestino independente seria uma “plataforma para destruir Israel”. Na semana passada, o Parlamento israelense aprovou uma moção favorável à aplicação da soberania israelense sobre a Cisjordânia.
Starmer enfatizou que as exigências ao Hamas permanecem inalteradas: libertação de todos os reféns israelenses, aceitação de um cessar-fogo, renúncia ao controle de Gaza e desarmamento completo. O primeiro-ministro britânico destacou que a decisão faz parte de um plano de paz em oito etapas desenvolvido pelo governo e que nenhuma das partes terá poder de veto sobre a posição final do Reino Unido. A reação doméstica foi mista, com parlamentares trabalhistas apoiando a medida enquanto conservadores criticaram o que consideram uma concessão ao terrorismo.
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