21 de julho de 2025

Brasil, Economia, Internacional

Bullying de Trump contra Brasil sai pela culatra, diz Washington Post

Segundo o artigo publicado, a iniciativa acabou beneficiando politicamente o presidente Lula.

Imagem: Reprodução

Um artigo publicado neste domingo (20) pelo jornal americano The Washington Post afirma que a recente ofensiva do presidente Donald Trump contra o governo brasileiro tem provocado resultados opostos aos esperados por seus articuladores. A medida central da disputa – a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos – teria como objetivo pressionar o Judiciário brasileiro a interromper o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, segundo o texto, a iniciativa acabou beneficiando politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assinado pelo colunista Ishaan Tharoor, o artigo analisa a escalada diplomática entre os dois países e ressalta que o governo norte-americano não escondeu o real propósito da tarifa: retaliar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo processo contra Bolsonaro, e obter a suspensão das investigações. A pressão teria sido intensificada após uma campanha de lobby liderada por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que se encontra nos Estados Unidos.

Além da tarifa, a administração Trump revogou os vistos do ministro Moraes e de seus familiares. Em nota, o secretário de Estado Marco Rubio acusou o magistrado de promover perseguição política e censura. O Washington Post indica que a medida está inserida em um contexto de aproximação ideológica entre setores da direita norte-americana e o bolsonarismo.

A publicação relata que, ao contrário de outros países da região que cederam à pressão de Washington, o Brasil adotou postura firme. A economia brasileira, mais diversificada e robusta, teria permitido ao governo Lula explorar o episódio como demonstração de soberania. A reação do presidente incluiu manifestações públicas com críticas diretas a Trump e o uso de símbolos nacionalistas, como bonés com os dizeres “O Brasil pertence aos brasileiros”.

O artigo destaca também a resposta do STF. Moraes emitiu uma nova ordem judicial contra Bolsonaro, proibindo contatos com governos estrangeiros e determinando o uso de tornozeleira eletrônica, sob a acusação de incitar atos de desestabilização ao lado do filho Eduardo.

Saúde

O que é a doença que vitimou a cantora Preta Gil aos 50 anos

Cantora enfrentou dois anos de luta contra câncer colorretal, alertando para importância do diagnóstico precoce.

Imagem: Reprodução

A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, neste domingo (20), trouxe novamente à tona a discussão sobre o câncer colorretal, doença que a acometeu desde janeiro de 2023. A filha de Gilberto Gil enfrentou uma batalha de dois anos contra o adenocarcinoma intestinal, tipo de tumor maligno que representa o segundo câncer mais frequente no aparelho digestivo brasileiro, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O diagnóstico de Preta Gil veio após ela ser internada com desconfortos na região intestinal no início de 2023. O adenocarcinoma é um tipo de câncer que se desenvolve principalmente a partir de pólipos, lesões benignas que crescem na parede interna do intestino grosso e podem evoluir para tumores malignos. Este tipo de câncer é tratável e, na maioria dos casos, curável quando detectado precocemente, mas pode se tornar agressivo em estágios avançados.

Após o diagnóstico, a cantora passou por tratamentos convencionais que incluíram quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia complexa em agosto de 2023 no Hospital Sírio-Libanês. Durante o procedimento, além da remoção do tumor intestinal, também foi retirado o útero. A artista chegou a entrar em remissão, estado em que o corpo ficou livre de células cancerígenas, e precisou usar uma bolsa de ileostomia temporária por três meses.

No entanto, em agosto de 2024, exames de acompanhamento revelaram a recidiva da doença em quatro locais diferentes: dois tumores nos linfonodos, um nódulo no ureter e metástase no peritônio. Esta situação caracterizou um quadro de câncer refratário, que persiste mesmo após tratamentos convencionais. Uma nova cirurgia foi realizada em dezembro de 2024, durando 21 horas e incluindo amputação de reto e colostomia definitiva.

Diante da agressividade do quadro, Preta Gil buscou tratamento experimental nos Estados Unidos, alternativa reservada para pacientes que esgotaram as opções convencionais. A cantora residia em Nova York e viajava periodicamente a Washington para receber a terapia inovadora. Em junho de 2025, o tratamento foi prorrogado por mais 60 dias, mas a artista não resistiu às complicações da doença.

Ponto de Vista

Ponto de Vista | A sede que persiste: O paradoxo da transposição do São Francisco

Quando a água passa ao lado, mas não chega às torneiras do sertão.

Hoje, com poucas palavras, venho refletir sobre uma realidade que me inquieta profundamente: o projeto de transposição das águas do rio São Francisco. Iniciado em 2007 e com os canais principais concluídos em 2022, esta obra monumental deveria ter transformado a vida de milhões de nordestinos. Foram beneficiados, além de Pernambuco, os estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Quinze longos anos se passaram para a conclusão dos canais principais, e já se vão mais três anos desde então. No entanto, o que deveria ser motivo de celebração se tornou uma fonte de frustração e questionamentos. Infelizmente, praticamente toda a população vizinha da água continua passando sede, sem ter, em muitos lugares, sequer água para seus animais quando as chuvas não são suficientes para encher os reservatórios das propriedades.

Aqui no município de Salgueiro, nas localidades de Tamboril, Caxite, Barra do Mulungú, Mandacaru e tantas outras, vivemos um paradoxo cruel. Embora estejamos bem próximos dessa obra fenomenal – o canal – e das barragens da Mangueira e do Negreiro, os proprietários ribeirinhos não têm acesso à água. Alguns chegam ao extremo de se desfazerem de seus animais para que não morram de sede, numa ironia amarga diante de tanta água que passa tão perto.

Canal da transposição, nas proximidades do Uri, Salgueiro | Imagem: Arquivo Pessoal

É preciso, portanto, que nossos governantes sejam mais ágeis na construção das obras hídricas secundárias. Essas estruturas complementares são fundamentais para fomentar a produção de alimentos e, principalmente, para manter as pessoas no campo, evitando o êxodo rural que tanto empobrece nossa região.

A transposição do São Francisco não pode ser apenas um monumento à engenharia. Ela precisa cumprir sua promessa de transformar vidas, de levar esperança onde hoje ainda reina a sede. O tempo urge, e nossa paciência se esgota junto com os açudes vazios.

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