Câmara aprova desvio de R$ 30 bilhões do pré-sal para o agronegócio
Recursos originalmente destinados à saúde e educação serão usados para renegociar dívidas rurais, configurando derrota para a sociedade brasileira.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (16) uma medida que representa uma significativa derrota para a sociedade brasileira. Por 343 votos favoráveis contra 93 contrários, os parlamentares autorizaram o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas do agronegócio. A decisão desvia recursos que, por lei, deveriam ser destinados prioritariamente a áreas essenciais como educação, saúde, meio ambiente e desenvolvimento social.
O Fundo Social, criado em 2010 e abastecido com recursos da exploração petrolífera do pré-sal, tem destinação obrigatória para setores fundamentais ao bem-estar da população. Historicamente, a legislação estabeleceu que 50% desses recursos fossem direcionados à educação, enquanto os royalties do petróleo deveriam destinar 75% para a educação e 25% para a saúde, segundo informações da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
A votação ocorreu em um contexto de tensão política, após duas derrotas consecutivas sofridas pelo Congresso no mesmo dia. Primeiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retomou parcialmente o decreto do governo Lula sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em seguida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto que aumentaria o número de deputados de 513 para 531.
A sessão foi marcada por tumulto e manifestações de parlamentares contra as decisões do Judiciário e do Executivo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a abandonar o plenário para conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A sessão somente se encerrou na madrugada desta quinta-feira (17).
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou duramente a aprovação da medida, classificando-a como um “liberou geral” para renegociação de dívidas e questionando sua compatibilidade com a responsabilidade fiscal. Guimarães alertou que qualquer produtor pode se dirigir a uma entidade bancária para renegociar suas dívidas, não sendo necessário utilizar recursos públicos destinados a áreas sociais prioritárias.
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