16 de julho de 2025

Brasil, Economia

Câmara aprova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

Medida beneficiará 10 milhões de brasileiros e será compensada com taxação progressiva dos mais ricos.

Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) a proposta que isenta do Imposto de Renda pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil. O relatório apresentado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Casa, mantém os principais pontos do projeto enviado pelo governo federal, mas amplia alguns benefícios. A medida agora segue para votação no plenário, com previsão de análise em agosto, após o recesso parlamentar.

O texto aprovado vai além da proposta original do Executivo, que previa isenção parcial para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7 mil mensais. Lira elevou o teto da faixa de isenção parcial para R$ 7.350, beneficiando adicionalmente cerca de 500 mil contribuintes. Com a mudança, aproximadamente 10 milhões de brasileiros ficarão isentos do pagamento do imposto, representando uma economia individual estimada em R$ 4.356,89 por ano.

Para compensar a perda de arrecadação, calculada em R$ 25,5 bilhões anuais, o relatório estabelece uma tributação progressiva sobre os contribuintes de alta renda. A nova regra prevê uma taxa mínima para quem recebe a partir de R$ 600 mil por ano, com alíquotas que podem chegar a 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão anuais. Como exemplo prático, uma pessoa com renda anual de R$ 900 mil pagará 5% de imposto, equivalente a R$ 45 mil.

A medida atinge diretamente a população mais rica do país, que representa apenas 0,13% dos brasileiros – cerca de 141,4 mil pessoas. Atualmente, esse grupo paga uma alíquota média de 2,54%, percentual considerado baixo quando comparado aos 27,5% pagos por trabalhadores assalariados de renda média. A nova tributação deve gerar uma arrecadação adicional de R$ 76,21 bilhões em três anos, segundo cálculos apresentados pelo relator.

As regras da isenção consideram a soma de todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte, incluindo salários, aluguéis e dividendos. Ficam de fora do cálculo os lucros com venda de bens, heranças, rendimentos da poupança, indenizações e aposentadorias por doença grave. O relatório também prevê que dividendos acumulados até 31 de dezembro deste ano permaneçam livres de tributação, evitando possíveis contestações judiciais. Para remessas de dividendos ao exterior, independentemente do valor, será aplicada uma taxa fixa de 10%.

Brasil, Economia, Internacional

Trump agora ataca até o Pix; o que está por trás?

Sistema de pagamentos brasileiro entra na mira de investigação comercial dos EUA que questiona supostas práticas desleais do governo Lula.

Imagem: Reprodução

O governo americano abriu uma investigação comercial contra o Brasil que inclui críticas ao Pix, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. O documento oficial do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) alega que o país “parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, a promoção de seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.

A investigação, conduzida por Jamieson Greer sob direção de Donald Trump, vai além do Pix e abrange áreas como comércio eletrônico, tecnologia, tarifas de importação e desmatamento. O representante americano afirmou que está “lançando uma investigação da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas de mídia social americanas, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”.

O Pix se tornou um fenômeno no Brasil, respondendo por mais de 40% de todos os pagamentos no país e sendo usado por mais de 90% da população adulta. O sistema movimenta 20% de todo o volume transacional brasileiro e registrou crescimento de 52% em 2024. Esse sucesso, no entanto, representa uma ameaça direta às empresas americanas como Visa, Mastercard e American Express, que veem suas participações no mercado brasileiro sendo corroídas pelo sistema gratuito e instantâneo.

A reação das gigantes americanas de pagamento já é visível. A Visa criou uma nova empresa, a “Visa Conecta”, especificamente para competir com o Pix, enquanto tanto a Visa quanto a Mastercard investem pesadamente em soluções como Visa Direct e Mastercard Move para tentar recuperar terreno perdido. As transações com Pix já representam mais de 35% das plataformas de e-commerce, e os cartões de débito devem registrar crescimento de apenas 0,4% a 0,7% em 2024.

A investigação americana também critica outros aspectos da economia brasileira, incluindo a famosa rua 25 de Março em São Paulo, apontada como centro de produtos falsificados, e questões relacionadas à pirataria, desmatamento e práticas anticorrupção. A medida tem potencial de gerar danos adicionais à economia brasileira e traz riscos de novas sanções, consideradas de difícil reversão. Uma audiência pública sobre o caso está marcada para 3 de setembro de 2025.

Direito e Justiça

Tribunal condena vendedor por exposição vexatória de cliente em redes sociais

Decisão destaca a violação dos direitos da personalidade e a necessidade de respeito nas cobranças; decisão foi tomada no processo 0702163-64.2024.8.07.0012.

A 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou um vendedor de aparelhos eletrônicos ao pagamento de R$ 3 mil em indenização por danos morais a uma consumidora. A condenação ocorreu em razão da exposição vexatória da cliente durante a cobrança de uma dívida.

O caso teve início quando a consumidora adquiriu um aparelho celular no valor de R$ 2.360, efetuando um pagamento inicial de R$ 500. Após perder o emprego, ela não conseguiu quitar as parcelas restantes e comunicou ao vendedor sobre sua dificuldade financeira, solicitando prazo adicional para o pagamento.

Em resposta, o comerciante iniciou uma série de ameaças e decidiu expor publicamente a cliente em suas redes sociais. O vendedor publicou no Instagram uma foto da consumidora com a legenda “wanted” (procurada) e a expressão “tot oder lebendig” (morta ou viva), além de ameaçar expô-la na rede social e acionar a delegacia para bloquear o IMEI do aparelho.

A exposição gerou grande repercussão e preocupação entre familiares e amigos da vítima, que registrou boletim de ocorrência por difamação. Em sua defesa, o vendedor alegou ausência de intenção de desabonar a imagem da consumidora, justificando sua atitude como uma forma de chamar a atenção para o pagamento da dívida.

Os desembargadores reconheceram que a conduta configurou abuso na cobrança extrajudicial e violação ao artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, que proíbe a exposição do consumidor inadimplente a ridículo ou constrangimento. Além da indenização, o tribunal determinou que o vendedor se abstenha de realizar comentários negativos sobre a consumidora nas redes sociais e retire todas as postagens relacionadas ao caso, sob pena de multa diária de R$ 500.

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