Câmaras de comércio americanas criticam tarifas de 50% impostas ao Brasil
Entidades empresariais alertam que medida prejudicará famílias e empresas dos Estados Unidos.

As principais organizações empresariais dos Estados Unidos manifestaram oposição às tarifas de 50% anunciadas pelo presidente Donald Trump contra produtos brasileiros. A U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil divulgaram nota conjunta nesta terça-feira (15) alertando que a medida elevará custos para consumidores americanos e prejudicará a competitividade de setores estratégicos do país.
Segundo as entidades, a sobretaxa atingirá produtos essenciais às cadeias produtivas norte-americanas, impactando diretamente as famílias americanas com o aumento de preços. A U.S. Chamber of Commerce, considerada a maior organização empresarial do mundo, e a Amcham Brasil, a principal câmara americana de comércio fora dos Estados Unidos, solicitaram negociações de alto nível entre os dois governos para evitar a implementação da tarifa.
As organizações destacaram que mais de 6.500 pequenas empresas americanas dependem de importações brasileiras, enquanto 3.900 empresas dos Estados Unidos mantêm investimentos no Brasil. O país sul-americano figura entre os dez principais mercados para exportações americanas, recebendo anualmente cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços dos Estados Unidos.
Os dados históricos do comércio bilateral revelam uma relação comercial favorável aos Estados Unidos. Nos últimos 28 anos, o país acumulou superávit de US$ 48,21 bilhões com o Brasil. Desde 2009, os americanos registram déficits comerciais consecutivos com os brasileiros, totalizando US$ 88,61 bilhões no período.
As câmaras de comércio advertiram que a imposição de tarifas como resposta a questões políticas pode estabelecer um precedente preocupante e causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos. As entidades se colocaram à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada e evitem a escalada da situação atual.



