junho 2025

Direito e Justiça

Justiça reconhece justa causa de auxiliar grávida por abandono de emprego

Decisão judicial em Sorocaba mantém demissão por faltas injustificadas, mesmo durante gestação; decisão foi tomada no processo 0011894-58.2024.5.15.0108.

A Justiça do Trabalho de Sorocaba validou a demissão por justa causa de uma auxiliar de limpeza grávida que abandonou o emprego sem apresentar justificativa formal. A juíza Adriane da Silva Martins entendeu que houve intenção clara da funcionária de não retornar ao trabalho, caracterizando abandono de emprego mesmo durante o período gestacional.

A trabalhadora havia alegado que pediu demissão por não receber assistência adequada da empresa quando passou mal durante a gravidez, além de sofrer interferências de colegas em sua vida pessoal. Com base nessas alegações, ela solicitou a conversão da demissão em rescisão indireta, pleiteando o pagamento de verbas rescisórias e indenização por estabilidade gestante.

A empresa, por sua vez, sustentou que a funcionária abandonou o posto de trabalho sem comparecer ao serviço desde setembro de 2024 e sem formalizar qualquer pedido de demissão. Para comprovar sua versão, a companhia apresentou dois telegramas enviados à trabalhadora, advertindo sobre o abandono de emprego, que permaneceram sem resposta.

A magistrada considerou que a empresa cumpriu o ônus da prova exigido pela legislação trabalhista. Ela destacou que as faltas injustificadas foram devidamente comprovadas e que um simples print de WhatsApp apresentado pela auxiliar era insuficiente para demonstrar o pedido formal de desligamento. A juíza também observou que, por se tratar de gestante, o afastamento exigiria assistência sindical, procedimento que não foi adotado.

Com a decisão, foram julgados indevidos os pedidos de aviso prévio, 13º salário proporcional, férias proporcionais, multa de 40% do FGTS, fornecimento das guias para seguro-desemprego e indenização por estabilidade da gestante.

Saúde

Cirurgia que altera cor do olho tem uso restrito para pessoas cegas

Pigmentação da córnea é um procedimento de alto risco, alerta CBO

Imagem: Reprodução

A cirurgia que permite a mudança da cor dos olhos por meio da pigmentação da córnea é um procedimento de alto risco, com resultados irreversíveis e estritamente indicada para pacientes com cegueira permanente ou com baixa visão extrema, com o objetivo de melhorar a aparência dos olhos.

O alerta foi feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) depois que a influenciadora digital Andressa Urach e a apresentadora Maya Massafera se submeteram à chamada ceratopigmentação e postaram fotos nas redes sociais mostrando a mudança na cor dos olhos.

“A população brasileira tem sido impactada nas redes sociais por pessoas que relatam ter se submetido a esse procedimento, também conhecido como ‘tatuagem da córnea’, com finalidade meramente estética”, informou a entidade em nota.

“No entanto, essa ceratopigmentação não é reconhecida como uma prática segura em olhos saudáveis, podendo causar complicações e até perda visual severa”, completou o comunicado.

No documento, o CBO alerta que a técnica só deve ser empregada dentro de protocolos clínicos bem definidos, para fins reconstrutivos com foco no bem-estar psicossocial de pessoas com deficiência visual permanente.

Histórias da Minha Vida

Histórias da Minha Vida – O Caminho – Tomo I

Todo ser humano planeja alcançar um determinado porto seguro, para isso precisa seguir um caminho. O que acontece quando não consegue seu objetivo, será que se utilizou dos elementos necessários para tal fim ou apenas desejou mas não se esforçou?

Penso assim. Ninguém deveria reclamar da vida e, sim, lutar para conseguir o que deseja. Aí vem a imaginação que faltam as condições de promover essa jornada, levando a pessoa a desistir do seu intento, sem sequer ter movido qualquer esforço para a caminhada.

Ninguém chega a lugar nenhum sem buscar os elementos, as condições de um processo que estão sempre à disposição daqueles que querem. Se o cavalo passa selado na sua frente e você não aproveita a oportunidade, depois não pode reclamar da vida.

A todos é dado o direito de caminhar, de alcançar objetivos sonhados, contudo, aqueles que esperam sem se esforçar, não receberão a graça pretendida.

Educação

Inscrições para concorrer às bolsas do Prouni começam nesta segunda

Prazo para se candidatar vai até 4 de julho

Imagens: Marcos Santos/USP Imagens

As inscrições para o processo seletivo do Programa Universidade para Todos (Prouni) começam nesta segunda-feira (30) e vão até 4 de julho. Os candidatos que pretendem concorrer às bolsas que serão oferecidas para o segundo semestre deste ano podem se inscrever gratuitamente no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

Criado em 2004, o Prouni oferta bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições ensino particulares do todo o país.

Para estar apto a participar da seleção, o estudante deve ter o ensino médio completo, ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 ou 2023 e obtido, no mínimo, 450 pontos de média nas cinco provas do exame, além de não ter tirado zero na prova de redação.

Ao optar pela seleção para bolsas integrais, o estudante deve ter renda familiar bruta mensal por pessoa de até 1,5 salário mínimo (R$ 2.277) e, para bolsas parciais, de até 3 salários mínimos (R$ 4.554).

O resultado da primeira chamada da seleção será divulgado em 7 de julho, na página do Prouni. A segunda chamada está prevista para 28 de julho.

Economia

Sem IOF, Haddad quer cortar supersalários; mercado prefere mexer no mínimo

A derrota do governo Lula (PT) com a derrubada do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) pelo Congresso na semana passada diminuiu as opções do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para equilibrar as contas do governo. Se a possibilidade de recorrer à Justiça para derrubar a decisão do Parlamento não vingar, Haddad terá de decidir onde cortar gastos: ele pode insistir na tentativa de reduzir supersalários e subsídios ao empresariado, ou aderir aos apelos do mercado financeiro, que prefere enxugar os gastos do governo reduzindo a valorização do salário mínimo.

Imagem: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Nos próximos dias, deve haver um avanço nessa discussão.

Opções de corte de gastos consideradas pelo governo:

Reduzir supersalários. Antes de aumentar o IOF, Haddad sugeriu ao Congresso que limitasse as verbas indenizatórias recebidas por alguns servidores, como juízes e promotores. Esses penduricalhos elevam seus proventos para além do teto constitucional, criando supersalários. A proposta chegou a ser aprovada pelo Senado em 2016, mas o texto só foi votado pela Câmara em 2021, e aguarda, desde então, que os senadores avaliem as mudanças. Em dezembro passado, Lula tentou limitar os penduricalhos com uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), mas o Congresso alterou o texto após pressão do judiciário.

Menos repasses para educação básica. O governo também quer reduzir os investimentos no Fundeb, criado para garantir a universalização da educação básica. O fundo é abastecido com impostos estaduais e municipais, mas recebe um complemento federal, que só este ano é de R$ 56,5 bilhões. A proposta é reduzir o percentual da União. A fatia federal equivalia a 10% dos repasses de estados e municípios em 2020, mas o Congresso aprovou uma lei que aumenta essa proporção anualmente, atingindo 21% em 2025. A ideia é reduzir essa proporção ou, pelo menos, impedir novos aumentos, um acréscimo que pode chegar a R$ 6 bilhões em 2026.

Corte nos incentivos fiscais para empresas. A Fazenda já tentou negociar com os congressistas a diminuição dos cerca de R$ 800 bilhões estimados pelo ministério em isenções tributárias a alguns setores da economia. O governo quer cortar pelo menos parte da desoneração para 17 desses setores econômicos mantidos pelo Congresso no ano passado. Iniciado em 2012, o benefício troca a contribuição previdenciária por um percentual do faturamento, gerando até o ano passado uma isenção fiscal estimada de R$ 9,4 bilhões por ano.

Novo sistema de aposentadoria militar. O déficit da previdência militar é proporcionalmente maior do que o do INSS, segundo o Tribunal de Contas da União. Para reduzi-lo, o governo enviou ao Congresso no ano passado um projeto de lei que fixa 55 anos como idade mínima para o militar passar à reserva, e acaba com regalias, como a garantia de pensão a parentes de militares presos. Enquanto cada aposentado ou pensionista do INSS gera R$ 9.400 de déficit por pessoa ao ano, os militares têm déficit de R$ 159 mil por beneficiário. O texto continua esperado análise da Câmara.

Direito e Justiça

Congresso pode ter usurpado Constituição ao derrubar decreto do IOF?

Derrubada do decreto presidencial reacendeu debate sobre separação entre os Poderes e limites institucionais.

A revogação, pelo Congresso Nacional, do decreto presidencial que aumentava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) levantou questionamentos sobre uma possível violação à Constituição. O centro da discussão está no Art. 153, 1º, da Carta Magna, que dá ao Poder Executivo a competência para modificar alíquotas de impostos como o IOF, conforme o interesse da política fiscal e monetária.

O decreto, editado pelo Executivo, previa o aumento do IOF com o objetivo de incrementar a arrecadação federal. Parlamentares, no entanto, argumentaram que o governo deveria priorizar o corte de gastos, em vez de aumentar tributos. Com esse discurso, aprovaram projeto de decreto legislativo (PDL) para sustar os efeitos da medida presidencial.

A decisão foi amparada na possibilidade, segundo a Constituição, de o Congresso sustar atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. No entanto, há dúvidas sobre se o decreto do IOF se enquadra nesse caso, uma vez que ele se insere em competência tributária expressamente conferida ao Executivo.

O governo vê na decisão do Congresso um possível excesso e trabalha junto à Advocacia-Geral da União para levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caso isso ocorra, o julgamento pode estabelecer novo precedente sobre os contornos da autonomia entre os Poderes, especialmente no que diz respeito à política fiscal.

Atrito jurídico

Além da divergência envolvendo o Art. 153, há uma outra polêmica: o Art. 84, IV da Constituição assegura ao presidente da República o poder de expedir decretos para a fiel execução das leis, o que incluiria ajustes em alíquotas autorizadas por legislação anterior. O decreto do IOF se enquadra nessa competência, tornando ainda mais frágil a legalidade da sua derrubada.

Internacional

Soldados israelenses recebem ordens para atirar deliberadamente em civis de Gaza, diz jornal

Jornal Haaretz expõe relatos de militares sobre uso de fogo real contra palestinos desarmados em busca de ajuda humanitária.

Imagem: Reprodução

Uma investigação do jornal israelense Haaretz trouxe à tona denúncias graves sobre as operações militares em Gaza, revelando que soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) receberam ordens explícitas para atirar em civis palestinos desarmados que se aproximam de pontos de distribuição de ajuda humanitária. Os depoimentos de oficiais e soldados apontam para uma política sistemática de uso de fogo real para dispersar multidões, mesmo na ausência de ameaças diretas à segurança das tropas.

Os relatos coletados pelo Haaretz descrevem uma realidade perturbadora nos centros de distribuição de auxílio. Um soldado, em depoimento ao jornal, comparou a situação a um “campo de extermínio”, afirmando que entre uma e cinco pessoas eram mortas diariamente em sua área de atuação. Segundo o militar, os civis são tratados como “força hostil”, e as tropas utilizam exclusivamente armamento pesado, sem recorrer a métodos menos letais de controle de multidões, como gás lacrimogêneo ou balas de borracha.

A comunicação entre as forças militares e a população civil se dá através do que os soldados chamam de “fogo cruzado”. Os disparos cessam apenas quando os centros de distribuição abrem suas portas, sinalizando que os moradores podem se aproximar para buscar alimentos e suprimentos básicos. Essa dinâmica levanta questionamentos sérios sobre as regras de engajamento adotadas pelas IDF e o tratamento dispensado à população civil em meio ao conflito.

Desde 27 de maio, o Ministério da Saúde de Gaza contabilizou números alarmantes: 549 pessoas foram mortas e mais de 4 mil ficaram feridas nas proximidades de centros de ajuda humanitária. Esses incidentes ocorrem em um contexto de extrema necessidade, onde milhares de palestinos se dirigem diariamente aos quatro postos de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (FGH) – três no sul e um no centro da região – em busca desesperada por alimentos e suprimentos essenciais para sobrevivência.

O jornal Haaretz documentou 19 tiroteios próximos aos centros de distribuição desde o início das operações da FGH. A fundação, criada por Israel em coordenação com evangélicos americanos e empresas de segurança privada, opera sob proteção das IDF posicionadas a centenas de metros de distância. A gravidade desses relatos, vindos de uma fonte jornalística israelense, sublinha a urgência de uma investigação internacional aprofundada sobre as táticas militares empregadas e seu impacto devastador sobre a população civil de Gaza.

Geral

Polícia Federal realiza operações contra deputado na Bahia e prefeito de Palmas

Operações Overclean e Sisamnes resultam em prisões e afastamentos de autoridades suspeitas de desvios de emendas e vazamento de informações do STJ.

Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) duas operações de combate à corrupção. As ações atingiram autoridades em diferentes estados e por crimes diversos, demonstrando a amplitude de investigações em curso contra irregularidades no poder público.

Na Bahia, a quarta fase da Operação Overclean, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques, cumpriu mandados de busca e apreensão para apurar um esquema de desvios de emendas parlamentares. O alvo principal foi um assessor do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), identificado como Marcelo Chaves Gomes, suspeito de ser o operador do esquema fraudulento.

As investigações apontam irregularidades nas emendas destinadas às prefeituras de Boquira, Ibipitanga e Paratinga. Como consequência das suspeitas, dois prefeitos foram afastados de seus cargos por determinação do ministro Nunes Marques: Alan Machado França (PSB), de Boquira, e Humberto Raimundo Oliveira (PT), de Ibipitanga.

O deputado Félix Mendonça Júnior teve seu sigilo telefônico quebrado, mas não foi alvo de busca e apreensão. Em nota, sua assessoria negou qualquer irregularidade no envio de emendas parlamentares e afirmou que ele está colaborando com as investigações. O parlamentar já havia sido mencionado em reportagem anterior por ter viajado em avião do empresário Alex Parente, também investigado na Overclean.

Paralelamente, em Tocantins, a décima fase da Operação Sisamnes resultou na prisão preventiva do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos). A ordem foi expedida pelo ministro do STF Cristiano Zanin, que também determinou a prisão de dois advogados ligados ao prefeito.

Geral

Câmara homenageia Miguel Arraes ao nomear sala do Colégio de Líderes

Resolução aprovada em Plenário destaca trajetória do ex-governador e ex-deputado federal; medida gerou debate entre parlamentares.

Imagem: Instituto Miguel Arraes

O relator da proposta, deputado Pedro Campos (PSB-PE), destacou o legado de Arraes na luta contra a ditadura militar, que resultou em sua prisão e exílio. “Ele continuou sua atuação mesmo no exílio, com foco na redemocratização do país. Essa homenagem reconhece sua contribuição à história brasileira”, afirmou.

Tanto Maria Arraes quanto Pedro Campos são netos do homenageado.

Críticas e defesa

A deputada Bia Kicis (PL-DF) criticou a homenagem, alegando que a sala representa um espaço plural e não deveria ser associada a uma ideologia específica. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) reforçou o argumento, pedindo respeito à diversidade ideológica.

Em resposta, Maria Arraes destacou que o avô é reconhecido como Herói da Pátria. “Miguel Arraes não representa apenas uma ideologia, mas políticas públicas concretas, como os programas Luz para Todos e Farmácia Popular, que inspiram até hoje”, afirmou.

A resolução foi promulgada após a aprovação em Plenário.

Publicado originariamente pelo portal Congresso em Foco.

Geral

Autópsia confirma trauma grave como causa da morte de brasileira em vulcão na Indonésia

Juliana Marins teria morrido cerca de 20 minutos após queda no Monte Rinjani; Governo Federal altera decreto para facilitar repatriação de corpos.

Imagem: Instagram

A publicitária brasileira Juliana Marins, de 26 anos, morreu em decorrência de trauma contundente que resultou em danos a órgãos internos e hemorragia, segundo autópsia divulgada nesta sexta-feira (27) por autoridades indonésias. A jovem de Niterói (RJ) sofreu o acidente fatal no sábado (21), por volta das 6h30, enquanto percorria uma trilha no Monte Rinjani, o segundo vulcão mais alto da Indonésia, localizado na ilha de Lombok.

O especialista forense Ida Bagus Alit, responsável pelo procedimento realizado no Hospital Bali Mandara, em Bali, revelou que Juliana apresentava fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa, além de escoriações e arranhões. “A vítima sofreu ferimentos devido à violência e fraturas em diversas partes do corpo. A principal causa de morte foram ferimentos na caixa torácica e nas costas”, explicou o médico. O laudo descartou a hipotermia como causa da morte, já que não foram encontradas evidências típicas dessa condição.

A análise forense indicou que a morte ocorreu aproximadamente 20 minutos após os ferimentos, baseando-se na ausência de sinais que indicariam um processo prolongado de agonia. “Havia um ferimento na cabeça, mas nenhum sinal de hérnia cerebral. No tórax e no abdômen, houve sangramento significativo, mas nenhum órgão apresentou sinais de retração que indicassem sangramento lento”, detalhou Alit. O corpo da brasileira chegou ao hospital na quinta-feira (26), às 11h35, após ser transportado de ambulância da província onde o vulcão está localizado.

O acidente aconteceu no ponto Cemara Nunggal, uma trilha cercada por desfiladeiros que leva ao cume do Rinjani, quando Juliana caiu em um barranco com cerca de 200 metros de profundidade. O resgate do corpo levou quatro dias para ser concluído, sendo finalizado apenas na quarta-feira (25), devido às condições climáticas adversas e à topografia extrema do local. A operação mobilizou cerca de 50 socorristas, mas enfrentou críticas de internautas brasileiros que consideraram o processo lento e inadequado.

A família de Juliana manifestou indignação com a demora no resgate e anunciou a intenção de buscar reparação judicial. “Juliana sofreu negligência grave por parte da equipe de resgate. Se a equipe de resgate tivesse conseguido salvá-la dentro das sete horas estimadas, Juliana ainda estaria viva”, declarou a conta do Instagram que representa a família. As autoridades indonésias, por sua vez, defenderam que seguiram os procedimentos padrão e que as condições extremas do local dificultaram a operação.

Economia

Desemprego no Brasil cai para 6,2% e empregos com carteira assinada batem recorde histórico

Taxa de desocupação registra queda significativa no trimestre encerrado em maio, enquanto formalização do trabalho atinge patamar inédito.

Imagem: Divulgação/agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro apresentou sinais robustos de recuperação no trimestre encerrado em maio, com a taxa de desemprego recuando para 6,2%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda em relação aos 6,8% registrados no trimestre anterior e uma redução ainda mais expressiva de 1 ponto percentual comparado aos 7,1% do mesmo período de 2024.

A melhora no cenário do emprego se reflete diretamente na redução do contingente de desocupados, que passou de 7,5 milhões para 6,8 milhões de pessoas entre os trimestres, uma queda de 8,6%. Na comparação anual, a diminuição foi ainda mais acentuada, com recuo de 12,3% em relação aos 7,8 milhões de desempregados registrados no mesmo trimestre do ano passado.

O destaque dos dados ficou por conta do recorde histórico de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que atingiu 39,8 milhões de pessoas. Este marco representa não apenas um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, mas também um avanço significativo de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2024, evidenciando o fortalecimento da formalização no mercado de trabalho brasileiro.

Paralelamente, o número de pessoas ocupadas alcançou 103,9 milhões, registrando alta de 1,2% no trimestre e 2,5% no ano. O nível de ocupação subiu para 58,5%, com incremento de 0,6 ponto percentual ante o período anterior. Outro indicador positivo foi a redução no contingente de desalentados, que caiu para 2,89 milhões de pessoas, o menor patamar desde 2016, com quedas de 10,6% no trimestre e 13,1% no ano.

Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, o mercado de trabalho se mostra aquecido, com redução da mão de obra qualificada disponível e aumento das vagas formais. A taxa de subutilização da força de trabalho também apresentou melhora, recuando para 14,9%, com quedas de 0,8 ponto percentual no trimestre e 1,9 ponto percentual no ano, sinalizando um aproveitamento mais eficiente do potencial produtivo da população brasileira.

Economia

Congresso pode impor derrota aos que ganham menos com adiamento de projeto de isenção de IR

Arthur Lira adia relatório sobre proposta que beneficiaria quem ganha até R$ 5 mil mensais, enquanto Legislativo acelera medidas de interesse próprio.

Imagem: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais, decidiu adiar a entrega do parecer sobre a proposta governamental. O texto estava previsto para ser apresentado nesta sexta-feira (27), mas não será divulgado, representando mais um obstáculo para milhões de brasileiros de baixa renda que aguardam uma política tributária mais justa.

Segundo aliados de Lira, o relatório está pronto, mas não há “clima” para sua apresentação em meio à crise entre governo e Congresso Nacional. A tensão escalou especialmente após a votação que derrubou o decreto presidencial sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), aprovada na quarta-feira (25) pelos parlamentares, evidenciando a resistência sistemática do Legislativo a medidas de arrecadação que poderiam financiar políticas sociais.

O Projeto de Lei 1087/25, considerado o mais importante apresentado pelo Executivo neste ano para a população de menor renda, prevê isenção de IR para rendas mensais de até R$ 5 mil a partir de 2026. A medida geraria uma renúncia fiscal de R$ 27 bilhões anuais aos cofres públicos, que seria integralmente compensada pela criação de um imposto mínimo para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano – uma redistribuição progressiva que encontra forte resistência no Congresso.

A proposta estabelece alíquotas progressivas que chegam a 10% para quem recebe mais de R$ 1,2 milhão anuais, incluindo dividendos. Parlamentares da comissão especial identificaram que o governo poderia obter um saldo positivo de R$ 8 bilhões com as mudanças, levantando questionamentos sobre a neutralidade fiscal. Paradoxalmente, essa mesma preocupação com o equilíbrio das contas públicas não se manifesta quando o Congresso aprova gastos que beneficiam setores mais privilegiados da sociedade.

O adiamento do relatório compromete drasticamente o cronograma de tramitação da proposta, que ainda precisa passar pela comissão especial, pelo plenário da Câmara e pelo Senado. Com o prazo cada vez mais apertado para aprovação ainda neste ano, a medida que beneficiaria milhões de brasileiros de menor renda enfrenta resistência crescente no Congresso.

Personalidade

Personalidade | Saiba quem foi Dom Hélder Câmara

Religioso pernambucano foi o brasileiro mais indicado ao Nobel da Paz e ficou conhecido como defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar.

Imagem: Reprodução

Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, no Ceará, em 7 de fevereiro de 1909, filho de uma professora e um jornalista. Aos 14 anos ingressou no Seminário da Prainha, onde recebeu formação conservadora que inicialmente o influenciou a simpatizar com movimentos nacionalistas como a Legião Cearense do Trabalho e a Ação Integralista Brasileira, de tendências fascistas que pregava lemas como “Deus, Pátria, Família”, desvinculando-se quando Getúlio Vargas instaurou a ditadura do Estado Novo, em 1937.

Ordenado padre em 1931, aos 22 anos, Dom Hélder dedicou-se ao trabalho social junto aos Círculos Operários Cristãos e à Juventude Operária Católica. Nesse período, contribuiu com a alfabetização de adolescentes pobres e ajudou na organização sindical de mulheres das camadas populares, incluindo lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas.

Sua carreira eclesiástica ganhou projeção nacional quando se mudou para o Rio de Janeiro em 1936, onde trabalhou no Ministério da Educação. Foi ordenado bispo em 1952, aos 43 anos, e passou a se dedicar intensamente às reformas na Igreja Católica para aproximá-la dos compromissos sociais com os mais pobres.

Dom Hélder foi responsável por importantes iniciativas institucionais na Igreja. Conseguiu autorização do Vaticano para fundar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), em 1955. Durante o Concílio Vaticano II, em 1965, foi propositor do “Pacto das Catacumbas”, documento que influenciou a criação da Teologia da Libertação, que coloca a libertação dos pobres e oprimidos no centro da mensagem de Jesus Cristo.

Em 1964, semanas antes do golpe militar, foi designado arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, cargo que ocupou por 21 anos. Durante a ditadura, posicionou-se publicamente contra o regime autoritário, sendo proibido pelos meios de comunicação brasileiros de conceder entrevistas a partir do AI-5, em 1968.

Direito e Justiça

Senado Federal aprova direito de transferência para empregados públicos

Medida equipara direitos de empregados celetistas aos servidores estatutários em casos de remoção do cônjuge.

O plenário do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 194/22, que assegura aos empregados públicos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) o direito de transferência quando o cônjuge ou companheiro for removido por razões funcionais. A proposta, de autoria da deputada federal Lídice da Mata (PSB/BA), segue agora para sanção presidencial.

A nova legislação visa corrigir uma disparidade existente no serviço público brasileiro. Enquanto os servidores estatutários já possuem esse direito garantido pela Lei 8.112/90, os empregados públicos de empresas públicas e sociedades de economia mista permaneciam sem essa proteção legal.

Segundo o texto aprovado, a transferência ocorrerá mediante solicitação do interessado e independe da conveniência da administração pública. No entanto, a mudança só será possível quando houver filial ou representação da entidade empregadora na localidade de destino do cônjuge removido.

A medida estabelece que as transferências devem ser horizontais, mantendo o empregado no mesmo quadro de pessoal, sem gerar custos adicionais para o ente público. O senador Fabiano Contarato (PT/ES), relator da matéria na Comissão de Assuntos Sociais, destacou que a iniciativa promove simetria entre os direitos dos diferentes vínculos funcionais no setor público.

A aprovação representa um avanço na proteção dos vínculos familiares no serviço público, evitando que empregados sejam forçados a escolher entre a carreira e o acompanhamento do cônjuge em transferências funcionais. A medida beneficia diretamente trabalhadores de empresas públicas e sociedades de economia mista em todo o país.

Geral

Em que resultou as acareações de réus acusados de trama golpista realizadas pelo STF?

Mauro Cid e Braga Netto mantiveram versões conflitantes sobre entrega de dinheiro, enquanto Torres e Freire Gomes divergiram sobre minuta golpista; nada de novo surgiu, aparentemente.

Foto: Cristiano Mariz

O Supremo Tribunal Federal realizou nesta terça-feira (24) duas acareações no âmbito da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022. Os procedimentos, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, colocaram frente a frente personagens centrais da trama golpista para esclarecer contradições em seus depoimentos.

A primeira acareação, que durou mais de uma hora e meia, confrontou o tenente-coronel Mauro Cid, delator da operação, com o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil. O ponto central da divergência foi a alegada entrega de dinheiro em espécie no Palácio da Alvorada. Cid reafirmou ter recebido de Braga Netto uma sacola com dinheiro em embalagem de vinho, estimando o valor pelo peso do pacote lacrado.

Braga Netto negou categoricamente a entrega de qualquer quantia e manteve sua versão de que apenas encaminhou ao Partido Liberal um pedido de recursos feito por Cid. Segundo o general, o pedido foi recusado pelo tesoureiro do partido, coronel Azevedo, e ele não providenciou alternativa. A contradição entre os dois permaneceu inalterada após o confronto direto.

Na segunda acareação, que durou cerca de uma hora, foram confrontados Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. O foco foi a minuta golpista encontrada na residência de Torres, que previa a decretação de estado de sítio e ações de Garantia da Lei e da Ordem.

Freire Gomes confirmou que o documento era “semelhante” ao apresentado por Bolsonaro em reunião de 7 de dezembro de 2022, quando o ex-presidente teria exposto o plano golpista aos comandantes das Forças Armadas. O general esclareceu que não se tratava de documentos idênticos, mas com conteúdo similar sobre os mesmos temas.

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