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Três anos depois, situação do Rio Doce é incerta e Samarco tem previsão de volta só em 2020

O rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, completa três anos nesta segunda-feira (5). Mesmo tanto tempo depois, os impactos do maior desastre ambiental da história do Brasil ainda podem ser sentidos no Espírito Santo, onde a lama causou destruição no Rio Doce.

No dia 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, uma barragem da Samarco, cujos donos são a Vale e a BHP Billiton, se rompeu. Uma lama de rejeitos de minério vazou, arrasou vilas, matou pessoas e chegou até o Rio Doce, que percorre cidades mineiras e também capixabas. No Espírito Santo, as cidades afetadas foram Baixo Guandu, Colatina e Linhares, onde fica a foz do rio.

Rio contaminado

O nível de contaminação no rio ainda é desconhecido, principalmente em relação às espécies que vivem no local. Por isso, pesquisadores de 24 universidades brasileiras fizeram uma expedição em outubro para coletar materiais para análise.

A força-tarefa chamada Rio Doce Mar está recolhendo amostras de animais, água e lama no Espírito Santo e Sul da Bahia. É a maior pesquisa já realizada para medir as consequências do desastre. São quase 500 pesquisadores. A cada seis meses, eles vão apresentar os resultados.

No Espírito Santo, os municípios mais afetados pela lama de rejeitos foram Baixo Guandu, Colatina, e Linhares. Neste último, onde o rio encontra o mar, na Praia de Regência, a pesca continua proibida. Foi ali que o destino final de todos os rejeitos que caminharam ao longo do rio.

Nos primeiros meses seguintes ao desastre, os níveis de metais dos peixes e outros animais que viviam no Rio Doce estavam acima do permitido. Agora, o nível melhorou, mas não o suficiente para liberar a pesca na foz.

Apesar do impacto direto da lama no Rio Doce, outros mananciais foram prejudicados. A lagoa Juparanã, em Linhares, por exemplo, foi “isolada” por uma barragem construída em 2015 para impedir que a lama de rejeitos a atingisse.

Mas, com o bloqueio, surgiram outros problemas: a água da lagoa não escoa, causa inundações e os peixes somem. “A barragem empatou o tucunaré, a tainha, o robalo e nós estamos em uma crise muito ruim. Estamos passando quase fome, porque o pescador não está podendo sobreviver porque não tem peixe”, disse o pescador Jeneci Rocha.

Para amenizar os impactos na lagoa, um canal foi aberto, fazendo com que 56 famílias ribeirinhas do Rio Pequeno, afluente do Rio Doce, tivessem que deixar suas casas para não sofrer com inundações.

Volta da Samarco

Com as atividades paralisadas desde 2015, a Samarco tem previsão de voltar a operar somente em 2020, assim que conseguir as licenças ambientais necessárias para esse retorno.

“A Samarco, com o apoio de seus acionistas, tem trabalhado para voltar suas operações de forma responsável, com máxima segurança e apoio das comunidades. A expectativa é que as licenças necessárias para viabilizar o retorno das atividades sejam obtidas ao longo de 2019”, disse a empresa em nota.

Sozinha, a receita da Samarco representava, até o rompimento da barragem, 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo e 1,2% das exportações brasileiras.

Quando estava em pleno funcionamento, a empresa gerava 20 mil vagas diretas e indiretas de emprego. Por conta da paralisação, as perdas acumuladas em 2017 e 2018, somam R$ 2,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Leo Castro, explicou que a paralisação da Samarco já refletiu no PIB capixaba.

“Já no primeiro ano da sua paralisação, tivemos uma queda de mais de 10% no PIB industrial capixaba. Isso não se recuperou. Eu tenho dito que o evento econômico mais importante no curto prazo para a economia capixaba é justamente a retomada da atividade da Samarco que representa perto de 5% do PIB do estado como um todo, não só do PIB industrial. De fato, é uma empresa que tem uma relevância, uma importância muito grande para os capixabas”, disse.

As perdas foram expressivas para o estado. “O Espírito Santo todo perdeu com a paralisação da Samarco. Perdemos em capacidade de investimento, em geração de empregos, desenvolvimento, mas sem dúvida os municípios da região Sul em especial Anchieta e Guarapari foram bastante afetados por essa paralisação. Dado que a maioria dos trabalhadores residiam ali.”

Fonte: G1

Um comentário sobre “Três anos depois, situação do Rio Doce é incerta e Samarco tem previsão de volta só em 2020

  1. Izilda Antônia de Sá

    A preservação e cuidados com o Meio Ambiente é uma prioridade da Humanidade para que possa preservar a vida para as gerações futuras. Também parabenizo Salgueiro pela Consulta Pública a ser realizada em 13 de novembro, sobre a criação de uma unidade de Conservação em Salgueiro: Serra das Caatingas.