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Personagem (edição IV)

personagem

claraDona Clara Alves de Sá Carvalho nasceu em 11 de julho de 1919 na Fazenda Junco município de Leopoldina (atualmente Parnamirim). Em 1935 casou-se com Doaciano Angelim e passou a rubricar Clara Alves de Sá Angelim.

Foi seu genitor o Fazendeiro Manuel Francisco de Sá Araújo (Né do Junco), natural de Salgueiro, e filho de Francisco de Sá Araújo – ex-prefeito de Salgueiro e neto do Cel. Manuel de Sá Araújo fundador de Salgueiro em 1835. Né do Junco casou-se em segundas núpcias com Inácia Alves de Sá Carvalho, natural de Belém de São Francisco, e sua cunhada. Desta união nasceu Dona Clarinha que ficou órfã de pai aos 17 dias de nascida.

Decorridos cinco anos do óbito de Né do Junco, Dona Inácia casou-se com o Sr. Francisco Eliseu de Vasconcelos, também viúvo e líder político em Salgueiro, Vereador e Juiz da Paz, residente na Fazenda Várzea do Ramo no município de Salgueiro. Seu Francisquinho, como todos o chamavam, foi o pai que Dona Clarinha conheceu e a quem devotou a mais alta estima até seus últimos dias.

Sua mãe vendeu a Fazenda Junco em Leopoldina e veio a residir na Fazenda Várzea do Ramo numa casa situada na praça da Matriz de Santo Antonio, herança de Né do Junco, construída ainda em 1835. O inventário dos bens trazidos do Junco hoje se encontra no acervo de documentos da família.

Em 1935 com 16 anos veio a residir no Sobrado da Praça Matriz, domicílio do Sr. Evergisto Menezes e Dona Olindina Soares, parentes e amigos de seus pais, para estudar no colégio N. Sra. Aparecida – Colégio das Freiras em Salgueiro.

Deste educandário fugiu com seu amado Doacino Angelim escoltados pelos casais Sr. José Vitorino de Barros – seu Tio e Prefeito na época – sua esposa Dona Iaiá e mais dois casais de ilibada conduta. Casou-se com Doaciano Angelim 1935 na Igreja Matriz de Santo Antonio do Salgueiro construída por seu bisavô Manuel de Sá Araújo.

Em 1940 nasceu Antonio de Sá Angelim, seu único filho, que casou-se com Maria Beneide Guimarães Angelim em 1960 gerando seis netos e 10 bisnetos para o casal Clarinha e Doaciano.

Dona Clarinha era filha de fazendeiros e continuou a tradição de seus antepassados unindo suas habilidades com o esposo Doaciano Angelim filho do comerciante Joaguim Pereira Angelim, que trabalhava nas cidades e nas fazendas.

Foram proprietários de cinco fazendas, onde exploravam a pecuária de gado leiteiro e de corte, criatório de suínos, caprinos e ovinos, engenho de cana de açúcar, alambique (Aguardente Vencedora), torrefação (Café Cavalinho), despolpadeira de arroz, cerâmica, fábrica de doces e armazém para venda em grosso e varejo na Rua Osmundo Bezerra.

Seus produtos eram valorizados na região pela qualidade e preço e atendiam a mercados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Pernambuco e Bahia.

O casal sempre esteve à frente dos trabalhos, quer na administração, quer na fabricação dos produtos. Era exemplar o modo como Dona Clarinha tratava seus subordinados sempre com muito carinho e o respeito de todos e de todas. A grande maioria foram seus compadres e comadres.

Além de seu carisma como administradora e matriarca, sempre cultivou cristã devoção por Maria Santíssima sua madrinha de batismo, além da fé depositada em Santo Antonio e em São Francisco.

Em momentos de muita aflição com as secas que presenciou e com as calamidades e carência da região, sempre demonstrou muita força e coragem para enfrentar as adversidades.

Em 1989 seu esposo Doaciano Angelim faleceu com 75 anos de idade e 54 anos de convivência embalados ao som do seu inesquecível violão, de muitas batalhas e de muitas conquistas.

Seu amor e veneração por Doaciano Angelim continuam apesar dos 90 anos de idade e do peso da saudade suavizada pela convivência dos amigos e da família.

Falar de “Mãe Clarinha” é falar de gente boa, de pessoa de fibra. É como falar da mãe da gente… E lembrar de Nossa Senhora.

Meus sinceros agradecimentos ao amigo e historiador Marcos Angelim, sem o qual não seria possível a concretização desta matéria.

Por Ivo Junior.

5 comentários sobre “Personagem (edição IV)

  1. valéria

    Dona Clara Alves de Sá Carvalho ou a familia sabe algo da familia furtado leite do coité ou furtado de lacerda pois sei que tinha entrelaçamento da familia sá carvalho com os lacerda e tbm gostaria de saber se alguém já ouviu falar de chica galega

  2. José Allan Alencar Roza

    “Vento que balança as palhas dos coqueiros, vento que encrespa as ondas do mar …” Essa com certeza devia ser uma das músicas prediletas do velho boêmio “Doá”. Quanta e quantas vezes ele teria embalado as madrugadas de Dona Clarinha no alpendre da casa grande da “Vargem do Ramo”!!! É muito bom lembrar das pessoas de bem da nossa querida Salgueiro. DONA CLARINHA – com todas as letras maiúsculas, é e sempre será o exemplo de dedicação, honestidade, honradez e muito amor para com todos. Quero dizer bem alto: VIVA DONA CLARINHA!!! Fico muito feliz por terem lembrado da senhora. Muita saúde. Zé Allan Roza.

  3. Maysa Angelim

    Parabenizo o locutor e professor Ivo Júnior pela grande iniciativa de apresentar à população de Salgueiro e região pessoas comuns,mas de grande importância para a nossa história.
    Salgueiro é assim: repleta de pessoas maravilhosas que deixam o seu legado para nossa comunidade.São gestos simples como o de nossa avó que contribuem e muito na formação das nossas famílias.São exemplos de sabedoria,tolerância e criatividade.Elementos humanos essenciais para o crescimento de toda geração.
    Nós da família estamos honrados e agradecidos.
    Um abraço!!!!!

  4. Alvinho Patriota

    Dona Clarinha, que bom poder visualizar a sua história. Bela história que sem dúvida honra não somente a sua família mas, todos nós e especialmente a mim, pela forma sempre carinhosa que me tem tratado. Que Deus lhe dê mais muitos anos de vida aqui na terra e, depois, ilumine a sua caminhada eterna…

    Beijos

    Alvinho Patriota

  5. ANTONIO CÍCERO DA SILVA

    Meus parabéns para Dona Clara, por tão bela história de vida, que como muitas pessoas da região, brilham mesmo que no anonimato. Esta é uma brilhante iniciativa do blog, através do amigo Alvinho, com todos os seis colaboradores…
    Abraços, e meus sineceros parabéns, a todos…