Pernambuco registra o menor número de óbitos em dois meses e Governo recomenda cautela

O secretário estadual de Saúde, André Longo, e o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, deram entrevista coletiva sobre a pandemia de Covid-19 em Pernambuco e na capital do Estado nesta segunda-feira (22). Ontem, Pernambuco confirmou 18 mortes nas últimas 24 horas, o menor número em dois meses. Longo, no entanto, ressaltou que não é algo a se comemorar.

“É um número pequeno se pegarmos a série histórica, comparado a outros, mas não pode servir de referência. Na verdade a gente tem buscado reforçar que este número não reflete necessariamente o que houve nas últimas 24 horas. Esse número precisa ser distribuído ao longo dos dias. É necessário observar as médias móveis e semanas epidemiológicas. É fato que existe uma redução sustentada no número de óbitos em relação ao pico das mortes, na primeira quinzena de maio, mas o vírus ainda está entre nós”, afirmou André Longo.

Questionado sobre o aumento na taxa de transmissibilidade do coronavírus em Pernambuco, que voltou a ser maior que 1, de acordo com dados disponibilizados pelo IRRD (Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco), Longo observou que o aumento progressivo de casos no Agreste tem puxado a taxa total do Estado para cima.

“Essa taxa precisa levar em consideração as regiões do Estado, ela não é homogênea”. Para Longo, o Agreste tem registrado números preocupantes, de curva ascendente de contágio. O secretário estadual de saúde afirmou que a cidade de Caruaru está em uma situação ainda mais grave do que outros municípios do Agreste, como Garanhuns. Caruaru, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Ses-PE), é a segunda cidade pernambucana com mais pacientes a ocuparem leitos de UTI na Região Metropolitana do Recife (RMR)

O secretário também destacou que situações de aglomeração vistas no fim de semana, como na feira da sulanca, em Caruaru, e no Recife, devem ser evitadas para que não haja novo aumento no número de casos de Covid-19. André Longo e Jailson Correia deram ênfase à diferença da situação da pandemia na RMR, com curva de casos estabilizada, e no Agreste, com curva ascendente.

“Quando houve o momento mais difícil da epidemia na RMR foi preciso fazer o lockdown. Olhando em retrospecto, essa medida foi acertada. Contribuiu para que houvesse redução de óbitos e atendimentos”, disse Jailson Correia, que lembrou que, com a interiorização do vírus, o Estado vive em seu território diferentes epidemias de Covid-19, em momentos diferentes. “Não há como se fazer uma medida única no estado, porque são situações diferentes em cada região”, disse Correia.

Os dois secretários afirmaram que a as aberturas graduais devem seguir critérios rígidos para evitar aglomerações e normas rigorosas de higiene. Eles também ressaltaram o papel da corresponsabilidade da população, empresários e empregadores na adoção de protocolos rígidos durante a retomada.

Fonte: Diário de Pernambuco