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Artigo: São João, aqueça nossos corações!

Por Renata Vasconcelos*

As bandeirinhas coloridas estão guardadas, o sanfoneiro silencioso usa máscara, o arrasta-pé foi cancelado. Quem nunca nesta época do ano vivenciou das mais variadas formas, dependendo da região, a alegria intensa de uma das mais contagiantes festas tradicionais do nosso país?

Cidades inteiras do interior do nordeste vivem o ano todo esperando por este momento. Mas, hoje, das janelas de suas casas, seus moradores olham o palhoção vazio. Os barcos de fogos em Sergipe, que começam a ser confeccionados meses antes, estão empoeirados. A cidade do forró e o cuscuz gigante em Caruaru terão que esperar.

Será que não há nada para refletir? Vejamos: a festa junina é um acontecimento que irradia harmonia, você já percebeu? Na apresentação da quadrilha, por exemplo, todos os integrantes precisam dançar no mesmo compasso, senão pode ser um desastre. Cada par precisa sentir a música, seguir a mesma coreografia e, após inúmeros ensaios, o que se vê é um espetáculo de integração, ritmo e coordenação, várias pessoas ao mesmo tempo dançando.

Em tempos de pandemia, uma das lições desta tradição não seria refletir sobre o valor e a importância de estarmos no mesmo compasso com o outro? Mesmo que separados, cada um do seu lugar? Cada um deve esforçar-se para acompanhar e entender o ritmo do outro, como sinal de respeito e empatia, para que, no fim, a apresentação seja harmônica! Do contrário, pode ser um desastre.

Não poderia também esta tradição nos ensinar que a fogueira acesa, que este ano não será possível, ganhe um novo significado e seja incendiada com o fogo do amor em nossos corações? Como dizia a música que tanto embalou nossas festas: “São João, São João, acende a fogueira do meu coração.” E desta vez, as nossas mesas fartas de comidas típicas, precisam dar a vez ao arroz e feijão na mesa de quem realmente precisa.

Em 2020 estamos sendo convidados pela vida a ressignificar a festa de São João! E certamente quem passar por isso e deixar que a fogueira de São João aqueça e transforme sua alma de verdade, nunca mais vivenciará as próximas festas juninas da mesma forma. Porque saberá o valor de não tê-la e saberá também o valor do seu sentido mais profundo.

*Renata Vasconcelos Leal é missionária da comunidade Canção Nova e apresentadora do programa Manhã Viva, exibido pela TV Canção Nova.

Artigo: Mudança? Não seja avalista da destruição de Salgueiro

O fiador é aquele que dá garantias, pelo voto, ao político desonesto, que com mentiras e bravatas se elege por vaidade e depois esquece o povo e  o município, para depois querer voltar para a reeleição, com o mesmo intuito enganador. Vamos ficar espertos  é nosso dever, não deixar o caos administrativo instalado se propagar novamente, pois o caminho é escorregadio, e o fim dessa linha é o desgosto.

Em 2016 em plena campanha eleitoral, o Sr. Prefeito municipal, Clebel Cordeiro e seu vice Dr. Chico, alimentaram uma falsa esperança no povo salgueirense de que como administradores tudo iria mudar para melhor: A tal MUDANÇA. Os secretários seriam técnicos. Ocorre que já foram feitas várias alterações e tudo continua na pior situação possível.

Na educação os fardamentos escolares, quando são entregues o ano letivo já está muito adiantado e os pais dos alunos já compraram até o fardamento. E as cinco refeições por dia? Os alunos ficariam das 07:00 às 18:00 horas. Isso foi cumprido em algum momento? Falácia pura de Clebel e Dr. Chico. Outra promessa não cumprida foram as festividades de primeiro mundo: Nem de último mundo acontecem. Todas festas são pífias e não atraem turistas para a cidade e os comerciantes e donos de hotéis sofrem os impactos do abandono.

O Sr. Clbel Cordeiro dizia que não queria o salário de prefeito e iria doar a uma instituição de caridade. O povo precisa saber qual entidade recebeu: dá pra informar? O gestor público tem por obrigação dar publicidade aos seus atos, como reza a constituição.

Em uma live recente, política, o prefeito, Clebel Cordeiro, com alguns secretários fizeram uma explanação de algumas ações de governo. O que me chamou atenção foi o secretário de obras dizer que irão ser realizadas ações de recuperação de bens públicos, como: praças, escolas, avenidas…etc. Ora significa afirmar que não zelaram, pela coisa pública nesses mais de três anos de mandato. Será que vão tentar fazer agora para ludibriar o povo novamente?

O povo tá cansado dessa administração desastrosa. O povo tá cansado desse desgoverno sem rumo e sem direção. Uma promessa digna de nota, do Sr. Clebel Cordeiro e seu vice Dr. Chico era que o problema da água seria resolvida com a troca do diretor da COMPESA. Pois bem, no início da gestão, realmente, o diretor foi substituído. Se antes nós tínhamos 2 dias com água e 4 sem, passamos a ter 3 dias com água e 8 dias sem água, ou seja mudou pra pior.

Na realidade o único prejudicado com essa inoperância do governo de Salgueiro é o povo. Mas esse mesmo povo pujante da nossa guerreira Salgueiro está esperto e nas eleições para governador, deputados federais e estaduais e presidente, os candidatos apoiados pelo prefeito, Clebel Cordeiro, tiveram números inexpressivos, a começar pelo presidente que o mesmo apoiou, o genocida, Bolsonaro. o pior presidente do mundo. Uma sugestão: para alavancar a campanha de, Clebel Cordeiro à reeleição não seria bom trazê-lo para o seu palanque?

Nosso povo tem que ficar atento, o prefeito começou a andar pela cidade, coisa que o mesmo não fez nos últimos anos, acho que é com um único objetivo: prometer e tentar enganar o povo mais uma vez. Alguém lembra do referido prefeito ter prometido calçamentos? Não prometeu, mas agora, em final de governo, está fazendo uns pedaços de ruas e até já visitou a praça, CEU, na Cohab, que foi abandonada desde o início da gestão.

Meu povo, da cidade e dos distritos vamos ser coerentes com nossas atitudes, não nos deixemos cair em armadilhas. Tem pessoas que usam máscaras para se aproveitar do povo em época de política. Vamos fugir das tentações maliciosas e malignas que prejudicam uma sociedade em geral. A razão traz o deleite e a alegria voltará a reinar em nossos corações com as bênçãos de Deus.

Por Juraci Oliveira Costa – advogado,  escritor, poeta e professor

Obs: Os artigos aqui publicados são de responsabilidade dos seus autores, não refletem necessariamente a opinião do blog.

Artigo: A urgente necessidade de uma lei para proteção à democracia

Por Alex Sidney*

A Constituição Federal promulgada em 05/10/1988 instituiu valores importantes à sociedade, que para sua efetivação exigiu a edição de novas leis especiais. Assim, para efetivar a defesa do consumidor foi promulgada a lei 8.078/90 – CDC, a defesa da criança e do adolescente – o ECA – lei 8.069/90, a moralidade dos agentes e servidores públicos, à Lei de improbidade administrativa – lei 8.429/92.

Nesse momento conturbado da política nacional, em que observamos ataques diários aos pilares da democracia, urge estatuir um diploma legal para efetivar a defesa do Estado republicano, democrático e representativo.

De fato, detentores de mandatos, cargos ou funções públicas, de provimento ou livre nomeação se encontram submetidos à lei e não estão autorizados a usar as prerrogativas do cargo em proveito próprio ou de suas ideologias. Assim, um chefe de poder, ocupante de um alto cargo na hierarquia de quaisquer dos poderes não pode ameaçar, participar de manifestações ou praticar qualquer ato tendente a incentivar a ruptura democrática.

É o que ocorre quando um general ou ministro de Estado ameaça o poder judiciário, caso não julgue determinado caso conforme seu desejo. Quando um chefe de Estado ameaça publicamente não cumprir uma ordem judicial. Lembremos que o poder, seja militar ou civil, é dado pelo Estado para fazer cumprir à lei e à ordem pública, jamais para subvertê-la.

Por isso, a sociedade deve se organizar e exigir do parlamento a promulgação de estatuto hábil a proteger a República – coisa do povo, a Democracia – para o povo, dos larápios que tentam se utilizar dos poderes estatais – direito de portar armas – militares, de gerir os recursos da nação – presidente e ministros, para subverter à lei, o regime e a liberdade, com penas compatíveis com a gravidade de seus atos, a exemplo de perda de mandato, cargo ou função pública, cassação de aposentadoria, direitos políticos, perda de bens e prisão.

* Servidor público federal, bacharel em Administração de Empresas pela Facape e em Direito pela UNEB.

Artigo: Adiar as eleições municipais é prova de respeito à democracia

As declarações do ministro José Roberto Barroso, novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que, em entrevista, afirmou considerar manter a data de eleição ou “adiar” pelo tempo de 1 mês, vai ao encontro da manifestação que fiz por meio de artigo publicado por vários jornais brasileiros há um mês.

Não há dúvida de que a pandemia e seus efeitos colaterais são fatores de inesperada relevância, que introduziram no processo sócio-político e eleitoral um notório distúrbio. Portanto é num contexto de anormalidade que se deve buscar pontos de equilíbrio para não desestabilizar as institucionalidades que sustentam a nação nas quais, indubitavelmente, estão inseridos os processos eleitorais, instrumento fundamental para a construção da representação democrática e do estado de direito.

As eleições são o sopro de vida da liberdade, embora ultimamente venham sendo atacadas até por amigos da democracia, que não atentaram para esse fato e, assim, enfraquecem involuntariamente a representação e, por consequência, a democracia e as liberdades. Adiar as eleições municipais e dar mais tempo para que os que pleiteiam a representação (candidatos) se encontrem com os representados (eleitores), amalgamando a sagrada simbiose do compromisso, representa hoje, na verdade, um ato de respeito à democracia e às liberdades.

O fundamento do que venho preconizando está baseado nesse raciocínio. Entendo que é preciso dar valor ao processo eleitoral em curso como prova do nosso compromisso como nação com o estado democrático de direito, por meio da celebração do grande ato litúrgico democrático das eleições municipais: as eleições cidadãs em essência, que carregam em si aspirações e esperanças intrínsecas às necessidades próximas dos cidadãos — pois é ali, no município, onde se travam as batalhas diárias pela sobrevivência das famílias, nos bairros, nos rincões. Onde se processam, por meio da atuação diuturna de vereadores e prefeitos, os anseios das comunidades pelas mais básicas necessidades, como a creche, a merenda escolar, os remédios nos postos de saúde, a condução (transporte público municipal e escolar), as vias públicas e rurais, as podas de árvores, a iluminação pública, as calçadas, os serviços de fornecimento de água, de afastamento do esgoto, da cesta básica, do médico da família, dos postos de saúde… Da própria vida em si do brasileiro. Como certa vez disse Mário Covas: “As pessoas vivem nas cidades”.

Vivemos um momento triste da vida política nacional, quando novos políticos, sob o falso pretexto de representarem uma renovação que nunca se concretiza quando chegam ao poder, estimulam a destruição da própria classe política como instituto de representação social. Miram na cabeça do adversário, mas acertam a cabeça da democracia e acabam por explodir os próprios miolos. Essa postura criou a falsa ideia de que a democracia não consegue cumprir seu papel de representar, mas a maior prova em contrário é constatar o trabalho feito por prefeitos e vereadores por todos os cantos do país, mesmo representando o ente federativo mais pobre, segurando nas pontas das unhas os fios esgarçados do tecido social e mantendo a amarração institucional.

Conheço notáveis homens públicos administrando com muita garra os destinos de alguns dos 5.564 municípios do país, mas percebo que isso talvez não esteja sendo valorizado hoje. Sei que não é fácil “defender Judas em Sábado de Aleluia”, mas trago testemunho franco da luta das instituições municipalistas para manter pulsando o coração da esperança do povo nas cidades.

Não podemos, então, relegar as eleições municipais a um plano menor, como se não tivessem importância. Adiá-las é dar a elas o destaque de que precisam ter, a importância que merecem.

Por João Miras – estrategista de marketing político e autor dos livros “Política e Comunicação A Evolução da Democracia e a Propaganda em 122 Anos de República no Brasil” e “Pensando Fora da Caixa — Uma Coleção de Imagens Escritas sobre um Jeito de Pensar a Vida e a Política”. Caso tenha interesse, por favor, informe. Abraço.

Serviço Social: Conheça e valorize essa profissão

Esse 15 de maio está bem diferente, não encontramos pessoalmente nossas/os colegas e companheiras/as de luta nas inúmeras comemorações, encontros e palestras que costumavam acontecer Brasil a fora, na data em que comemoramos o Dia da/o Assistente Social.

É um dia de comemoração e de luta, muitos debates e palestra sobre o trabalho da/o Assistente em tempos de pandemia e os desafios atuais aconteceram/acontecerão durante toda a semana por meio de lives, oportunizando o encontro virtual entre profissionais e estudantes. Apesar da incerteza e dos medos causados pela crise sanitária que assola o país e o mundo, a atual conjuntura exige que continuemos firmes na luta, fazendo aquilo que é o nosso principal objetivo: garantir diretos para população.

Historicamente, o Serviço Social, suas instituições representativas, profissionais e estudantes assumem um importante lugar na sociedade, promovendo o debate crítico e reflexivo, fazendo a defesa da classe trabalhadora e lutando contra toda e qualquer forma de opressão e preconceito. Nos colocamos na defesa intransigente dos/as trabalhadores/as, mulheres, negros, índios, crianças e adolescentes, LGBTQIA+.

O dia é de celebrar nossas conquistas e fincar os pés no presente, continuar lutando incansavelmente contra essa conjuntura de perda de direitos, desmonte das políticas sociais, mais do que nunca pautar a defesa o SUS, visivelmente sucateado, porém cada vez mais necessário. Devemos combater a ascensão grotesca do fascismo, as posturas conservadoras e as iniciativas antidemocráticas absurdas que defendem a volta da ditatura e fechamento das instituições democráticas.

Sigamos combativos e fortes na defesa da democracia, dos direitos e da construção de uma nova sociabilidade sem opressão, desigualdade e preconceito.

Por Liane Soraya Viana da Silva: Assistente Social, graduada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Especialista em Serviço Social, Políticas Públicas e Trabalho Profissional pela Universidade Federal de Campina Grande-PB (UFCG); Mestre em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); Professora do Curso de Serviço Social da Faculdade de Ciência Humanas e Sociais de Serra Talhada (FACHUSST-AESET).

Artigo: O novo normal

Por Rodrigo Augusto Prando*

No primeiro artigo que escrevi acerca da pandemia, já com as aulas suspensas e trabalhando em casa, fiz, em 21/03/20, a seguinte consideração, logo no início: “Presenciamos, sociologicamente, uma suspensão da vida cotidiana, da normalidade de nossas relações sociais. E, sejamos realistas, isso assusta, nos traz medo, angústia e sensação de impotência frente à pandemia ocasionada pela Covid-19”. Há algumas semanas um termo frequenta a mídia e as conversas: o “novo normal”. Cabe, aqui, algumas considerações.

A pandemia trouxe, realmente, à tona uma realidade distante de nossa normalidade. Muitos países – e o Brasil inclusive – implantaram graus distintos de isolamento social até o lockdown. A noção de isolamento social dentro de um espaço chamado sociedade já é capaz de indicar que algo muito diferente está acontecendo. Somos, desde a mais tenra infância, socializados (educados e aculturados) a fim de vivermos em sociedade, cumprindo distintos papéis sociais e, sempre, dentro dos padrões que a sociedade estabelece como normais.

Émile Durkheim, considerado um dos fundadores da Sociologia, tem uma obra que busca desvendar as características peculiares dos fenômenos sociais e como estudá-los. Em sua obra “As regras do método sociológico”, o autor disserta acerca da importância de se entender as especificidades do “fato social”, sendo este considerado o objeto de estudo da Sociologia, bem como define suas características e como deve o cientista, o sociólogo, se comportar no estudo destes fatos. Importa, neste caso, uma distinção feita entre fato social normal e fato social patológico. Assim, para Durkheim, “um fato social é normal para um tipo social determinado, considerado numa fase determinada de desenvolvimento, quando se produz na média das sociedades desta espécie, consideradas numa fase correspondente de desenvolvimento”.

O crime, por exemplo, é considerado – pelo autor francês – um fato social normal, pois não há sociedade que não apresente esse fenômeno, esse fato social. Há diversos tipos de crimes: furtos, roubos, assassinatos, sequestros e estupros, entre outros. Eles, queiramos ou não, encontram-se nas mais diversas sociedades, todavia, numa análise comparativa em sociedades de desenvolvimento semelhantes há uma taxa que se considera aceitável, normal, de crimes.

O Brasil vem ostentando uma média de cerca de 60 mil assassinatos por ano e mais uns 40 mil mortos em acidentes de trânsito. Esses números, por si só, são próximos de uma guerra e seriam repudiados na grande maioria dos países, mas, no nosso país, foram considerados normais, pois há, estatisticamente, uma regularidade nesse fenômeno. Desta forma, o normal nestas plagas seria considerado anormal noutra sociedade. Então, quando um fato social é anormal, portanto, tira a sociedade de sua normalidade, da regularidade dos padrões de sociabilidade, há a preocupação sociológica para que a anormalidade não evolua para uma anomia, isto é, para uma situação de ausências de normas e regras e que pode até levar à morte do “organismo social”.

A normalidade de nossa vida cotidiana do início do ano e de todos anos anteriores, não se faz mais presente. A nossa rotina, nossos hábitos, de trabalho, estudos, lazer e relações sociais estão em compasso de espera. Aguardamos, ansiosos, por uma vacina ou por um tratamento eficaz contra a Covid-19.

Por enquanto, seguindo as recomendações científicas e médicas, a única forma de proteção é o distanciamento social, objetivando diminuir o contágio da doença de rápida e ampla disseminação. O desejo, crença e esperança é que com uma vacina possamos retornar à normalidade, à vida de antes da pandemia. Difícil. Mesmo com vacina ou medicamentos, teremos uma profunda crise econômica e, infelizmente, ao que tudo indica, um cenário de crise política. Muitos, no início, fizeram a comparação da consternação que causa na opinião pública a morte ocasionada pela queda de um avião comercial, com cerca de 400 pessoas, com essas vidas perdidas e as vidas que seriam perdidas pela Covid-19.

Até o momento, 13/05, o Brasil tem o registro de cerca de 12.400 mortes pelo coronavírus. São muitos aviões caindo todos os dias. Creio que da mesma forma como nos habituamos aos assassinatos e às mortes no trânsito, vamos nos habituando às mortes da pandemia, muitas evitáveis. Há, na cultura brasileira, violenta e autoritária, certa conivência com a morte, especialmente as evitáveis, que nos coloca num patamar de normalidade cruel.

Provavelmente, o tal do “novo normal” vai se desenhando por conta da pandemia. O home office que há muito existe foi acelerado para muitas categorias profissionais; artistas que dependem de público (portanto, de aglomerações) buscam, com sofrimento, se reinventar; alunos e professores, idem. Temos, especialmente nós brasileiros, saudades dos abraços e beijos – do contato físico – nos familiares ou amigos. Sentar-se à mesa com amigos, vendo jogo; almoçar na churrascaria, num rodízio; treinar na academia; olhar para o aluno em sala de aula e perceber, pelas suas feições, que o conceito fez sentido ou não.

Sociologicamente, o novo normal trará, provavelmente, aspectos positivos e negativos. Apresentará nossa criatividade e nossas iniquidades. Quiçá tenhamos que ressignificar a nossa forma de consumir e viver em sociedade; quiçá as noções de desenvolvimento sustentável e de qualidade de vida ganhem expressão e se consubstanciem em práticas individuais e coletivas.

Bem que o novo normal poderia ser de repúdio à miséria e à grande desigualdade de renda, educação e oportunidades. Quem sabe, por fim, possamos compreender a importância da política e da necessidade de líderes políticos e melhorar a qualidade de nossa representação nos poderes executivo e legislativo. Quem sabe?

*Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp de Araraquara.

Artigo: Superar sem ser superado

Por Tiago A. Fonseca Nunes – Médico

A realidade pandêmica, que ressurge ao longo da nossa história, desperta na sociedade o sentimento de aflição, angústia e medo. Diante do desespero social que se instala, os profissionais da linha de frente – valorosos combatentes do inimigo invisível – tem de manter a equanimidade temperada pela ciência, habilidade técnica e pela presteza de tomar difíceis decisões perante um incerto cenário de saúde.

Cabe aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, psicólogos e tantos outros profissionais, cumprir o milenar papel hipocrático de valorizar a vida. E cuidar daqueles que ficam doentes – neste caso, pelo Covid-19 que apresenta-se altamente contagioso e potencialmente letal sobretudo às camadas mais frágeis da sociedade. Portanto, carregando consigo a prudência, coragem, atenção, humildade e sensibilidade à dor alheia, tem modificado o efeito catastrófico do vírus. Vocação vem da palavra chamamento e, nesses momentos, os guerreiros são mobilizados a usar todos os seus potenciais para encarar o inimigo. Diversos deles viram pacientes e, muitos, tem a vida ceifada no “campo de batalha”.

As crises podem trazer progressos. Lutar e superar são palavras de ordem. O empenho e dedicação dos mais variados meios científicos mundiais, tem apontado estratégias e prováveis soluções para abater o vírus em definitivo. Estamos mais próximos do seu fim, apesar das dificuldades. Seja nas tentativas de protocolos com compilado de medicamentos (antivirais, anticoagulantes, antibióticos, plasma, antimaláricos etc.) que possam impedir a tempestade imunológica que acomete o organismo do paciente, seja pelo desenvolvimento de vacina – em franco processo de concretização -, ou até mesmo pelos pujantes estudos que dão evidências científicas do que traz benefícios aos doentes. A medicina é observacional, não exata e como dito por William Osler, é a ciência da incerteza.

O coronavírus inegavelmente, de forma muito rápida, paralisou e mudou o modo como o mundo funciona. Fomos obrigados a mudar hábitos e repensar conceitos que carregamos ao longo de toda a vida. Sem dúvida, o pós-pandemia estará de braços dados ao trauma coletivo gerado na turbulência das incertezas físicas e mentais. Contudo, seguir adiante olhando à frente fará com que superemos as aflições e tiremos os melhores aprendizados.

Em suma, a ordem natural da doença nos mostrará o tão esperado fim da pandemia e o futuro tratará desse conflito nos autos da história da humanidade. A sociedade arraigada de perdas e sequelas reerguer-se-á ao seu modo de naturalidade, como vimos em campos de guerra. Assim, até chegar essa hora, sigamos trabalhando duro para o enfrentamento e que possamos todos ser melhores nos piores momentos. “Quem supera a crise supera a si mesmo sem ter sido superado.” Vida e saúde a todos.

Covid-19: Deus proteja os heróis da saúde!

* Por Alvinho Patriota

Amigas e amigos,

Há 11 anos, para dar suporte aos nossos trabalhos legislativos em Salgueiro, tivemos a ideia de criar este Blog (Por que a ideia de criar um blog?), o qual resistiu todo esse tempo, apesar da extensão da rede de comunicação (net) que hoje começa basicamente com o nascimento dos bebês, de forma que só permanecem ativos aqueles sites que têm compromisso com a verdade. Por isso só temos a agradecer àqueles que, direta ou indiretamente, trabalham para que essa confiabilidade seja uma constante, levando aos leitores as informações como de fato devem ser levadas, com independência e responsabilidade.

Hoje queremos fazer uma reflexão ao que vem ocorrendo em todo o mundo e agora com maior intensidade no Brasil, quando a orientação das autoridades é de que devemos ficar em casa para reduzir a incidência do coronavírus – covid-19.

Interessante é que, enquanto a população é convidada a permanecer em isolamento social, os profissionais da área de saúde são chamados a cumprir missão não apenas do juramento formal, mas, sobretudo humana, onde arriscam a própria vida em favor dos irmãos, condição mais sublime que podemos imaginar.

Na verdade, estamos vendo no dia a dia aumentar o número de profissionais de saúde infetados com o vírus Covid-19, hoje mesmo quando infelizmente ultrapassamos cinco mil mortes, igual número desses trabalhadores com a contaminação, sendo preciso que as autoridades disponibilizem todas as condições necessárias no sentido de alocar equipamentos e demais meios de trabalho desses abnegados profissionais, aos quais rendemos nossa sincera homenagem.

Aos empresários, todo tempo e toda oportunidade lhes foi dada para se chegar onde chegaram e com certeza voltará o momento de expandir seus negócios. Neste momento, não deixem de olhar para seus colaboradores no máximo possível, evitando demissões e maior sofrimento daqueles que tanto contribuíram para o sucesso dos seus negócios e com certeza voltarão a contribuir.

* Presidente Ong Vida

Opinião: Direita, esquerda?

Por Jacques Ribemboim – Economista ambiental

Nas décadas de sessenta e setenta, sabia-se exatamente o que era ser de direita ou de esquerda. A direita defendia o capitalismo e a esquerda, o socialismo e o comunismo. Direita e esquerda eram conceitos diametralmente antagônicos, com significados bastante precisos. Nos meios intelectuais e estudantis, sonhava-se com a revolução do proletariado, a extinção das classes sociais e o fim da propriedade privada. Nos bastidores, Estados Unidos e União Soviética travavam a grande batalha pela hegemonia do planeta.

Com o correr dos anos, a polarização ideológica vai se esmaecendo até quase desaparecer nos anos oitenta, sob a égide do neoliberalismo. E eis que reflui nos últimos anos com força total, principalmente na América Latina – esse pobre continente nunca liberto de seus líderes populistas e redentores.

A rigor, os termos “direita” e “esquerda” foram cunhados na Revolução Francesa, quando girondinos e jacobinos tomavam assento à droite et à gauche na Assembleia Nacional. Mas foi somente em meados do século 19 que adquiriram consistência científica, sobretudo a partir das teses de Marx e Engels. Infelizmente, decorridos cem anos da publicação de O Capital, o que era uma cisão ideológica transformou-se em uma cisão geográfica intercontinental, com os países lutando entre si e se digladiando internamente. O resultado nefasto foi de cento e cinquenta milhões de mortos.

E hoje? Terminada a Guerra Fria, desfeita a União Soviética, derrubado o Muro de Berlim e emersa a questão ambiental, o que teria restado da velha dicotomia direita-esquerda? Uma simples dissonância quanto ao tamanho do Estado? Equilíbrio orçamentário, regras trabalhistas, alíquotas de tributação? Privatizações ou mais servidores públicos? Divergências quanto à ênfase na produção ou no consumo? Igualdade como ponto de partida ou como ponto de chegada?

Não restam dúvidas de que anda difícil se conceituar direita e esquerda em nossos dias. O receituário das doenças sociais perdeu sua abrangência e abandonou as certezas de outrora. Em cada território, em cada grupo social, em cada momento do desenvolvimento, as propostas podem se alternar. Sob determinadas circunstâncias, é recomendável um maior intervencionismo. Em outras, laissez-faire, laissez-passer! Políticas que ampliem o alcance de oportunidades, por exemplo, são urgentes em populações com má distribuição de renda, requerendo um investimento público massivo, lexicográfico, em educação fundamental e ensino técnico – algo bastante diferente das práticas assistencialistas que vogam há décadas no Brasil.

Apesar da dificuldade conceitual, formam-se autênticos esquadrões de lado a lado, espaços para provocações que cindem a população e afastam os oponentes. Coxinhas e mortadelas, bolsominions e petralhas, milicianos e esquerda caviar. Em plena modernidade líquida, as armadilhas conceituais proliferam na mídia e nas redes, erguendo cartilhas e patrulhamento. Um cabra da direita tem que cortar o cabelo, usar sapatos, cursar engenharia e admirar Bolsonaro. Se for da esquerda, o estereótipo contrário: exibir cabeleiras exóticas, andar de sandálias, cursar humanas e achar que Lula é inocente. Um maniqueísmo que oblitera a inteligência e amordaça o espírito.

As correntes de direita e esquerda (sejam o que forem) também divergem quanto ao método para conseguir a almejada justiça social, incluindo os direitos das futuras gerações. Uma parece optar pela transição evolutiva, gradual, por meio da poupança e do investimento. Entende que o liberalismo econômico gera empregos e aumenta o bem-estar. Crescer para depois dividir. A outra, por sua vez, deseja transformações imediatas, valendo-se da redistribuição de curto prazo. Defende uma maior taxação sobre a produção e a propriedade, apostando na tutela do Estado sobre o cidadão. Dividir para depois crescer.

A grande falha da direita contemporânea (entenda-se como quiser) é centrar seu discurso na economia e nos mecanismos de mercado, permitindo que a esquerda se aproprie de toda uma agenda moral positiva, abarcando inclusão, direitos humanos, igualdade de gênero, proteção ambiental, diversidade sexual e respeito às minorias. Em seus extremos, a direita se considera detentora do monopólio da eficiência e a esquerda, do monopólio da bondade, fazendo uso de uma retórica carismática e de forte apelo emocional, amplamente aceita entre os mais jovens. No mundo real, contudo, falhou incrivelmente em todos os itens dessa pauta.

Por mais paradoxal que seja, políticas baseadas no ideal romântico do ser humano costumam acarretar resultados decepcionantes. A História mostra ser mais prudente apostar na natureza primitiva do homem e, desse modo, extrair-lhe o melhor em proveito de todos, inclusive a sua capacidade de ser solidário. Por via do mercado, tendo o Estado como facilitador, corrigindo as falhas.

Artigo: Maioria dos políticos não consegue “desgrudar” das mazelas do passado

Por Machado Freire

O Brasil de hoje tem que pensar e agir melhor, acabando com a idolatria e o endeusamento de figuras que fariam muito bem ao nosso País se vestissem o pijama e nunca mais participassem de disputa eleitorais.

Outra coisa: é prudente que acabem com as “capitanias hereditárias” familiares, que constituem feudos que lembram como nunca os velhos coronéis do mato que controlavam os currais eleitorais.

Também “aposentar” a reeleição e por fim a essas tais “emendas impositivas” que têm um viés bem próximo do “toma-lá-dá-cá”, que na prática se assemelham com a compra de votos. Algo assim extremamente vergonhoso e imoral!

São práticas sem vergonha e atrasadas – irmãs siamesas da nada desejada “compra de voto na folha”, como se fazia na comercialização de algodão e mamona no sertão. Muitas vezes, o agricultor era sacaneado pelo comerciante que impunha um preço aviltado, pelo fato de estar adiantando o pagamento da mercadoria.

Então, com a permanência desses instrumentos da malandragem e da safadeza, estamos no Século 21, convivendo com práticas nefastas de um passado que nos matou de vergonha e que será levado à sepultura de uma política que não contribui em nada para o desenvolvimento social e moral dos homens e mulheres, que devem ser livres para sempre, independentemente quem seja o “controlador de voo” de plantão.

Artigo: Apenas 4% dos recursos das emendas parlamentares são destinadas à Educação

Por Machado Freire

Um relatório que acaba de ser publicado pelo  Tribunal de Contas da União (TCU) traz um dado preocupante: apenas 4% dos recursos das ementas dos parlamentares, apresentadas entre 2014 e 2017,  foram destinados  à Educação.

As chamadas emendas inquisitivas (destinadas a cada parlamentar,  individualmente)  autorizadas nesse período atingiram R$ 36,54 bilhões, sendo que R$ 24 bilhões (65,7%) foram empenhadas (pagas),  e  que 61,15% foram repassados aos municípios, onde 12,78 beneficiaram instituições privadas sem fins lucrativos.

O relatório dá conta de que dos recursos liberados, 51%  foram para a Saúde, enquanto 21%  destinaram-se à infraestrutura urbana e, apenas 4% para a Educação. Diante disto, o relatório do TCU conclui que ” ficou comprovado que os recursos distribuídos pelos parlamentares não promovem a redução das desigualdades regionais”.

Na sua auditoria, o  TCU  também  chama a atenção para o fato de que o tempo excessivamente longo para a conclusão de obras compromete a aplicação das verbas.  “Outro fator negativo é a pulverização dos recursos para pequenos projetos, o que acarreta um custo operacional mais alto do que na execução de políticas públicas estruturadas pelos órgãos setoriais”,  acrescenta o relatório do TCU constatando que “ficou comprovado que os recursos distribuídos pelos parlamentares não promovem a redução das desigualdades regionais”.

Nosso comentário: Então, diante de dados tão contundentes (preocupantes e  lamentáveis) como eleitor e contribuinte e com a experiência de mais de 40 anos de atividades como jornalista,  sou quase obrigado  a apelar para a chamada classe política dos municípios sertanejos que “acordem pra Jesus” e na hora de procurarem  os deputados para negociarem seus apoios nas próximas eleições, tenham o mínimo de preocupação com o futuro da juventude nos seus municípios e “negociem” em favor do desenvolvimento da Educação.

Vejo, com um misto de decepção e revolta, que a maioria dos políticos (principalmente vereadores e prefeitos)  que assumem “compromisso” com deputados federais da região, o fazem  buscando a construção de calçamento e maquinas pesadas. Nada contra isso, mas é preciso que se trabalhe mais na busca da melhoria do saneamento básico e melhoria do ensino público em cada município sertanejo, a partir de Salgueiro, como município polo do Sertão Central.

Artigo: Hora de programar a Cidade Universitária de Salgueiro

(e de escolher uma área adequada para o Campus da Univasf)

Por Machado Freire

É por demais oportuno que a sociedade civil, políticos, eleitores e contribuintes tomem uma posição no sentido de discutir uma melhor localização do futuro Campus da Univasf em Salgueiro.

Não temos informação de que esta iniciativa precedeu a definição do local escolhido, ou que a decisão tenha sido exclusiva do Governo Federal, através do Ministério da Educação.

Seria interessante que o caso fosse discutido durante a Aula Magna sobre a implantação do curso de Engenharia de Produção, programado para o próximo dia 24 de abril, a partir das 14 horas no IF Sertão, em Salgueiro, com a presença do Reitor da Univasf, Julianeli Tolentino.

É importante que na ocasião a sociedade organizada e pelo menos um vereador leve ao conhecimento dos funcionários que representam o Ministério da Educação e a Univasf nesse projeto muito bem vindo ao Sertão Central, que o local escolhido para a implantação dos cursos é inadequado do ponto de vista espacial. Lembramos que as universidades nasceram com a implantação de um ou dois cursos e avançaram até serem criadas as Cidades Universitárias.

Temos que nos convencer de que o antigo pátio da extinta Estação Ferroviária não oferece uma área que permita ampliação da unidade educacional que “nasce” desde já com o destino de “crescer e se multiplicar”.

Ora, a área destinada ao IF o Sertão Central – ali na saída para o Recife, ao lado da BR-232, é suficiente para acolher outras unidades educacionais federais, a exemplo do novo Campus da Univasf.

Outro ponto (que deve ser muito bem avaliado) é o fato de que naquela área próxima do IF já existem estabelecimentos educacionais públicos como o próprio IF, a escola Eremsal e a faculdade UPE.

Vale repetir que até o acesso à extinta Estação Ferroviária é dos mais precários. Para muitos, o local é um ponto de estrangulamento do desorganizado trânsito de Salgueiro, tanto no acesso quanto na saída.

Lembremos as coisas que têm origem na linguagem do povo: “é melhor prevenir do que remediar”.

A sensibilidade é inerente ao ser humano. Sejamos, pois, sensíveis ao sentimento da comunidade salgueirense através de criaturas que não são meros visitantes, mas que convivem com os homens e as mulheres desta terra do “Salgueiro Grande de Veremundo Soares” por algumas décadas.

Artigo: Abuso de poder e censura nunca mais

Por Gonzaga Patriota

Como advogado há mais de 40 anos, comunicador social, jornalista e constituinte que assinou a Constituição Cidadã de Ulisses Guimarães, fiquei atônito ao tomar conhecimento de que a Polícia Federal estava cumprindo vários mandados de busca e apreensão de celulares, tabletes e computadores, bem como, bloqueando contas em redes sociais, de Facebook, WhatsApp, Twitter e Instagram, em São Paulo, Goiás e no Distrito Federal, para aprofundar investigações de suspeitos de injúria e difamação, contra ministros do STF – Supremo Tribunal Federal, por postagens nessas redes sociais, de propaganda de processos violentos ou ilegais e alteração da ordem política e social, por determinação do ministro, Alexandre de Moraes, relator de um inquérito aberto por ordem do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, para apurar ofensas e informações falsas a magistrados, desta Suprema Corte, envolvendo integrantes do Tribunal, sem a participação da PGR – Procuradoria Geral da Republica.

Os mandados se basearam em opiniões feitas por pessoas, sobre o STF, que se sentiu ofendido, cujas buscas ocorreram em relação ao que o Supremo, através do ministro Alexandre de Moraes, considerou serem ameaças ao tribunal e seus integrantes, com conteúdos de ódio e de subversão da ordem.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que o site “O Antagonista” e a revista “Crusoé” retirassem do ar as reportagens e notas com essas matérias, citando Dias Toffoli, presidente da Suprema Corte, bem como, estipulou uma multa diária de R$ 100.000,00 (cem mil reais) pelo descumprimento dessa decisão e, ainda mandou a Polícia Federal ouvir os responsáveis do site e da revista, em até 72 horas.

Entendo que o papel do magistrado é apurar e julgar o indiciado pela polícia e o denunciado pelo ministério público e não em causa própria, de ofício, investigar, denunciar e condenar. Isto é um retrocesso e uma censura, sem limites, que ferem as leis e a Constituição Federal.

O papel do STF é ver a constitucionalidade das leis e, nesse caso, garantir o conteúdo de uma reportagem e, não abrir inquérito, denunciar suspeitos e mandar retirar essa reportagem do ar. Isto que está acontecendo no STF é inconcebível.

Desde a ditadura militar não se via tamanho absurdo de censura. Alguns ministros do STF se julgam intocáveis e, às vezes, prejulgam e, interferem em atribuições até do Congresso Nacional, como recentemente, impedindo a instalação de uma CPI, para investigar o comportamento de membros da sua Corte.

Gonzaga Patriota é Contador, Advogado, Administrador de Empresas e Jornalista. Pós-Graduado em Ciência Política, Mestre em Ciência Política e Políticas Públicas e Governo e Doutor em Direito Civil pela Universidade Federal de Buenos Aires, na Argentina.